O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), protocolou no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) uma ação penal contra o deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) após provocações proferidas pelo parlamentar durante a sessão solene de retomada dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), realizada na última quarta-feira (18). O prefeito também apresentou representação contra o deputado no Conselho de Ética da Casa.
Na ocasião, Clécio dirigiu-se à mesa de autoridades e chamou o chefe do Executivo de “bandido, malandro, vagabundo e operador de propina”, além de acusá-lo de “matar o povo na saúde e fazer superfaturamento”. A ação, apresentada pelo escritório Crosara e França Advogados, pede condenação pelos crimes de calúnia, difamação e injúria, com eventual indenização destinada a uma entidade beneficente de Goiânia.
A defesa do prefeito sustenta que as declarações extrapolaram os limites da imunidade parlamentar e configuram abuso do mandato. Segundo a petição, o deputado teria utilizado a tribuna como instrumento para atingir a honra pessoal do gestor municipal.
Consulta realizada pela Tribuna do Planalto ao processo indica que, além das peças jurídicas, foram anexadas três reportagens jornalísticas e um vídeo que registra o momento do confronto verbal. Os materiais buscam demonstrar a repercussão pública das declarações e contextualizar o episódio que fundamenta a queixa.
Ao jornal O Popular, Clécio Alves afirmou que não se intimida com a ação e que continuará criticando o prefeito. Segundo o parlamentar, suas declarações são respostas a acusações feitas anteriormente por Mabel em entrevistas e manifestações públicas.
Embates
O novo processo se soma a uma série de embates entre os dois desde o início da atual gestão municipal. Em 12 de janeiro deste ano, a Justiça de Goiás rejeitou uma queixa-crime apresentada por Clécio contra Mabel por declarações nas quais o prefeito afirmou ter cortado “tetas gordas” e um “dinheiro grande” que o deputado supostamente retirava da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
Na decisão, o juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima entendeu que as falas estavam inseridas em um “embate político-institucional” e constituíam críticas de natureza política, sem descrição de fato concreto que configurasse crime contra a honra.
Desde o início do mandato, Clécio tem feito críticas frequentes à gestão municipal, especialmente relacionadas à Comurg e à área da saúde. Mabel afirma que as críticas decorrem da perda de influência política do parlamentar e reage com provocações.















