Um grupo de mais de 30 pessoas ligadas ao empresário e influenciador Pablo Marçal participou de uma prova de triatlo Ironman 70.3, em Encarnación, no Paraguai, mesmo sem preparo adequado para a etapa de natação. A situação provocou críticas da organização do evento, que precisou ampliar a estrutura de segurança diante das dificuldades apresentadas por diversos competidores.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, na quarta-feira (14), vários participantes demonstraram medo de nadar em águas abertas. O próprio Marçal e a esposa precisaram de auxílio de um jet ski para sair da água, após não conseguirem completar a etapa.
A competição foi realizada no domingo (11), em condições consideradas difíceis devido às chuvas e à forte correnteza do Rio Paraná. O percurso de natação, inicialmente previsto para 1,9 quilômetro, foi reduzido para 1,5 quilômetro por causa das condições climáticas.
Em entrevista ao Metrópoles, o organizador da prova, o triatleta Rodrigo Recalde Larrea, classificou a situação como irresponsável. Segundo ele, a equipe identificou, durante o reconhecimento do percurso, que vários atletas inscritos não demonstravam condições de nadar por um período prolongado em um rio com correnteza.
Diante do risco, a organização acrescentou 15 profissionais à equipe de segurança, que passou a contar com 42 pessoas na etapa de natação, além de contratar dez caiaques extras.
Maioria dos brasileiros eliminados não completou a natação
De acordo com os dados divulgados na reportagem, dos 386 atletas inscritos, 64 ultrapassaram o tempo máximo permitido para a etapa de natação e foram eliminados, entre eles 35 brasileiros. A maioria dos brasileiros desclassificados pertencia ao grupo ligado a Marçal.
O Ironman 70.3 reúne três modalidades: natação, ciclismo e corrida. Após a etapa aquática, os participantes devem percorrer 90 quilômetros de bicicleta e completar uma meia-maratona de 21,1 quilômetros.
O técnico de natação Alex Pussieldi, ouvido pelo Metrópoles, criticou a falta de preparação dos participantes. Segundo ele, provas em águas abertas exigem não apenas condicionamento físico, mas também treinamento técnico e estratégico para lidar com condições imprevisíveis da natureza.
A reportagem também aponta que alguns integrantes do grupo divulgaram nas redes sociais mensagens motivacionais sobre a participação na prova, embora tivessem treinado por poucos dias. Um dos participantes afirmou ter se preparado durante 15 dias e reconheceu que esse período era insuficiente para uma competição desse porte.
Organização avalia possíveis suspensões
Além das dificuldades na água, quatro competidores eliminados teriam se recusado a entregar o chip e abandonar a disputa, conforme determinam as regras da competição. Três deles seriam brasileiros, e pelo menos dois estariam ligados ao grupo de Marçal.
Segundo o organizador, os atletas envolvidos podem sofrer suspensões de dois a quatro anos por conduta antidesportiva. A organização também informou que levou o caso ao Ironman global para discutir medidas que evitem situações semelhantes em futuras competições.
Outro participante citado na reportagem é Wilson Grassi Júnior, candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã. Ele também foi eliminado na etapa de natação, mas continuou a competição. Grassi reconheceu que descumpriu as regras e afirmou que aceitará eventual punição.
Marçal nega ter organizado a participação do grupo
Em posicionamento encaminhado ao Metrópoles, a assessoria de Pablo Marçal negou que ele tenha organizado ou liderado a participação dos integrantes do grupo na prova.
Segundo a equipe, os brasileiros que compareceram ao evento foram por iniciativa própria, realizaram treinamentos individuais e participaram da competição sem orientação ou liderança de Marçal. A assessoria também afirmou não ter conhecimento de desordens ou violações das regras do evento.
Histórico de processo por expor pessoas a risco
A reportagem relembra que Marçal responde a processo relacionado à expedição ao Pico dos Marins, em Piquete (SP), realizada em 2022. Na ocasião, a atividade mobilizou o Corpo de Bombeiros para resgatar 32 pessoas, em uma operação que durou cerca de nove horas.
Conforme o Metrópoles, desde aquele episódio Marçal está proibido de promover atividades externas em locais como montanhas, rios, lagos e mares sem autorização prévia e expressa da Polícia Militar, incluindo o Corpo de Bombeiros, da prefeitura e da Defesa Civil local.
Fonte: reportagem de Demétrio Vecchioli, publicada em 14 de outubro de 2026














