A execução orçamentária da Prefeitura de Goiânia no primeiro bimestre de 2026 indica que, apesar do equilíbrio fiscal, o Paço ainda enfrenta o desafio de acelerar o ritmo de investimentos para transformar previsão em entrega concreta. No período, a execução alcançou 9,9% do volume previsto no orçamento, sinalizando que a maior parte dos recursos destinados à melhoria da cidade ainda não se materializou. Do total de cerca de R$ 1,26 bilhão previsto para investimentos no ano, apenas R$ 125,9 milhões foram efetivamente executados até fevereiro.
Ao todo, R$ 309,1 milhões já foram empenhados, o que reflete o avanço da carteira de projetos, que começa a sair do planejamento para a fase de contratação. Esse movimento é resultado da estruturação realizada no ano passado, quando a gestão contratou, por R$ 138 milhões, uma empresa para elaboração de projetos, criando as condições para acelerar licitações e destravar a execução das obras ao longo de 2026.
Esse ritmo ocorre em um contexto de resultado fiscal positivo, sustentado pela diferença entre arrecadação e despesas no início do exercício. A receita municipal somou R$ 2,005 bilhões no bimestre, dentro de um patamar esperado para o período, enquanto as despesas liquidadas alcançaram R$ 1,61 bilhão, gerando superávit de até R$ 466,5 milhões quando considerados os valores pagos.
Esse saldo reflete o equilíbrio das contas e a dificuldade de transformar recursos disponíveis em execução efetiva. Mesmo sob decreto de calamidade financeira, que permite maior flexibilidade nas contratações, a administração ainda enfrenta entraves operacionais e de controle, evidenciados em casos como a contratação de serviços de sinalização viária, barrada pelo TCM-GO.
Na prática, o caixa elevado convive com desafios na contratação e execução de projetos de maior porte, o que, nos bastidores, reforça a avaliação de que será necessário destravar etapas burocráticas e acelerar a execução para que os investimentos cheguem à cidade e contribuam para melhorar a percepção sobre a gestão.
Aplicação constitucional
A execução das despesas obrigatórias mostra o peso dos gastos correntes no orçamento municipal. No primeiro bimestre, as despesas com pessoal e encargos sociais somaram R$ 831,7 milhões liquidados, cerca de 41% de tudo o que foi arrecadado no período, mantendo-se como a principal frente de desembolso da prefeitura.
Já nas áreas com aplicação mínima exigida por lei, os percentuais ainda estão abaixo do que será exigido ao longo do ano. Na saúde, foram aplicados R$ 145,9 milhões com recursos de impostos, o equivalente a 10,67% da base, frente ao mínimo anual de 15%. Na educação, a aplicação chegou a R$ 146,7 milhões, ou 10,73% da base, também distante do mínimo constitucional de 25% neste momento do exercício.
No caso do Fundeb, 62,37% dos recursos foram destinados à remuneração dos profissionais da educação básica, percentual próximo do mínimo de 70%, que tende a ser ajustado ao longo dos próximos meses.
Os números indicam que, no início do ano, a execução dessas despesas ainda está em formação e deve ganhar ritmo ao longo do exercício, acompanhando a evolução do orçamento como um todo.
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