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Fred Rodrigues: ‘Gustavo Gayer pode não ser candidato, tanto que fez questão de colocar um vice para caso isso aconteça’

Ex-deputado estadual salienta que qualquer desistência não passa de especulação


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 16/06/2024 - 08:22

Fred Rodrigues, ex-deputado estadual (Foto: Alego)

Fred Rodrigues afirma que a desistência de Gayer da candidatura a prefeito de Goiânia não passa de especulação, mas por outro lado ele disse que pode acontecer e que por isso ele foi escolhido para vice: um político que divide com o deputado federal do PL os mesmo valores e princípios.

O deputado estadual cassado diz que a chapa do PL não vai contar apenas com o apoio do eleitor de direita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que terá  um programa cuja prioridade será o atendimento á saúde. Ele descarta aliança com o PSD e acredita que estará com Ronaldo Caiado num eventual segundo turno.

O PL pretende trazer a polarização nacional para as eleições municipais? 

A princípio, eu não acho a polarização ruim, porque o contrário de polarização é pensamento único, e pensamento único só tem em ditaduras. Eu acho a polarização algo muito bom, porque quer dizer que está tendo um debate, que há posições antagônicas e que parte da população se identifica com uma e outra parte com outra. Não é nem questão do PL querer ou não trazer, o próprio goianiense, assim como o povo de Goiás em geral, pede esse posicionamento hoje. Acabou aquela época do político escorregadio, do político ensaboado, que não defende seus valores, que não sabe o que defende. Antes do PL trazer, a população já pede. Não significa que seja o critério principal de decisão, mas acho que a população vai pedir posicionamento, vai querer saber o que você estava fazendo no verão passado, nos verões passados, e o PL simplesmente tem uma resposta muito boa, uma resposta muito eficaz, porque nunca nos furtamos ao debate ideológico, mas também vamos apresentar o melhor plano de governo para esta cidade. O debate ideológico vai existir, temos total noção de como o goiânia e o goianiense veem a direita, enxergam a esquerda, não é à toa que o pessoal da esquerda, de certa forma, quer esconder o PT, quer esconder o presidente Lula; até hoje não vi nenhuma indicação de participação do Lula em Goiás ou em Goiânia. Entendemos muito bem como o goianiense está está qualificado politicamente para entender que a questão ideológica, apesar de não ser a principal, é sim necessária.

A direita, em Goiânia, se dividiu em pelo menos duas candidaturas, se considerarmos Vanderlan Cardoso de centro. O que o PL espera desse cenário?

Temos que voltar um pouquinho para a questão ideológica, porque ela é importante, porque tem que ver qual que é a percepção que os eleitores goianienses e goianos em geral têm do que vem a ser direita. Eu não quero ficar aqui determinando: você é direita ou você não é, mas o eleitor vai fazer isso. Gustavo Gayer aparece em primeiro lugar na pesquisa, ainda que durante muito tempo, boa parte da imprensa e boa parte dos adversários políticos têm o tratado como extremista, como radical, como candidato de nicho, hoje ele está, em boa parte das pesquisas, em primeiro ou entre os três primeiros, prova que não é nada disso. E a rejeição dele é baixíssima, em torno de 7%, enquanto a da Adriana (Accorsi) é de 17%; Adriana, que teoricamente estaria polarizada com ele pelo PT. Quando olhamos essa questão ideológica, acho que o eleitor entendeu muito bem quem é o candidato que ele escolheu como sendo da direita. Eu, sinceramente, não vejo o Sandro Mabel como sendo um candidato da direita, eu não vejo Vanderlan (Cardoso) como sendo candidato da direita. Eles têm todo o direito de expor seu programa político da forma como eles quiserem, mas eu não vejo isso e se eu pessoalmente não vejo isso, pelo que as pesquisas mostram os goianienses também não vêem isso. A candidatura da direita, que tem brigado contra os desmandos do PT, que vota sistematicamente contra o PT, se indigna com o processo e inquérito ilegais abertos pelos ministros do STF e é cassado – assim como eu fui cassado em plenário virtual. Acho que fui o primeiro deputado da história a ser cassado em plenário virtual, com decisões no TRE sendo revertidas em plenário virtual. A direita se construiu muito mais num conjunto de atuações nos últimos cinco anos do que simplesmente em uma localização partidária. Não tem como o candidato chegar agora e falar: eu sempre lutei pela direita, eu sou de direita porque estou em tal partido. O que ele fez nos últimos cinco anos, e graças a Deus, tanto eu quanto o Gustavo Gayer temos muita coisa para mostrar, temos o apoio de figuras políticas da direita e o goianiense já percebeu isso. Não há esse racha na direita. Tem se falado que a direita tem que entrar em sintonia, tem que fazer uma coligação, tem que estar em harmonia; eu acho que a direita está em harmonia com quem interessa, principalmente, que é o eleitorado e com outros partidos políticos que vimos que se se posicionou junto com o que a direita sempre defendeu. O Estado de Goiás é tido como conservador, uma pesquisa recente mostrou que Goiânia é a capital mais bolsonarista do país e eu entendo que todos queiram buscar esse apoio da direita, mas é o goianiense que vai decidir, e vai decidir isso analisando o que essa pessoa estava fazendo nos últimos 6, 5, 8 anos.

