Das 58 mortes registradas em centros de detenção ou operações da agência, 18 eram de cidadãos mexicanos, segundo dados oficiais compilados pela Secretaria de Relações Exteriores do México.
Cidadãos mexicanos representam quase um terço dos migrantes que morreram sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ou durante operações da agência desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Segundo dados oficiais compilados pela Secretaria de Relações Exteriores do México (SRE), das 58 mortes registradas no período, 18 eram de cidadãos mexicanos, o equivalente a 31% do total, ou uma a cada três mortes.
De acordo com o jornal mexicano La Jornada, a SRE detalha que 14 dessas mortes ocorreram em centros de detenção do ICE e outras quatro durante operativos migratórios da agência. Os dados da cancillería mexicana foram atualizados em agosto deste ano.
Recorde de mortes
Os 58 óbitos contabilizados desde o início do segundo mandato de Trump representam mais que o dobro das 27 mortes registradas durante os quatro anos da administração de Joe Biden, segundo a SRE. O ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro, foi o mais letal na história do ICE, com 37 migrantes mortos sob custódia, superando o recorde anterior de 28 mortes, registrado em 2004.
A base de dados Bloomberg Law, citada pela reportagem, confirma que os dois anos do segundo mandato de Trump estão entre os três mais letais da história da agência: 2026, com 37 mortes, ocupa o primeiro lugar, enquanto 2025, com 24, ocupa o terceiro, atrás apenas de 2004.
Medidas do governo mexicano
Diante das mortes, o governo do México apresentou 20 denúncias penais a autoridades dos Estados Unidos. Do total, oito foram encaminhadas a promotorias estaduais e doze a promotorias de condado em jurisdições como Arizona, Califórnia, Flórida, Geórgia, Illinois, Luisiana, Missouri e Texas. A embaixada mexicana também enviou uma denúncia preparada pela Procuradoria-Geral da República do México ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, solicitando formalmente a abertura de investigações.
A SRE informou ainda que solicitou a intervenção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, para que seu escritório reúna informações, avalie os casos à luz dos instrumentos internacionais de direitos humanos e emita recomendações técnicas. A rede consular mexicana continua prestando apoio jurídico e assistência às famílias das vítimas.
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