Candidato do PL disse no Jornal Nacional que vai decretar a entrada do Brasil na aliança militar liderada por Trump; proposta prevê compartilhamento de inteligência e intervenção direta dos EUA na região
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a prometer, nesta sexta-feira (16), que vai decretar a adesão do Brasil ao Escudo das Américas caso seja eleito. A declaração foi dada durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo. O projeto é liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo o candidato, a entrada na aliança permitiria ao Brasil trocar informações de inteligência com os demais países membros. O objetivo, afirmou, seria combater o que chamou de terrorismo na Tríplice Fronteira, na região de Foz do Iguaçu. Ele não apresentou exemplos concretos de atividades terroristas no município paranaense.
A fala repete uma promessa feita no início de outubro, durante conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella. Na ocasião, Flávio já havia defendido a inclusão do Brasil na coalizão militar.
O que é o Escudo das Américas
O Escudo das Américas é uma aliança de segurança lançada por Trump em março de 2026, durante uma cúpula em Doral, na Flórida. O grupo reúne os Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru.
O acordo prevê cooperação em inteligência, treinamento de agentes e coordenação de operações contra organizações criminosas. O texto também permite o deslocamento de tropas militares americanas para os países membros, além de sanções financeiras e restrição de vistos a integrantes de facções.
Em setembro, os países da coalizão assinaram uma declaração conjunta que classificou 24 grupos criminosos da região como organizações narcoterroristas. A lista inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Narcoterrorismo e Forças Armadas
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também prometeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. “Eu vou declarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações narcoterroristas, que é o que eles são”, afirmou.
O candidato disse ainda que, se eleito, vai convocar os comandantes das três Forças Armadas e os chefes das polícias estaduais para uma ofensiva contra o narcotráfico a partir de janeiro de 2027. Ele prometeu enviar uma tropa de elite da Marinha ao Porto de Santos e reforçar a presença militar na Amazônia e na fronteira com a Bolívia.
Reação do governo Lula
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, criticou a proposta. Em entrevista à Tutaméia TV, ele afirmou que o Escudo das Américas representa um “cerco ao Brasil” baseado em um argumento falso.
“Essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil num cerco, cercado com base num argumento falso que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, disse Amorim.
O governo brasileiro se opõe à classificação das facções como organizações terroristas internacionais. A avaliação é que a medida pode abrir caminho para ações americanas em território nacional e sanções contra empresas brasileiras. Brasil e México permanecem fora da aliança.
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