No primeiro turno da eleição passada, Jair Bolsonaro teve 56% dos votos em Goiânia; hoje a intenção de votos em Gustavo Gayer varia na casa dos 20%. Essa diferença mostra que Gayer ainda não está totalmente identificado com Bolsonaro?

Pesquisas mostram que só pelo fato de um candidato ser indicado pelo presidente Bolsonaro 47% dos eleitores goianienses votariam nele, só por ser indicado por Bolsonaro. Quando se faz essa pergunta para Lula, mais de 60%  dizem que não. O que está acontecendo, na minha opinião,é que o Gustavo continua trabalhando e, como várias vezes ele já disse, como deputado federal,  que é pelo que ele recebe salário e pelo que ele foi eleito. A conjuntura do país, a dinâmica política do país de polarização exige que ele exerça seu trabalho de deputado federal. Eu até assumi como pré-candidato a vice para poder fazer essa dinâmica de reuniões aqui em Goiânia. Eu assumo a agenda durante a semana e Gustavo pega as reuniões de quinta e sexta. Com o arrefecimento dos trabalhos no Congresso, que é natural em ano de eleição, ele vai passar a  focar aqui e passar a fazer campanha aqui. E até o momento, Bolsonaro ainda não se posicionou publicamente e ostensivamente; publicamente até se posicionou, mas em pequenas entrevistas. A partir do momento que isso for feito nas redes do Bolsonaro, com o apoio do ex-presidente, as pessoas vão entender que o pré-candidato natural é o nosso grupo, o grupo da direita e do Gustavo Gayer e Fred Rodrigues; e acho que essa perspectiva de porcentagem vai aumentar. Acho que é simplesmente uma questão de conjuntura e de falta de entrada definitiva na campanha por conta da dinâmica do Congresso. Outros candidatos já estão mais atuantes, o próprio Mabel está muito atuante, até porque não tem um cargo para representar O cargo de deputado federal impede que Gayer entre 100% da campanha, mas a partir deste mês em diante já vamos ver uma mudança grande nisso aí.

O PL até agora está com chapa pura. É uma estratégia ou falta de alternativa de aliança?

