A Polícia Militar de São Paulo oficializou a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a própria esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana. A decisão foi publicada em despacho oficial da corporação e gerou repercussão nas redes sociais e entre entidades de defesa dos direitos das mulheres.
Preso preventivamente desde março deste ano, o oficial responde por feminicídio e fraude processual. Segundo as investigações, ele teria matado a esposa com um tiro na cabeça dentro da residência do casal e, em seguida, tentado encenar um suicídio para despistar as autoridades.
Com a publicação do ato de aposentadoria, Geraldo Leite Rosa Neto deixa o serviço ativo da corporação e passa para a reserva. Apesar da mudança de status, ele continuará recebendo remuneração mensal. De acordo com informações divulgadas sobre o caso, os vencimentos foram reduzidos de aproximadamente R$ 22 mil para cerca de R$ 8 mil mensais.
A Polícia Militar argumenta que a transferência para a reserva segue regras previstas na legislação e decorre do cumprimento dos requisitos para aposentadoria. A medida administrativa é independente do processo criminal que tramita na Justiça.
Em suas redes sociais, o advogado Miguel José da Silva Junior, que defende a família da soldado Gisele, disse que lhe causou espanto a “celeridade da PM em aposentá-lo”. Para o advogado, essa decisão demonstra que a PM está “dando privilégios” ao tenente-coronel. “Essa aposentadoria não vai barrar o Conselho de Justificação, que vai demiti-lo. Nós temos convicção disso. Por outro lado, não é justo que esse cidadão, que cometeu um crime tão bárbaro, continue recebendo valores à custa da população e inclusive dos pais da Gisele, que pagam seus tributos”, falou o advogado em um vídeo publicado em seu Instagram.
A defesa do oficial nega as acusações. Enquanto isso, ele permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, aguardando o andamento das ações judiciais.
PM tentou esconder feminicídio
Gisele era casada com o tenente-coronel e foi encontrada morta, com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal morava, na capital paulista. O tenente-coronel chamou socorro e reportou o caso às autoridades como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita.
Laudos do Instituto Médico Legal (IML) confirmaram marcas de agressão incompatíveis com suicídio. A família da vítima contestou a versão de suicídio desde o registro da ocorrência.
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