Primeiros integrantes de batalhão de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha começaram a ser deslocados para centro de treinamento na selva do Panamá. Tropas devem atuar também na Colômbia e em Honduras. Movimentação ocorre após envio de drones MQ-9 Reaper para Colômbia e Equador.
Os Estados Unidos iniciaram o envio de centenas de soldados do Exército para a América Latina, ampliando a campanha do Pentágono contra o narcotráfico na região. A informação foi revelada pelo jornal The New York Times nesta quarta-feira (14) e confirmada por veículos como EFE, Anadolu Ajansı e Revista Fórum.
Os primeiros integrantes de um batalhão de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, sediada em Fort Drum, no estado de Nova York, começaram a ser deslocados para uma instalação de treinamento na selva do Panamá. Os militares deverão treinar posteriormente com forças locais na Colômbia e em Honduras. Eles também poderão apoiar tropas de Operações Especiais dos EUA que assessoram militares locais em ações contra suspeitos de narcotráfico.
Outros soldados da 10ª Divisão deverão integrar uma nova estrutura de comando para operações no Hemisfério Ocidental, com sede em Miami. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também criou um escritório no Pentágono para supervisionar as operações militares contra cartéis.
Drones e aliança regional
A movimentação das tropas ocorre após os EUA transferirem drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. O modelo, conhecido como caçador-assassino, foi usado na operação que matou o general iraniano Qassim Suleimani em 2020. O Equador já confirmou que duas unidades operam em seu espaço aéreo, enquanto a Colômbia concordou em receber três aeronaves.
Colômbia e Equador integram o Escudo das Américas, aliança contra o crime organizado liderada pelos EUA com países alinhados ao governo Trump. A coalizão começou o ano com 12 membros e já reúne 19 países. O foco declarado é combater o narcotráfico, por meio de compartilhamento de inteligência e operações militares conjuntas.
Preocupações com soberania
A expansão militar dos EUA na região gerou reações de analistas e autoridades. O professor de Relações Internacionais José Luiz Niemeyer, da universidade Ibmec, classificou a movimentação como uma escalada do imperialismo. Segundo ele, Washington usa o combate ao narcotráfico para justificar a expansão da presença militar e impor sua agenda de segurança sem qualquer consideração pela soberania dos países latino-americanos.
O general Joseph A. Ryan, responsável pelo Comando do Hemisfério Ocidental do Exército dos EUA, afirmou que Washington está retomando terreno na região após décadas de menor prioridade, citando diretamente o crescimento da influência econômica chinesa.
Adam Isacson, do Washington Office on Latin America, afirmou ao New York Times que não se lembra de um deslocamento semelhante de tropas norte-americanas na América Latina em período recente, fora de invasões ou grandes catástrofes.
Operações em terra e histórico de ataques
O general Francis L. Donovan, principal comandante dos EUA para a América Latina, afirmou que as operações deverão avançar de ataques contra embarcações para ações em terra.
A campanha norte-americana já realizou 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico, com ao menos 239 mortos. Washington afirma que as vítimas eram ligadas ao narcotráfico, mas não apresentou publicamente provas para todos os casos. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade das operações.
Alguns oficiais militares dos EUA manifestaram preocupação com a falta de clareza sobre o objetivo final da operação. Um deles alertou para o risco de que um ataque contra soldados americanos provoque uma escalada e arraste o país para um novo conflito.
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