Política é estratégia, não tem nada que se faça política que não seja uma estratégia. Seria muito amadorismo não programar a estratégia disso, que nada mais é do que uma percepção que temos que o eleitor, principalmente,o  goianiense, está completamente traumatizado com a questão do vice. Nós temos as duas maiores cidades de Goiás sendo governadas por vices nesse momento, e em nenhuma delas os vices têm perspectiva boa para a reeleição. Nós entendemos isso muito bem. Eu vim para o PL para ser pré-candidato a vereador, e o Gustavo fez esse convite, junto com outras lideranças nacionais porque entenderam: há muita perseguição em cima de mim, a política é muito incerta, e precisamos apresentar para a cidade de Goiânia um vice que esteja completamente alinhado com o que defendemos. Ao contrário de outros candidatos que até agora estão falando em fazer pesquisa para ver o que o goianiense está esperando de um vice. São coisas completamente desalinhadas, às vezes até do plano de governo titular. O vice de Goiânia não tem nada de alinhamento com o titular que o colocou lá. Não queríamos passar esse risco, não queremos fazer do goianiense uma vítima de estelionato eleitoral pela segunda vez.O vice tem que estar preparado para assumir todas as funções, os valores, os princípios e a posição ideológica de governo do titular amanhã, se o titular vier a faltar. É isso que estamos oferecendo e tivemos uma recepção muito boa, principalmente do pessoal que poderia reclamar que seria a nossa militância mais aguerrida, mas todos acharam muito boa a nossa decisão. Não é uma questão de não querer compor, não é uma questão de achar que somos auto suficiente. Nós todos estamos abertos a compor e trazer boas ideias para o nosso plano de governo. O que sempre deixamos claro é que não há contrapartida. Não tem como alguém chegar e dizer: vou indicar seu vice e você me dá isso; vou te apoiar e você me dá isso. Isso não vai funcionar aqui, não é assim que vamos fazer. Agora, se chega: olha esse plano que eu elaborei para Goiânia, mas estou vendo que vocês têm mais chance e quero ajudar vocês com ele. Por favor, caminhe com a gente. Ah, eu quero 30 cargos de tal lugar. Então você está fora e pode levar seu plano com você. É assim que vai funcionar e acho que, graças a Deus, até hoje as pessoas que vieram conversar tem entendido muito bem e querem fazer parte do nosso projeto, não para ganhar cargo, mas para poder somar e construir uma Goiânia melhor.

Ainda há possibilidade de aliança com o União Brasil ou até mesmo com o PSD?

Com o PSD é muito difícil, o PSD é um partido muito alinhado com o PT. Tem a questão com o (senador) Rodrigo Pacheco, nos posicionamos de forma veemente contra a reeleição dele para presidência do Congresso; o Gilberto Kassab não é uma pessoa de quem o PL é alinhado e o senador Vanderlan escolheu um posicionamento que não é o de andar com o PL. Então, essa aliança com  o PSD, neste momento, está completamente descartada. Claro que para nós da direita, a prioridade, e esse é o nosso posicionamento municipal, é evitar que o PT repita em Goiânia a destruição cultural, social e econômica que o PT está fazendo no Brasil, mas objetivamente, em questão de alianças, eu não vejo, pelo menos no primeiro turno, uma aliança com o PSD, até porque eles também, então apresentando seu próprio projeto. Sobre o União Brasil, eu nem falo União Brasil, eu falo mais do governador Caiado, porque o União Brasil está na base do governo, mas o governador Caiado, não. Hoje o grande nome do União Brasil no Estado de Goiás é o governador Caiado, mas ele achou melhor lançar o seu próprio projeto. Não tivemos essa conversa, pelo menos não uma conversa frutífera de gerar um apoio ao PL. Ele tem direito de lançar o projeto dele, eu sempre o elogiei, principalmente na segurança pública; enquanto deputado independente, votei na maioria dos projetos do governo, se eu não me engano, votei contra o aumento do ICMS e a reforma administrativa, que por padrão eu nunca voto a favor de aumento de impostos, mas no restante, todos os projetos eu votei com ele. Reconheço o mérito dele, mas nesse momento também no primeiro turno, eu não vejo as portas 100% abertas para caminharmos junto; num eventual segundo acho que há muito alinhamento, principalmente porque tanto o governador Caiado quanto o presidente Bolsonaro já mostraram que, na minha opinião, são até amigos pessoais, mas na política, obviamente, não é só a questão pessoal. Nós olhamos também a questão política partidária, correligionários e há outros projetos a serem atendidos. O Mabel deve caminhar no projeto dele agora e nós vamos caminhar no nosso separado. Mas a grande pergunta que muitas pessoas fazem é sobre a possibilidade do PL abandonar o primeiro lugar nas pesquisas para ser vice no projeto Mabel. Não há. A direita vai ter candidatura em Goiânia e, principalmente, a direita apoiada pelo ex-presidente Bolsonaro vai ter candidatura própria em Goiânia. Isso é o que já está batido o martelo. 

