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Luis Cesar nacionaliza debate, Wilder reforça discurso da direita e Marconi aposta no legado dos governos

Luis Cesar Bueno, Wilder Morais e Marconi Perillo participaram do primeiro bloco do debate ao Governo de Goiás promovido pela TV Sucesso/Band Goiás


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 09/08/2026 - 20:57

Debate Tv Sucesso/ Band

O primeiro bloco do debate promovido pela TV Sucesso/Band Goiás deixou mais claras as estratégias políticas adotadas pelos candidatos ao Governo de Goiás. Luis Cesar Bueno (PT) buscou aproximar a disputa estadual de temas e posições defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Wilder Morais (PL) reforçou as credenciais da direita e incorporou ao discurso pautas defendidas pelo bolsonarismo, enquanto Marconi Perillo (PSDB) recorreu aos resultados de seus governos para sustentar propostas e comparações com a atual gestão.

Além das respostas aos temas apresentados pela organização, Marconi manteve a ausência do governador Daniel Vilela (MDB) como um dos alvos de suas intervenções. O tucano voltou ao assunto antes de responder às perguntas que recebeu, enquanto Wilder e Luis Cesar concentraram a maior parte do tempo nos assuntos apresentados no bloco.

Em relação à ausência de Daniel, foi lida resposta enviada à emissora. “A coligação Pra Goiás Seguir em Frente agradece à TV Sucesso/Band Goiás e à Rádio Sucesso FM pelo convite para participação do governador e candidato à reeleição Daniel Vilela, do MDB, no debate promovido pelas emissoras. Em razão de compromisso anteriormente agendado, o candidato não poderá comparecer ao debate neste domingo”, informou a coligação.

Luis Cesar associa desenvolvimento de Goiás à agenda nacional

Luis Cesar Bueno manteve no primeiro bloco a estratégia apresentada desde sua fala inicial, de aproximar sua candidatura do governo Lula e inserir questões estaduais em discussões nacionais.

Ao ser questionado sobre o potencial das terras raras de Goiás e a necessidade de evitar que o estado se transforme apenas em exportador de matéria-prima, o petista defendeu a industrialização e a agregação de valor aos minerais extraídos em território goiano.

“Nós estamos diante de um tema que será responsável pela riqueza e pelo futuro do nosso estado nas próximas gerações. Primeiro, é importante ressaltar que nós vivemos um processo de transição do combustível fóssil, do diesel, da gasolina, para o veículo elétrico. As nossas ruas, de um berço de ouro, ou seja, uma grande potencialidade econômica. O que nós temos que fazer nesse momento agora é fazer um processo de exploração das terras raras, atraindo as indústrias internacionais, as indústrias locais e fazer com que o Estado não seja apenas o exportador de minério, mas também o Estado que venha a industrializar as nossas terras raras.”

Bueno também utilizou a resposta para criticar a condução do tema pelo atual governo e voltou a trazer para o debate estadual a relação com o governo federal.

“Agora, eu fico muito preocupado de um candidato a governador ter entregado uma parte das terras raras aos Estados Unidos sem aval da União. Ele não está aqui para debater. Como ele ousa fazer uma concessão de uma parte das terras raras de Goiás para o governo Donald Trump, entregar para os Estados Unidos sem ouvir a União, que é quem realmente é detentora de todo o patrimônio, de toda a concessão das terras raras? Um verdadeiro abuso, totalmente desqualificado juridicamente, que é um processo que não prosperará. Mas eu quero aqui dizer que eu acredito no potencial de Goiás. Nós devemos fazer uma parceria.”

O petista também foi questionado no primeiro bloco sobre enfrentamento às mudanças climáticas. A resposta reforçou a presença de temas ambientais na participação de Bueno, mas a íntegra dessa fala não consta na transcrição disponibilizada para esta cobertura.

Wilder leva pauta da direita para segurança e discurso de gestão

Wilder Morais utilizou suas respostas para combinar dois eixos que já haviam aparecido em sua apresentação inicial. De um lado, a identificação com a direita e com bandeiras nacionais do PL. De outro, a tentativa de construir uma imagem de gestor familiarizado com números, orçamento e atividade produtiva.

Questionado sobre segurança pública e combate ao tráfico de drogas, Wilder adotou um discurso de endurecimento contra organizações criminosas e fez referência expressa à posição defendida pela direita.

