A Justiça de Goiás condenou mais seis integrantes de uma organização criminosa especializada na fabricação e no tráfico interestadual de drogas sintéticas, conhecidas como “rebites”. A decisão é resultado das investigações da Operação Ephedra, conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
As penas aplicadas variam de 9 anos e 5 meses a 21 anos e 2 meses de prisão, todas em regime inicialmente fechado. Além disso, os condenados terão que pagar, de forma conjunta, R$ 50 milhões por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo de Proteção e Defesa do Consumidor de Goiás.
Esquema operava em vários estados
As investigações apontaram que o grupo atuava de forma estruturada e organizada, com divisão de funções entre núcleos de produção, logística, distribuição e lavagem de dinheiro.
A quadrilha produzia comprimidos de substâncias anfetamínicas, como o clobenzorex, em laboratórios clandestinos localizados em Goianira (GO) e Luís Eduardo Magalhães (BA). A produção era feita com o uso de equipamentos como betoneiras e máquinas capazes de fabricar até 6 mil comprimidos por hora.
Para tentar driblar a fiscalização, os criminosos utilizavam embalagens semelhantes às de medicamentos legais, com blisters e marcas falsas, dando aparência regular ao produto.
Caminhoneiros eram principal alvo
De acordo com o MPGO, a droga era distribuída para diversos estados, como Bahia e Pará, tendo como principal público caminhoneiros — que utilizam os chamados “rebites” para permanecer mais tempo acordados durante viagens.
A matéria-prima vinha da região Sul do país e, em alguns casos, era transportada camuflada em cargas, como gesso odontológico. O financiamento do esquema envolvia transferências bancárias e empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos.
Investigação começou após apreensões
A operação teve início após levantamentos da PRF apontarem um alto volume de apreensões de anfetaminas na divisa entre Goiás e Tocantins. Só na região, foram registrados 38 casos, com cerca de 16 mil comprimidos apreendidos.
A partir dos indícios, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) passou a conduzir as investigações, com autorização judicial para interceptações telefônicas, quebra de sigilos e cumprimento de mandados.
Entre os condenados, estão apontados líderes e operadores do esquema. Um dos investigados segue foragido, enquanto outro réu foi absolvido por falta de provas suficientes.
Ao todo, a Operação Ephedra já resultou em mais de 40 pessoas denunciadas, distribuídas em 14 ações penais. Parte dos processos já teve sentença, mas as investigações continuam, incluindo apurações sobre lavagem de dinheiro em processos separados.
O Ministério Público informou que deve recorrer da decisão, por entender que parte dos pedidos não foi totalmente atendida.