Mas o candidato pode não ser o Gayer, pode ser o senhor?

É difícil falar assim, porque sempre vêm as especulações. Eu gosto de responder às perguntas da imprensa, mas a especulação parece que sempre vem para a nossa chapa. Tem gente que fala que o Vanderlan não vem porque ele pegou carinho por Senador Canedo; tem gente que fala que o Mabel não vem porque não há perspectiva dele crescer nas pesquisas; tem gente que fala que a Adriana não vai ter coragem de trazer o Lula aqui, e eu acredito nisso, que ela não vai ter coragem de trazer o Lula aqui. Mas a especulação sempre vem na nossa chapa: o Gustavo não vem, então será você. Tudo o que eu falei pode acontecer e esse de cá também pode acontecer, mas não é nada fora da especulação. Tanto que Gustavo fez questão de colocar um vice justamente para caso isso aconteça, mas eu espero que não, eu espero que ele seja nosso prefeito e fiquemos quatro anos trabalhando, como já trabalhamos juntos há 4 anos e tivemos, graças a Deus, muito sucesso; muitas derrotas também, mas muito sucesso. Nesse momento e por todo o combinado, o arranjo político agora é Gustavo Gayer pré-candidato a prefeito e Fred Rodrigues, vice. É assim que nós estamos e trabalhamos nesse sentido. 

A campanha vai ser focada em rede social ou no corpo a corpo? 

As duas. Uma coisa é a eleição de federal e estadual para entrar no Legislativo; não é uma eleição majoritária, e talvez você pode determinar um foco maior nas redes sociais. Foi o que nós fizemos e, graças a Deus, tivemos uma comunicação muito eficaz com o eleitorado, inclusive foram as duas campanhas mais baratas. Gastamos menos de R$ 1 por voto. Alguns dos políticos eleitos gastaram R$ 80 por voto. Gastamos de R$ 1, sem utilizar o fundão eleitoral, sem utilizar recurso público, simplesmente as doações privadas de pessoas que acreditaram em nós, que também foi uma doação em montante, muito pouco. Não queremos ter foco, porque às vezes as redes sociais já alcançam, mas queremos  falar com aquela pessoa que está lá na ponta. Às vezes essa pessoa gosta do Bolsonaro, ela é de direita, mas só isso não resolve. Ela não está sendo atendida no Cais, o filho dela está sem vaga;  vamos chegar lá e oferecer a ela só o fato dela gostar do Bolsonaro? Claro que. Vamos oferecer um projeto real, um projeto de resgate, de revolução da cidade aos goianienses e aos servidores públicos. Conheço muito servidor público que quer trabalhar, quer melhorar, mas às vezes ele é impedido por uma indicação política que atrapalha a área dele. É isso que vamos acabar. Vamos trabalhar nas duas frentes, sem esquecer das  redes sociais, esse é o nosso canal oficial de comunicação, é onde conseguimos comunicar diretamente com o eleitorado, mas obviamente, trabalho corpo a corpo, visitas, como já estamos fazendo, para conhecer os problemas e levar para aquela pessoa que está ali sofrendo, que está passando fome e está com desesperança algo mais do que só dizer que somos os pré-candidatos do Bolsonaro. Não é assim que vai funcionar , vamos concretizar a proposta que tanto falamos para a vida daquela pessoa.

Gustavo Gayer já foi denunciado formalmente e informalmente por divulgar fake news. Esse histórico dele, considerando que a campanha terá foco também nas redes sociais, pode ter algum impacto negativo na campanha?