“Vamos tratar essa pauta como o nosso partido e como nós, da direita, defendemos. Nós vamos tratar todo o PCC e todos os traficantes como terroristas aqui no nosso país. Então, para se combater a droga, primeiro é sempre combater aquele que fornece a droga para o nosso país. E hoje nós temos as fronteiras do nosso Brasil, praticamente 7 mil quilômetros, abertas, em que droga e arma entram naturalmente no nosso país. Então, nós precisamos fazer com que, aqui no Estado de Goiás, a gente possa reforçar cada vez mais o policiamento e que façamos acompanhamento de toda entrada de droga no nosso Estado de Goiás.”

Na pergunta seguinte, sobre criação de empregos, o senador mudou o foco para economia, inovação, situação fiscal do Estado, industrialização e formação profissional.

“O Estado de Goiás é o décimo quarto em inovação. Para que a nossa economia possa crescer, para o Estado poder gerar riqueza, nós precisamos incentivar o crescimento do nosso Estado de Goiás. Mas, para você ter uma ideia, o ano que vem nós temos um orçamento previsto de 54 bilhões de reais. No orçamento deste ano, já vamos chegar com a dívida de quase 500 milhões de reais.”

Wilder defendeu a utilização de instrumentos de incentivo à produção e relacionou crescimento econômico à capacidade de financiamento dos serviços públicos.

“Nós vamos ter que usar todas as ferramentas possíveis para que a gente possa incentivar o produtor do nosso Estado de Goiás a produzir mais, industrializar o nosso Estado de Goiás, gerar emprego e renda, formação de mão de obra qualificada em todas as áreas, para que nós possamos cada vez mais aumentar a nossa rentabilidade. Porque, com os recursos que temos hoje, possivelmente não vamos dar conta de atender nenhum desenvolvimento no Estado de Goiás. A educação, a despesa que temos hoje já está no limite. Nós precisamos melhorar a qualidade do professor, fazer com que as filas da saúde diminuam.”

Marconi recorre a ações dos próprios governos e mantém ataques a Daniel

Marconi Perillo fez do histórico de suas administrações o principal argumento para responder aos temas apresentados no primeiro bloco. O ex-governador citou programas, investimentos e decisões tomadas durante seus mandatos para defender que possui experiência para enfrentar os problemas atuais.

Antes de responder sobre o subsídio ao transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, porém, Marconi voltou a direcionar críticas a Daniel Vilela.

“Eu queria voltar mais uma vez ao candidato fujão. O pior do que correr do debate é desrespeitar o telespectador, o internauta e a sociedade goiana, o eleitor goiano. Ele já se considera eleito?”, questionou os internautas chamando-os para suas redes sociais.

Ao tratar do transporte coletivo, Marconi lembrou a tarifa do Eixo Anhanguera durante seu governo e defendeu a ampliação da política de subsídios.

“O transporte coletivo, na minha época, era 50 centavos a tarifa do Eixo Anhanguera. Estendemos o Eixo Anhanguera até Senador Canedo, Goianira e Trindade. E agora nós vamos ter que avançar nessa política de subsídios, melhorando a qualidade do transporte, mas avançando no sentido de ajudar as pessoas trabalhadoras que precisam de um transporte eficiente, de um transporte de qualidade, mas de um transporte barato, acessível. As pessoas, quando economizam um pouquinho no transporte, isso sobra para as compras, roupa para os filhos, material escolar, comida para sua casa.”

Na segunda pergunta, sobre mortes decorrentes de intervenção policial, Marconi novamente começou a resposta mencionando a ausência de Daniel e depois recorreu ao histórico de suas gestões na segurança pública.

“Somente na área da Polícia Militar, somente com a Polícia Militar, nós fizemos concursos para mais de 8 mil homens e mulheres. Nós estruturamos as polícias em Goiás. Nós valorizamos para valer, como nunca, as polícias em Goiás. Criamos a Central de Inteligência, Comando e Controle. O que estão falando hoje que estão criando já foi criado lá atrás, durante os nossos governos. Mas valorizamos o policial, que é um dos melhores policiais do Brasil. Eu tenho profundo respeito pela nossa polícia.”

Marconi também citou o Comando de Divisas e afirmou que pretende ampliar o efetivo policial. “A polícia goiana é uma polícia que tem competência mas está completamente desvalorizada, desmotivada, desamparada e, pasme, Joel e telespectadores, você sabia que em seis cidades de Goiás não tem um único policial? Nós vamos precisar trabalhar muito para colocar polícia em todas as cidades. E a primeira providência será concurso público.”

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Redação Tribuna do Planalto

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