O uso irregular do terreno onde teve início o acidente com o Césio-137, no Centro de Goiânia, reacendeu o debate sobre a preservação da memória de uma das maiores tragédias da capital. A repercussão começou após um vídeo mostrar carros estacionados no local.
As imagens, registradas por drone pelo produtor goiano Michel de Medeiros, circularam nas redes sociais e mostram diversos veículos ocupando o espaço onde, em 1987, a cápsula radiológica foi aberta. O caso gerou indignação e levantou questionamentos sobre o respeito ao valor histórico da área.
Veja o vídeo:
Localizado na Rua 57, o terreno é considerado um dos pontos mais simbólicos do acidente. Mesmo após quase quatro décadas, o espaço ainda carrega forte significado para a cidade, embora não conte com placa ou sinalização que indique sua importância.
Após a repercussão, o local foi bloqueado com vasos de plantas, como forma de impedir o estacionamento. Até o momento, não há confirmação oficial sobre quem realizou a intervenção.
Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que a àrea localizada no Setor Central não oferece riscos à população. Esclarece ainda, por meio da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), que a área não possui licença ou autorização municipal para o funcionamento de estacionamento.
Destaca ainda que o terreno é de propriedade do Estado de Goiás e que a utilização do espaço configura atividade irregular. Diante da denúncia, a Sefic enviou uma equipe de fiscalização ao local na sexta-feira (10/04), com monitoramento estendido durante todo o fim de semana. O objetivo é identificar e autuar os responsáveis pela exploração indevida da área.
A tragédia do Césio-137
O acidente com o Césio-137 teve início em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi aberto, liberando material radioativo. O episódio contaminou centenas de pessoas, deixou mortos e se tornou um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de usinas nucleares.
Infelizmente as áreas que marcam tamanha tragédia não são tratadas com cuidado especial, como sinalização, por exemplo.
Segundo a nota, a prefeitura de Goiânia está estabelecendo um diálogo com o Governo do Estado de Goiás para que promova o fechamento efetivo do lote, com a instalação de muretas ou cercamento, a fim de impedir novas ocupações irregulares. Denúncias sobre atividades irregulares podem ser feitas pelo telefone 161.













