A proibição das casas de apostas no Brasil ligou o sinal de alerta para os três maiores clubes do centro-oeste: Atlético-GO, Goiás e Vila Nova. A tríade mantêm ou mantiveram contratos de patrocínio com empresas do setor, que representam milhões de reais em receitas comerciais. Com a entrada em vigor da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, os clubes precisam retirar marcas de bets de seus uniformes e espaços publicitários, além de lidar com a interrupção de contratos que ainda estavam em vigor.
A medida provisória proibiu a exploração, oferta, intermediação, publicidade, propaganda, marketing e patrocínio relacionados às apostas de quota fixa. Contudo, a MP ainda precisa passar pelo Congresso Nacional e pode sofrer alterações durante sua tramitação.
De qualquer forma, o sinal vermelho já é realidade para o futebol goiano. Os valores divulgados dos contratos mostram a dimensão do impacto. Atlético-GO, Goiás e Vila Nova possuem acordos com empresas do segmento que, somados, chegam a cifras aproximadamente R$ 20 milhões de investimento por ano.
Este valor considera as parciais de cerca de R$ 7 milhões anuais do contrato do Atlético-GO com a Blaze, R$ 8 milhões do acordo do Goiás com a Viva Sorte Bet e aproximadamente R$ 5 milhões do contrato do Vila Nova com a GingaBet em 2025.

Atlético-GO tem a casa mais arrumada de todas
Dos três maiores clubes de Goiás, o Atlético-GO talvez seja aquele com a situação mais tranquila. O clube tem a casa de apostas Blaze como patrocinadora master desde a temporada de 2023. A empresa renovou o vínculo com o Dragão em 2026, mantendo presença de destaque no uniforme. Os números exatos do patrocínio não são abertos, porém é possível encontrar na imprensa estimativas de valores na casa dos R$ 7 milhões por temporada.

Quando observamos o balanço financeiro do Atlético-GO para o ano de 2025, encontramos o registro de que o clube gerou R$ 8,8 milhões em receitas de patrocínio e publicidade em 2025. O valor, entretanto, reúne diferentes fontes de receita – como a Cristal Alimentos e Unimed – e não corresponde exclusivamente ao contrato com a Blaze.
Se os valores ventilados na imprensa estiverem corretos, a saída da Blaze poderia representar entre 79% e 91% da receita de patrocínio e publicidade quando comparamos as receitas de 2025. Essa perda de receita pode acarretar em um cenário diferente do ano passado, quando o Atlético foi o único dos três grandes de Goiás a terminar 2025 com superávit: R$ 687 mil.
Com oito partidas restantes pela frente na Série B, o Atlético ocupa a sexta posição e ainda tem chances reais de conseguir um acesso para a primeira divisão brasileira.

Goiás tem acordo considerado histórico
No Goiás, o impacto potencial envolve um dos maiores contratos comerciais já anunciados pelo clube. Em fevereiro de 2025, o Esmeraldino firmou um contrato de dois anos com a Viva Sorte Bet, que passou a ocupar a principal propriedade comercial da camisa. O acordo, anunciado como o maior patrocínio da história do clube, tinha previsão inicial de vigência até o fim de 2026.
Ao ser firmado em 25, segundo informações do repórter André Rodrigues da rádio BandNews, o contrato do Goiás com a Viva Sorte Bet previa uma arrecadação a partir de R$ 8 milhões, podendo chegar a R$ 11 milhões se algumas metas esportivas fossem cumpridas. Entre os objetivos, constavam: a conquista do campeonato estadual, a conquista da Copa Verde e o acesso para a Série A do Brasileirão.
Já em 2026, o Viva Sorte Bet resolveu se retirar dos patrocínios master do futebol brasileiro. O Goiás foi o único clube que manteve a parceria com a empresa, aguardando o término de contrato previsto para o final deste ano.

O balanço divulgado pelo clube esmeraldino não é esclarecedor. Nos números divulgados, não é informado o valor isolado gerado por patrocínios. A receita de referência é classificada como “Patrocínio/bilheteria/Sócio Torcedor/Outras”, ou seja, diversas receitas diferentes em uma só. Para essa rubrica, o valor divulgado em 2025 é de R$ 19,63 milhões. Caso os valores divulgados estejam corretos, o contrato da Vila Sorte Bet equivaleria a 40,8% de toda a rubrica que reúne patrocínios, bilheteria, sócio-torcedor e outras receitas do Goiás em 2025.
Os números, no entanto, são apenas uma base de referência para entender um possível impacto para o próximo ano fiscal do clube. Acordos deverão ser feitos entre empresa e clube para estimar uma rescisão contratual entre as partes e, independente do resultado destas conversas, provavelmente os valores não representarão a não arrecadação total do que já estava estimado.
Para somar a situação, como mencionado pelo colunista do Tribuna do Planalto, Herivelto Nunes, o Goiás possui um déficit de R$ 98 milhões nas contas e não tem mais perspectiva de subir para a elite do futebol brasileiro.

Vila Nova pode ter impacto de até 40% da receita
O Vila Nova também é patrocinado por uma casa de apostas. Em fevereiro de 2025, o clube anunciou a GingaBet como patrocinadora máster em um contrato de 12 meses. Na ocasião, a parceria foi apresentada como o maior patrocínio da história do Vila Nova, com valor estimado em aproximadamente R$ 5 milhões. Entretanto, a parceria não foi renovada em 2026 e o clube acabou fechando com a Bet Dá Sorte como sua nova patrocinadora master.
Ao contrário do que aconteceu no anuncio da patrocinadora master de 2025, o Vila Nova não fez grandes cerimônias para anunciar a Bet Dá Sorte em 18 de março deste ano, quando o clube anunciou a parceria via Instagram. Assim sendo, não há registros de valores contratuais ou sequer um percentual de quanto o patrocínio da Bet Dá Sorte representa na receita vilanovense.
O VP do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, afirmou que o fim das receitas provenientes das empresas de apostas poderia representar uma redução de 30% a 40% da receita do Vila Nova. Segundo o dirigente, a perda poderia inclusive comprometer o fluxo financeiro do clube e provocar dificuldades para o pagamento de salários. Para méritos de comparação, em 2025, a GingaBet teria representado aproximadamente 63% de toda a receita de patrocínios do Vila Nova ao considerarmos o contrato de R$ 5 milhões divulgados na imprensa.
Consternado pela MP, Hugo Bravo chamou Lula de “lambão” e disse que possivelmente o clube vai atrasar salários. Com bom desempenho na Série B, o Vila Nova é o clube goiano com mais chances de acesso à elite do futebol brasileiro.














