A Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, declarou nesta terça-feira (27) apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado. A decisão fortalece a candidatura do atual presidente e dificulta a articulação do PL para eleger Rogério Marinho (RN) no início da próxima legislatura.
O comunicado é assinado pelos presidentes nacionais do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira. Os dirigentes defendem a permanência de Alcolumbre com o argumento de que sua gestão contribui para a estabilidade institucional e a interlocução entre os Poderes.
“Reafirmamos nosso apoio à sua liderança e nosso compromisso com um Congresso Nacional forte, independente”, afirma um trecho da nota. O anúncio divulgado nesta terça trata especificamente do Senado, sem mencionar Hugo Motta (Republicanos-PB).
A federação terá 12 senadores na próxima legislatura. O apoio partidário, porém, não equivale a votos garantidos: a eleição é secreta e permite divergências individuais. Para vencer, um candidato precisa reunir pelo menos 41 dos 81 votos.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, contava com PP e União Brasil para construir uma maioria em torno de Marinho. A estratégia estava associada à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as duas legendas formalizaram o respaldo a Alcolumbre.
Motta reúne apoio na Câmara
Na Câmara, Hugo Motta já vinha articulando sua recondução com partidos do Centrão. PSB e PDT também anunciaram apoio ao deputado antes do segundo turno, ampliando uma composição que reúne forças de diferentes campos políticos diante da intenção do PL de disputar o comando da Casa.
A permanência dos dois presidentes interessa ao Planalto, que busca interlocutores para negociar com o novo Congresso. Na segunda-feira (26), Lula recebeu Motta e Alcolumbre no Palácio da Alvorada, no primeiro encontro com os chefes do Legislativo após a vitória eleitoral.
O apoio a Alcolumbre também contrasta com a posição defendida pelo deputado federal e senador eleito por Goiás Gustavo Gayer (PL). Em manifestação nesta terça, Gayer sustentou que a direita precisa eleger Marinho ou outro representante do seu campo para abrir caminho a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
A disputa pelo Senado será decidida em fevereiro de 2027, já com a participação dos eleitos neste ano. Até lá, Alcolumbre terá de transformar os apoios das direções partidárias em votos, enquanto o PL precisará buscar adesões fora de sua bancada para viabilizar uma candidatura competitiva.