Aí vamos para um escopo um pouco maior para definir o que vem a ser fake news. A própria imprensa erra, muitas vezes. A famosa errata que a imprensa publica. Lembro de uma manchete recente, na qual patriotas estavam fazendo juramento à bandeira com as mãos estendidas, assim como todo mundo que serviu o exército ou foi dispensado do exército sabe que tem que fazer o juramento à bandeira com a mão estendida, e disseram que esse patriota estava fazendo uma saudação nazista. A imprensa falou isso e alguns publicaram uma errata, outros não, e ficou por isso mesmo; não foram acusados de fake news. Quando entregamos o título de cidadão goiano a Bolsonaro, em agosto do ano passado, na Assembleia Legislativa literalmente não cabia mais gente, não cabia mais gente o Plenário, nem no auditório Carlos Vieira, e o saguão também estava lotado, como dezenas de presentes, mostraram; o Metrópole fez uma matéria falando em ato esvaziado, o ex-presidente Bolsonaro recebe homenagem em Goiânia. Depois que eles sofreram correção no (antigo) Twitter pelas notas da comunidade do Twitter, eles apagaram a matéria sem fazer a errata, simplesmente subiram uma matéria nova, falando: em evento lotado, Bolsonaro é homenageado em Goiânia. Quando tentamos entender o que é fake news temos que entender se não é, na verdade, uma tentativa de alguns grupos de controlar o acesso à informação. E basicamente é isso que tem sido feito com Gustavo Gayer. Quando soltaram aquela fake news de que o Google havia o denunciado como a segunda pessoa que mais arrecadou com fake news, isso foi divulgado por boa parte da imprensa, a nacional inclusive, que ele perdia para Alexandre Garcia, em nenhum momento o Google utilizou a palavra fake news, até porque se você divulga fake news, eles derrubam seu canal e Gustavo gayer tem um canal ativo até hoje. Aquilo foi foi um pedido do é STF ou do TSE, se eu não me engano, para que o Google divulgasse quais pessoas haviam feito e ganhado – você monetiza por causa dos anúncios, como qualquer empreendimento privado – e recebido mais dinheiro de anúncios em vídeos com as seguintes temáticas, aí o tribunal determinou quais as temáticas. O Google respondeu: com essas temáticas tal e tal pessoa, fizeram tantos vídeos e arrecadaram tanto. Em nenhum momento o Google falou em fake news, porque se o Google tivesse encarado aquilo como fake news teria que derrubar o canal do Gustavo Gayer. Fake news nada mais foi do que as pessoas que estavam investigando, determinando que aquilo era fake.Nós somos fortes nas redes sociais e só somos fortes num ambiente onde você pode automaticamente verificar uma informação se é verdadeiro ou não, porque nós temos um histórico de trazer informações verdadeiras. Vez ou outra o Gustavo errou, mas a imprensa errou, como professor errou, como político já errou. Agora, determinar que é um espalhador, um propagador de fake news, como tem tentado ser feito, eu acho que não colou, tanto a rejeição baixa dele como a boa posição nas pesquisas mostra isso.

O senhor também concorda que fake news não deve ser criminalizada?

Eu sou a favor de uma regulação das redes sociais, e é muito importante deixar a diferenciação, que incentive a propagação de mais informação. Se uma fake news é cometida, ela tem que ser combatida com informações corretas e não com a censura, principalmente com a censura prévia, porque se você autoriza a criminalização das fake news, você está à mercê das pessoas que estão definindo o que é fake news. E eu acabei de citar exemplos de fake news que não foram tratadas como fake news e verdades que foram tratados como fake news. Não vamos criar um tribunal da verdade, como muitos querem fazer, como o governo federal quer fazer, um órgão estatal que define o que é fake news e o que não é, e pede para retirar; se não vamos fazer isso, se as pessoas democráticas não querem fazer isso, então não há como criminalizar fake news porque não se criminaliza o que não pode se definir, essa é a base do nosso ordenamento jurídico e do nosso sistema penal. A regulação da rede eu sou a favor que, por exemplo, uma rede social seja obrigada a te informar porque está derrubando seu perfil, que ela seja obrigada a informar porque  derrubou o vídeo; porque hoje ela só derruba e fala: você ofendeu os termos de usuário. Qual termo de usuário? Ela não fala. Eu sou a favor da regulação para manter a informação. É diferente da regulação que a esquerda defende no PL 2630, que eles falam que o PL das Fake news, mas na verdade é o PL da censura,que não faz com que a empresa tenha essa responsabilidade, ao contrário, ela torna a empresa privada, as big techs, uma parceira do governo na censura. Isso nós não podemos ser a favor, porque eu quero que as pessoas falam, eu quero a imprensa falando. A imprensa mentiu sobre o nosso evento do Bolsonaro, eu não peço a censura, eu peço uma retratação. Eu prefiro uma imprensa errada, do que calada; assim como eu prefiro qualquer cidadão brasileiro, eu prefiro você errado do que calado. Se você exagerou, se você transgrediu, já há mecanismos para que você seja punido, já há calúnia, injúria e difamação. Agora, silenciar uma pessoa, estabelecer a censura prévia, como o TSE fez com o documentário da Brasil Paralelo, que os ministros não assistiram, mas por ser um documentário que tratava da facada ao Jair Bolsonaro, eles decidiram retirar até as eleições. Isso não é democracia. Isso é o que boa parte da imprensa reclamou durante a ditadura militar. Por que aceitam isso agora? Essa parte da empresa não está lutando por liberdade, lutando para ter o monopólio de quem vai ser censurado. Isso a gente não pode admitir. Eu sou a favor da liberdade, eu sou a favor de que a informação tem que ser distribuída e não censurada. 

