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Mirassol, a sensação do Campeonato Brasileiro


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 18/09/2025 - 13:34

Estádio Maião, onde o Mirassol manda seus jogos
Estádio Maião, onde o Mirassol manda seus jogos (Foto: Marcos Freitas/Mirassol FC)

O Mirassol aprontou mais uma. Enfrentou o Botafogo no Rio de Janeiro e arrancou um empate em 3 a 3, depois de estar perdendo por 3 a 0 no primeiro tempo. O resultado mantém a equipe do interior de São Paulo na quarta colocação na tabela de classificação, posição que lhe garante uma vaga na Taça Libertadores, algo inimaginável para um pequeno clube que disputa pela primeira vez a série A do campeonato brasileiro.

Estamos falando de um clube que faliu em 1982, mas retornou para disputar a terceira divisão do campeonato paulista. Em 1997 conquistou o título de campeão da terceira divisão de São Paulo. Em 2007, conquistou o vice-campeonato e o acesso à série A do campeonato paulista. Em 2008, fez sua estreia na elite do futebol paulista. Em 2020 começa a ascensão espetacular do Mirassol, em nível nacional. Nesse ano, foi campeão da série D do campeonato brasileiro e no ano seguinte disputou a série C. Em 2022 sagrou-se campeão da série C, seu primeiro título nacional. Em 2024, o Mirassol conquistou o acesso inédito à série A do campeonato brasileiro.

Campanha espetacular – Disputar a série A do brasileirão é um marco na história meteórica do Clube. Quando um time do porte do Mirassol alcança o acesso para disputar a elite do futebol nacional, é natural que no início é considerado fortíssimo candidato ao rebaixamento. Principalmente porque vai enfrentar gigantes do Brasil, sempre favoritos a conquistar as principais posições na competição. O Mirassol não precisou contratar os jogadores mais caros para montar o forte elenco que faz sucesso no brasileirão. Com sabedoria e um bom trabalho, formou o atual quarto colocado da competição nacional.

No papel, o time do Mirassol é um “refugo” de veteranos. Diversas equipes já foram rebaixadas com esse tipo de planejamento, tanto que no início do ano os resultados não foram satisfatórios, quando o time era comandado por Eduardo Barroca. O Mirassol contratou Rafael Guanaes, que havia sido demitido recentemente pelo Atlético Goianiense. Guanaes foi campeão paranaense dirigindo o Operário de Ponta Grossa, mesmo com um dos mais modestos elencos da liga sulina.

Considerado um treinador inovador, revelação da nova safra de técnicos brasileiros. Rafael Guanaes é o comandante desse time que encanta o Brasil. E no Mirassol existem peças que não deram certo no futebol goiano. O próprio técnico Rafael Guanaes passou por aqui dirigindo o Atlético Goianiense. Ficou pouco tempo. Adson Batista não deu tempo ao profissional e o demitiu. Edson Carioca, atacante que veio do Juventude para o Goiás, não deu certo por aqui e foi brilhar no Mirassol. Carioca chegou com fama de craque no Goiás. Fez um contrato de três anos com o verdão, mas não deu certo. O time paulista ainda tem em seu elenco o atacante Alesson, ex-Vila Nova, e o recém contratado Shaylon, que estava no banco de reservas do Atlético Goianiense. Não é um time de grandes estrelas, mas brilha no cenário do futebol brasileiro.

Goiás aposta no mando de campo – A última vez que o Goiás venceu uma partida na série B foi há quase um mês, na vitória por 1 a 0 sobre o América-MG na Serrinha. Depois de duas partidas fora de casa, o time esmeraldino volta ao seu estádio para enfrentar o lanterna Paysandu, com o objetivo de somar mais três pontos e se consolidar entre os primeiros da competição. O recorte do Goiás no segundo turno é muito ruim, considerando que conquistou apenas oito pontos em sete jogos realizados.

Moraes volta ao time titular
Moraes volta ao time titular (Foto: Instagram @moraessjunior)

Com 45 pontos após 26 rodadas, o Goiás precisa ainda de pelo menos 18 pontos para consolidar seu acesso à primeira divisão do futebol brasileiro. Se vencer os seis jogos que terá na Serrinha, alcança a pontuação de 63 pontos, considerada a média histórica de acesso à série A. Ocorre que o próximo jogo é contra o Paysandu, lanterna do campeonato. Não deveria ser comemorado o fato de ter pela frente um dos piores time da série B? No caso do Goiás não. O time perdeu em casa para Athletic e Botafogo de Ribeirão Peto, na época lanternas da competição. Alerta ligado.

Em campo, Vagner Mancini continua preparando o time para o jogo contra o Paysandu. O treinador enfrenta dificuldades para escalar o time, em função da grande quantidade de desfalques. É certo que Tadeu volte ao gol, já que é titular incontestável. Moraes também deve reassumir a titularidade na lateral esquerda. As dúvidas do treinador estão no meio de campo, onde não poderá contar com Marcão e Wellington Rato e no ataque, que estará desfalcado do centroavante Anselmo Ramon. Mancini tem à sua disposição Rafael Gava e Bryan para o setor de meio campo e Arthur Caíke e Jajá para o comando de ataque.

CURTAS

Palmeiras comemora vitória em Buenos Aires
Palmeiras comemora vitória em Buenos Aires (Foto: César Greco/Palmeiras)

>>> O Palmeiras coneguiu um resultado espetacular ontem em Buenos Aires, com a vitória por 2 a 1 sobre o River Plate em pleno estádio Monumental de Nuñes. O jogo de volta desta fase da Libertadores acontece na próxima semana em São Paulo.

>>> O Vila Nova tem cinco jogadores pendurados com cartões amarelos. O lateral esquerdo Higor, volantes Arilson, Nathan Melo e Igor Henrique e o atacante André Luiz.

>>> O time tem compromisso difícil no próximo final de semana em Curitiba, onde enfrenta o Athletico-PR. O Furacão está em franca ascensão na série B e se apresenta como um dos candidastos ao acesso.

>>> Os últimos resultados negativos diminuíram as chances de acesso do Goiás à série A. O clube, que já tevde 90% de possibilidades de acesso, hoje tem 72,5%. Ainda é um ótimo indicador.

>>> O Atlético tem 1,9% de chances, ou seja, praticamente nenhuma possibilidade de acesso. O Vila Nova, por sua vez, tem 7,2% de possibilidades de jogar a série A em 2026.

>>> Vários jogadores tem surgido para o futebol brasileiro sem ter passado pela base de algum clube. Normalmente são jogadores habilidosos, dribladores e artilheiros. A base limita o atleta.

>>> Quem se lembra do centroavante Bé, do Vila Nova. Nunca teve base e foi um grande artilheiro. No Goiás, Michael também não teve base e explodiu para o mundo do futebol.

>>> O meia Bryan, hoje no Goiás, declarou em sua chegada que nunca teve base. Preferiu estudar, se formou em Administração, depois se dedicou ao futebol.

>>> Por último, o centroavante Lelê, do Atlético Goianiense, que saiu da várzea, aprendeu os atalhos do futebol jogando nos campos de terra nas comunidades onde cresceu no Rio de Janeiro.

 

Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

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