As cooperativas de crédito podem ser uma alternativa estratégica para proteger a economia goiana dos impactos do tarifaço resultante da crise comercial entre Brasil e Estados Unidos (EUA). A proposta foi apresentada pelo presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, durante reunião com o governador Ronaldo Caiado nesta terça-feira (22), no Palácio das Esmeraldas.
No encontro, Caiado anunciou a criação de uma nova linha de crédito voltada a empresas que exportam para os EUA. Com previsão de início em agosto, o programa será financiado por um fundo de R$ 314 milhões, baseado em créditos de ICMS da exportação. A taxa de juros será de 10% ao ano — abaixo das praticadas em linhas federais — e, como contrapartida, as empresas beneficiadas deverão manter os empregos.
Luís Alberto reforçou que o cooperativismo de crédito está preparado para apoiar o governo estadual. “Em 2024, as cooperativas emprestaram R$ 24 bilhões. Oferecemos juros mais baixos, agilidade, capilaridade e a confiança dos produtores. Em Goiás, são 432 pontos de atendimento espalhados pelo estado”, afirmou.
O governador agradeceu o apoio do Sistema OCB/GO e destacou a importância da articulação entre governo e entidades representativas para buscar soluções conjuntas. “O tarifaço pode ser mantido, reduzido ou revogado. Como médico, acredito na prevenção. Não podemos esperar o impacto sem estarmos preparados”, disse Caiado.
Segundo a OCB/GO, as cooperativas, especialmente do ramo agropecuário, sentirão os efeitos da medida caso os Estados Unidos elevem tarifas sobre produtos brasileiros e o Brasil adote medidas de reciprocidade. “Só no agronegócio, são 48 mil cooperados em Goiás. Eles podem ser pressionados por custos mais altos e queda nos preços de venda”, alertou Luís Alberto. Para ele, o impacto pode se espalhar por toda a cadeia produtiva, exigindo ações imediatas.
Durante a reunião para discutor o tarifaço envolvendo o Brasil e os EUA, também foi criado um grupo de trabalho formado por representantes do governo estadual e do setor produtivo. O objetivo é definir estratégias conjuntas para proteger a economia goiana dos possíveis efeitos da medida, que pode entrar em vigor em 1º de agosto.