Como que vê o fato de Gustavo Gayer responder a imprensa com receita de bolo?

Eu tenho posições diferentes, geralmente falo com a imprensa, mas eu também nunca sofri o que ele sofreu, uma pessoa que já foi perseguida com várias mentiras. Antes que eu possa julgar por que ele faz isso, há um histórico de agressividade ou pelo menos de falta de sensibilidade com a verdade na hora de lidar com o nome dele. Eu entendo perfeitamente porque ele toma esse expediente, mas ele já avisou que obviamente um cargo executivo é diferente de um cargo legislativo; no cargo executivo temos obrigação de prestar contas diariamente à população. Faremos isso não só através das redes sociais, mas também através da imprensa. 

Qual é o perfil do eleitor que apoia o PL em Goiânia?

Eu creio que é muito parecido com o eleitor do goiano em geral, uma pessoa que quer uma gestão eficaz da máquina pública, que seus impostos sejam respeitados e que, quando o gestor não conseguir entregar o que prometeu, ele não aumente impostos e seja mais eficaz naquilo que se propôs a fazer; porque se for para aumentar impostos, qualquer um pode ser gestor. Sempre que não conseguir fazer algo com o dinheiro que já tirou da população ao invés de ser mais eficaz com o dinheiro que eu já tirei da população, aumenta impostos e tira ainda mais dinheiro da população. Com recurso infinito, todo mundo é gestor. É uma pessoa que defende a liberdade econômica, quer a liberdade para empreender, algo que temos encontrado muito, não só empresários grandes, mas pequenos empresários, microempresários que geram emprego de verdade na cidade. O estado atrapalha muito, a prefeitura atrapalha muito, é licença, é multa taxa. Antes mesmo de abrir o pequeno negócio, antes mesmo de começar a lucrar, a prefeitura já entrou de sócio. Queremos fazer com que o poder público pare de atrapalhar as pessoas que querem empreender e gerar emprego. O perfil do eleitorado goianiense é muito parecido com o perfil que nós defendemos na direita. Questão de segurança pública, por exemplo. Nós já temos um estado que é muito bom em segurança pública; o governador Ronaldo Caiado, apesar de não ter feito parte da base dele e nem sermos o candidato indicado por ele, eu reconheço o que ele fez na segurança pública, e muito disso ele fez  foi com base no programa de segurança pública do presidente Jair Bolsonaro. É muito parecido, é um cidadão que quer principalmente respeito aos seus impostos, garantia que vai  ser bem atendido na questão de saúde, garantia de que vai ter uma segurança pública eficaz e garantia de que pode empreender, que pode gerar dinheiro, que pode ter sua liberdade sem ser proibido pelo estado, sem o estado  automaticamente começar a ordenhar o cidadão, às vezes sem dar oportunidade da empresa dele crescer. É nesse sentido que vamos trabalhar, modernizar Goiânia. Há muitas coisas que temos a impressão que Goiânia está parada nos anos 80, 90; escutamos muito isso na conversa com a população goianiense e acho que eles estão certos. É necessário uma gestão moderna e que pare de penalizar o cidadão que tenta empreender, que pare de tentar punir o cidadão que busca uma saúde melhor, que dê segurança pública ao cidadão. Ilumine as praças. Temos hoje em dia praças no Centro, no Bueno, que teoricamente seriam as nossas áreas nobres (sem iluminação). Se nem as áreas nobres estão sendo cuidadas, imagine a periferia. Há muita coisa a ser feita e acho que o eleitor goianiense está em muita sintonia com o PL, não por isso a nossa chapa aparece sempre entre os três primeiros lugares da pesquisa.

