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Michelle deixa presidência do PL Mulher e aprofunda crise na família Bolsonaro

Ex-primeira-dama diz que vai se dedicar ao marido e à filha; Celina Leão e Damares tentaram demovê-la da decisão


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 01/07/2026 - 09:21

Michelle Bolsonaro vorcaro

A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (30). A ex-primeira-dama anunciou que deixará a presidência do PL Mulher, ala feminina do partido que ela comandava como uma das principais vitrines políticas do bolsonarismo desde a saída de Jair Bolsonaro do Planalto.

A decisão foi comunicada após reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. No comunicado, Michelle afirmou que tomou a decisão depois de refletir com o marido sobre o momento vivido pela família.

“Comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados para com meu marido e minha filha”, disse a ex-primeira-dama.

De acordo com interlocutores em Brasília, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e a senadora Damares Alves tentaram demover Michelle da decisão. Não conseguiram. A movimentação expõe a preocupação de aliados com o impacto da saída dela no tabuleiro eleitoral do DF e na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A renúncia ao comando do PL Mulher ocorre dias depois de Michelle tornar pública a insatisfação com o enteado. Em vídeos, ela afirmou ter sido maltratada e desrespeitada por Flávio em meio a uma divergência sobre o palanque do PL no Ceará. O senador tentou encerrar o assunto e classificou o episódio como “página virada”, mas a crise continuou aberta.

No comunicado desta terça, Michelle procurou valorizar sua passagem pela ala feminina do partido. Disse que, no período em que esteve à frente do PL Mulher, ajudou a construir “um grande exército de mulheres de bem” e afirmou acreditar que o movimento continuará crescendo.

A saída pesa porque Michelle era tratada no PL como peça central para a disputa de 2026. Ela aparecia como nome forte para o Senado pelo Distrito Federal, em uma composição que também passava por Celina Leão no governo local e Bia Kicis na outra vaga ao Senado. Sem ela no comando da ala feminina, o partido perde uma operadora nacional junto ao eleitorado conservador, evangélico e feminino.

 

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