Comitê norueguês premia trajetória de cinco décadas na defesa do direito internacional. Israel classifica decisão como “a maior mentira do século XXI” e acusa premiação de legitimar ódio.
A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. Ela foi reconhecida por seus esforços para promover a paz e o direito internacional, segundo o comitê.
Pillay tem mais de cinco décadas de atuação na defesa dos direitos humanos. Ela foi a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Entre 2008 e 2014, atuou como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos.
Relatório sobre Gaza
Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os Territórios Palestinianos Ocupados entre 2021 e novembro de 2025. Em setembro do ano passado, a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza.
O relatório apontou que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incitaram a prática desses atos. Na ocasião, Israel classificou as conclusões como “escandalosas”.
Reação de Israel
O governo israelense criticou duramente a premiação. O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que o comitê norueguês premiou “a maior mentira do século XXI”. A pasta também declarou que a escolha representa uma “grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito contra Israel”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o Comitê Nobel “perdeu sua bússola moral”. Ele disse que o prêmio foi concedido a uma pessoa que “construiu sua carreira inventando e propagando calúnias de sangue contra o único Estado judeu”.
Repercussão internacional
A premiação recebeu elogios de diversas autoridades. O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, descreveu o prêmio como “uma vitória coletiva para os direitos humanos”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que Pillay “encarou a brutalidade da injustiça de frente e nunca desviou o olhar”. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que a honraria é um “profundo tributo à coragem, integridade e compromisso vitalício da jurista com a justiça”.
Pillay dedicou o prêmio “a todos os sobreviventes de crimes internacionais”. “Este prêmio fortalece minha convicção de que devemos permanecer unidos na defesa do Estado de Direito e de uma ordem jurídica internacional baseada em princípios”, declarou.
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