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Veja o que se sabe sobre descoberta de sistema estelar incomum que desafia cientistas e conceitos da astronomia

Pesquisadores identificam objeto semelhante a Júpiter orbitando uma anã marrom a 71 anos-luz da Terra e discutem como classificar o corpo celeste, diferente de tudo já observado


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 23/07/2026 - 03:59

Veja o que se sabe sobre descoberta de sistema estelar incomum que desafia cientistas e conceitos da astronomia
(Imagem: Reprodução/produzido com ajuda de IA)

Astrônomos anunciaram a descoberta de um sistema estelar considerado um dos mais incomuns já identificados na Via Láctea. Localizado a cerca de 71 anos-luz da Terra, o conjunto desafia as classificações tradicionais da astronomia por apresentar uma configuração sem precedentes: uma estrela anã vermelha é orbitada por uma anã marrom, que por sua vez possui um gigantesco corpo gasoso semelhante a Júpiter em sua órbita.

A descoberta foi realizada com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), instalado no Chile, e os resultados foram publicados na revista científica Nature. Segundo os pesquisadores, o objeto recém-identificado possui pelo menos 90% da massa de Júpiter e completa uma volta ao redor da anã marrom a cada 170 dias.

O principal desafio para os cientistas não está apenas em compreender a origem do sistema, mas também em definir como esse objeto deve ser classificado. Em sistemas convencionais, um corpo que orbita outro que, por sua vez, orbita uma estrela seria chamado de lua ou exolua. No entanto, o novo objeto é muito maior do que qualquer lua conhecida no Sistema Solar e orbita uma anã marrom — um corpo celeste que ocupa uma posição intermediária entre um planeta gigante e uma estrela.

“Isso certamente será motivo de debate. Em geral, a maioria dos astrônomos concorda com o termo exossatélite, pelo menos como um termo provisório até que adotemos formalmente definições para objetos como o que encontramos”, explicou Kevin Hoy, doutorando em astrofísica da Universidade Diego Portales, no Chile, e autor principal do estudo.

A coautora da pesquisa, Alice Zurlo, afirmou que a descoberta representa um novo desafio para a comunidade científica. Segundo ela, o achado “abriu uma caixa de Pandora” ao revelar um tipo de objeto completamente diferente dos conhecidos até hoje. “Optamos deliberadamente por não chamá-lo de lua. Esse objeto não se parece com nenhuma lua do nosso Sistema Solar e também não orbita um planeta, mas sim uma anã marrom”, destacou.

Os pesquisadores ainda investigam como esse exossatélite se formou. Entre as hipóteses consideradas estão a formação a partir de um disco de gás e poeira ao redor da anã marrom, de maneira semelhante à formação dos planetas em torno das estrelas, ou a possibilidade de que tenha sido capturado posteriormente pela força gravitacional desse objeto.

As anãs marrons são corpos celestes peculiares. Elas possuem massa superior à dos maiores planetas, mas insuficiente para iniciar o processo de fusão nuclear que caracteriza uma estrela. No sistema recém-descoberto, a anã marrom tem cerca de 33 vezes a massa de Júpiter, aproximadamente 50% mais tamanho e temperatura significativamente superior à do maior planeta do Sistema Solar.

Desde a descoberta dos primeiros exoplanetas, na década de 1990, mais de 6.300 planetas fora do Sistema Solar já foram catalogados. No entanto, a identificação de exoluas ou exossatélites continua sendo extremamente rara. Para os cientistas, esse novo sistema poderá ajudar a compreender melhor como diferentes tipos de corpos celestes se formam e evoluem, além de contribuir para a revisão das definições utilizadas atualmente pela astronomia para classificar objetos encontrados além do Sistema Solar.

Redação Tribuna do Planalto

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