O Ministério Público de Goiás (MPGO) informou que a investigação sobre supostas irregularidades em contratos da Agência Goiana de Habitação (Agehab) aponta para um possível dano de até R$ 80 milhões aos cofres públicos. As apurações integram a Operação Confrades e têm entre os alvos o vice-presidente da agência, Wendel Garcia da Silva.
De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), há indícios da existência de um esquema estruturado de manipulação de contratos, com alterações em planilhas orçamentárias e interferências em editais e normas técnicas. As medidas teriam favorecido construtoras com vínculos com integrantes da própria agência.
As investigações também apontam possíveis interferências em setores técnicos da Agehab, além de relatos de flexibilizações indevidas de regras e eventuais represálias a servidores. Segundo o MPGO, uma empresa que estaria impedida de contratar com o poder público teria ampliado sua participação em contratos firmados a partir de 2024.
A apuração teve início no primeiro semestre de 2025, a partir de denúncias relacionadas à execução do programa habitacional Pra Ter Onde Morar, que utiliza recursos do Fundo de Proteção Social do Estado (Protege Goiás). A operação foi deflagrada com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, além de medidas na sede da Agehab.
Por decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Goiânia, dois integrantes do corpo gestor da agência foram afastados temporariamente de suas funções. O MPGO apura, neste momento, possíveis atos de improbidade administrativa, sem prejuízo de eventual responsabilização na esfera criminal.
Em nota à Tribuna nesta quarta-feira (18), a Agência Goiana de Habitação (Agehab) informou que “a operação não tem relação com a alta gestão da Agência nem prejudica os programas da empresa, segundo o próprio Ministério Público de Goiás (MP-GO)”.
A Agehab também disse que “colabora, prestando todas as informações à Justiça, e todos os autos e processos eletrônicos relacionados foram devidamente acessados e registrados” e que os servidores envolvidos foram demitidos.
A defesa de Wendel informou que ainda não teve acesso ao inquérito.












