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TJ-GO rejeita queixa-crime de Clécio contra Mabel por fala sobre “tetas gordas”

Juiz classificou fala do prefeito sobre “dinheiro grande que ele [Clécio] tirava lá da Comurg” como parte de um “embate político-institucional”


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 12/01/2026 - 18:38

Clécio Alves PSDB
Juiz enquadra fala do prefeito sobre “dinheiro grande” na Comurg como crítica política (Foto: Divulgação)

A Justiça de Goiás rejeitou, nesta segunda-feira (12), a queixa-crime apresentada pelo deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) contra o prefeito Sandro Mabel (UB), na qual o parlamentar acusava o chefe do Executivo municipal dos crimes de calúnia e difamação. A decisão foi proferida pelo juiz Luís Henrique Lins Galvão de Lima, da 7ª Vara Criminal, e determinou o arquivamento do processo.

A ação teve origem em declarações feitas por Mabel em entrevistas coletivas no ano passado. Na queixa, Clécio alegava que o prefeito o teria acusado falsamente de se beneficiar de recursos públicos, especialmente da Comurg, utilizando expressões como “mamata”, “boquinha”, “teta” e “salarião”, o que, segundo a defesa, configuraria imputação indireta do crime de peculato.

Em outubro, sobre o deputado Clécio Alves, Mabel afirmou: “Tinha umas tetas gordas que o pessoal estava mamando. Enxuguei elas. É por isso que o deputado Clécio me xinga todo dia na Assembleia. Por que ele xinga todo dia? Ele tem razão de me xingar. Porque eu cortei um dinheiro grande que ele tirava lá da Comurg, de outros lugares”.

Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que as falas atribuídas ao prefeito estão inseridas no contexto de um “embate político-institucional travado entre agentes públicos” e que “não descrevem episódio concreto nem ato determinado”, requisito indispensável para a configuração dos crimes de calúnia e difamação.

Segundo a decisão, as declarações questionadas se limitam a “críticas e juízos valorativos, algumas em linguagem metafórica”, sem individualização mínima de conduta, o que impede o enquadramento penal.

Disputa política

Desde o início da gestão, Sandro Mabel e Clécio Alves tem feito acusações públicas um ao outro. Da Tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado tem criticado contratos e decisões administrativas do prefeito.

Por outro lado, Mabel se defende afirmando que as queixas ocorrem devido à falta de espaço político na administração municipal e o esvaziamento da influência do parlamentar dentro da Comurg.

A Tribuna do Planalto não conseguiu contato com o deputado Clécio Alves.

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