O deputado estadual Antônio Gomide voltou a defender, nesta semana, a conclusão e o funcionamento do Aeroporto de Cargas de Anápolis, uma obra considerada estratégica para o desenvolvimento econômico da cidade e de toda a região. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio São Francisco, na segunda-feira (23), em que o parlamentar destacou o potencial logístico do empreendimento e a necessidade de avançar nas etapas finais para sua operação.
Segundo Gomide, o aeroporto foi planejado para integrar diferentes modais de transporte — rodoviário, ferroviário e aéreo — consolidando Anápolis como um dos principais polos logísticos do país. Ele também mencionou que há tratativas em andamento para viabilizar a participação da Infraero na operação do espaço, reforçando a importância de superar entraves pendentes para que o projeto saia do papel.
A cobrança do deputado acontece em meio a um cenário que ainda levanta preocupações. Há cerca de uma semana, o jornal Tribuna do Planalto já havia publicado uma reportagem detalhando a situação do aeroporto, destacando que, mesmo após anos de investimentos públicos, a estrutura segue sem utilização prática.
O empreendimento, iniciado em 2010, foi projetado para impulsionar o transporte de cargas em Goiás e atrair empresas do setor logístico, gerando empregos e fortalecendo a economia local. No entanto, ao longo dos anos, a obra enfrentou paralisações, disputas judiciais e revisões contratuais. Estimativas apontam que os investimentos já ultrapassaram R$ 300 milhões, sem que o aeroporto tenha entrado em operação.
Além disso, problemas ambientais agravaram ainda mais o impasse. Falhas no sistema de drenagem provocaram degradação em uma área de cerca de 160 hectares, com erosões e assoreamento. Para tentar reverter o quadro, o Governo de Goiás iniciou uma obra de recuperação ambiental orçada em R$ 38 milhões, considerada essencial para a regularização da área.
Enquanto isso, a realidade no local evidencia o abandono. Recentemente, moradores registraram motociclistas utilizando a pista para realizar manobras perigosas, o que reforça a falta de controle e segurança em uma estrutura que deveria estar em pleno funcionamento.
Apesar de a Infraero já ter assumido a gestão do sítio aeroportuário e iniciado melhorias no aeroporto civil, a pista destinada ao transporte de cargas ainda não possui homologação e segue sem previsão concreta de operação.
Diante desse cenário, a fala de Gomide reforça a urgência de tirar o projeto do papel e cumprir a promessa de transformar Anápolis em um hub logístico nacional. Passados mais de 15 anos desde o início das obras, o aeroporto de cargas permanece como um símbolo de potencial não concretizado — e de um investimento público que ainda aguarda retorno efetivo para a população.