Gustavo Gayer já tem um programa de governo para Goiânia e quais os principais pontos?

Goiânia é muito dinâmica, tanto a política como Goiânia são muito dinâmicas e a administração também. Temos o plano de governo de 2020 do Gustavo, temos o plano de governo do senador Wilder Morais, que também já foi pré-candidato, e temos um plano de governo em elaboração, neste exato momento, para, antes de tentar dar solução para o problema, entender qual é o problema. Tem muitos políticos já dando a solução, dizendo o que é, mas a própria divulgação de dados pela prefeitura atual é muito nebulosa, não temos certeza de quantas vagas de CMEIs estão faltando, a questão dos atendimentos, como estão os repasses do IMAS. Mas sem dúvida, o principal ponto que vamos focar é na saúde; é a situação mais gritante. Nós temos reuniões diárias com pessoas do setor, com o plano geral de governo e o que temos mais notado é a falta de insumos da saúde, a falta de profissionais da saúde, a fila dos exames laboratoriais, fila dos exames de imagem, a ausência de profissionais, de anestesistas, e vamos trabalhar nisso para resolver. Vai ser o nosso ponto principal, depois entram as questões como trânsito, geração de emprego, pessoal tem reclamado muito das multas, da atuação da Amma e da Comurg. Nessas duas grandes empresas vamos fazer uma gestão de choque,  parar com as indicações políticas para que a empresa volte para a mão do servidor, devolver a dignidade de trabalhar e a possibilidade do cidadão ter a noção de que o dinheiro que ele está pagando de impostos e taxas está sendo respeitado. Mas eu diria que hoje é a questão da saúde; temos Cais que estão sofrendo com falta de insumo, até de agulhas, a mãe leva seu filho para tomar uma injeção no Cais e não tem agulha, ela tem que sair para comprar agulha. E se por um milagre tiver, não é a agulha do calibre correto para uma criança ou para um idoso, que é mais fina. A Prefeitura de Goiânia, através da gerência do sistema de saúde, não está sequer preenchendo as requisições para que o governo federal repasse dos gastos e do orçamento da saúde para Goiânia. Há uma questão de gerenciamento básico de logística que vamos ter que enfrentar já no primeiro dia. É um absurdo que o Cais não tenha um acesso interligado e eficaz com o almoxarifado para poder cumprir imediatamente a falta de insumos daquela unidade. Isso é o básico, mas é o que já identificamos e, sem dúvida, vamos trabalhar forte na área da saúde para que o goianiense volte a ter dignidade na hora do atendimento. 

Jair Bolsonaro vem a Goiás e vai visitar seis cidades. Qual foi o critério de seleção dessas cidades?

Eu e Gustavo Gayer, presidente do diretório municipal, ficamos responsáveis pela organização da visita a Goiânia, e das outras cidades ficou a cargo do presidente estadual, Wilder Morais. Obviamente, Goiânia é uma capital muito grande e organizar um evento com uma personalidade política gigante como é o Bolsonaro, acabamos focando aqui. Mas provavelmente, talvez as cidades mais alinhadas, cidades onde o PL gostaria de mostrar mais força.

Seria onde o PL tem candidatos mais competitivos?

Não necessariamente, apesar de que todos os candidatos das cidades anunciadas são fortes, mas há outras cidades do interior, onde o PL tem condição de levar já no primeiro turno, que infelizmente, desta vez, não serão contempladas. O ex-presidente Bolsonaro é requisitado no país inteiro e, aqui em Goiás, ele se comprometeu a participar de outras cidades, mas ele falou em começar com as primeiras seis para depois ir para as outras. Infelizmente, não tem Bolsonaro para todo mundo que quer, nem aqui em Goiás nem no  Brasil.