O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) conseguiu eleger seu candidato à presidência da Câmara de Goiânia, mas a votação unânime não entrega de bate-pronto o controle do Legislativo. Ao contrário, o vereador Thialu Guiotti venceu em chapa única para comandar a Casa em 2027 e 2028 e já avisou que não será “defensor da Prefeitura” e que cabe ao prefeito construir a relação com os vereadores. Foi o primeiro recado depois da comemoração.
Em sequência, disse a esta coluna que seria seu parceiro, mas “já batia de frente” com Mabel quando necessário. Apesar disso, mostrou disposição em caminhar junto ao Executivo. A eleição da Mesa mostrou capacidade de articulação do Paço.
Reuniu partidos de diferentes campos e acomodou interesses até da oposição. O PT negociou espaço numa diretoria; Aava Santiago, adversária de Mabel em temas importantes, foi escolhida para a corregedoria. A unanimidade resolveu a eleição, mas não apagou as divergências.
Basta olhar para a Comissão de Constituição e Justiça. Mabel acusa seu presidente, Luan Alves (MDB), de segurar projetos, entre eles o Refis, que precisa avançar antes da Semana Nacional da Conciliação. Luan devolveu a cobrança: o texto chegou à comissão apenas em 8 de outubro e, no dia seguinte, foi encaminhado à Procuradoria. Para o vereador, a urgência nasceu da demora do próprio Paço.
Há problemas dos dois lados. Luan também relatou três reuniões consecutivas da CCJ encerradas por falta de quórum. E o impasse vai além do Refis: a proposta de fundo imobiliário enfrenta questionamentos sobre a identificação das áreas envolvidas. Não basta ao Executivo exigir pressa; tampouco ao Legislativo alegar autonomia enquanto projetos ficam sem deliberação.
Na última quarta-feira (14), Mabel sofreu outro revés. Por 14 votos a 5, o Tribunal de Justiça declarou inconstitucional a fórmula de cálculo da Taxa do Lixo, questionada por Aava. A decisão não extingue automaticamente a cobrança, e a Prefeitura anunciou recurso. Mas o episódio dá dimensão da dificuldade política: uma vereadora que integrará a nova Mesa acaba de obter uma vitória judicial contra o Paço numa das pautas mais controvertidas da gestão.
O desenho de 2027 também recomenda cautela. A CCJ passará ao comando de Willian Veloso, do PL, partido que enfrentou Mabel na eleição municipal de 2024. E, antes de Thialu assumir, os vereadores ainda terão de examinar o orçamento de R$ 11,7 bilhões previsto para o próximo ano. Ali se decide mais do que a distribuição de cargos: entram em jogo serviços, obras e emendas parlamentares.
A força de Mabel será medida menos pelas fotografias da eleição da Mesa e mais pelo funcionamento diário da Câmara. Eleger o presidente foi uma vitória. Fazer uma maioria tão diversa votar sua agenda, sem atropelar o Legislativo nem transformar todo atraso em confronto, é outra disputa.
2028 já começou
Próximo presidente da Câmara dos Vereadores, Thialu Guiotti (Avante) já lançou uma hipótese para 2028: Romário Policarpo como vice de Sandro Mabel. Em entrevista a este colunista, disse que trabalhará pela composição. A sugestão antecipa uma discussão que o prefeito ainda não abriu oficialmente.
Articulação
A manifestação de Thialu coloca Policarpo no debate sucessório com dois anos de antecedência. Resta saber se Mabel alimentará a conversa ou preferirá deixar a definição da chapa para depois. Os bastidores dão conta que o prefeito deseja um vice indicado pelo PL. O objetivo é neutralizar a legenda que mais lhe deu trabalho em 2024.
PL de olho
O vereador Sargento Novandir negocia filiação ao PL. Se a conversa avançar, o partido poderá ampliar sua presença na política municipal. A movimentação interessa especialmente a Gustavo Gayer, senador eleito e dirigente da legenda em Goiânia.
PT depois da urna
A eleição passou, mas o rearranjo interno do PT está apenas começando. A formação da Força Popular, tendência criada por Adriana Accorsi logo após o pleito, coloca em discussão a influência das correntes tradicionais e a distribuição de espaços na direção estadual.
Boulos deixou tarefa
Depois do ato na Praça Universitária, Guilherme Boulos defendeu recuperar os votos perdidos por Lula em Goiás. A presença do ministro deu visibilidade à mobilização. Agora, a cobrança recai sobre a organização local da campanha.
Direita mobilizada
O segundo turno também mantém Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e Gustavo Gayer na mesma campanha presidencial. A convergência em torno de Flávio Bolsonaro não elimina as diferenças entre os grupos estaduais, especialmente depois da disputa pelo governo.
Wilder no pós-eleição
Wilder Morais terá de administrar dois papéis: senador em exercício e liderança do PL derrotada na disputa pelo governo. O resultado estadual não encerra sua atuação política, mas abre discussões sobre o espaço que ocupará no partido e na oposição. Gayer, o prefeito de Anápolis Márcio Corrêa, e o deputado federal eleito Major Vitor Hugo articulam uma mudança no comando da direção.
O bolo de Mabel
A Prefeitura contratou 1.129 quilos de bolo para os 93 anos de Goiânia, ao custo de R$ 46,6 mil. Até a publicação do contrato, não havia detalhamento sobre o formato da distribuição. A resposta deverá aparecer na organização da festa.
Centro em festa
A Avenida Goiás concentrará a programação do aniversário no sábado (24), com três palcos e atrações até a madrugada. O evento será também um teste para trânsito, limpeza, segurança e ocupação do Centro.
Campinas no roteiro
O desfile cívico de aniversário está previsto para Campinas. A escolha mantém o bairro histórico no centro das comemorações, enquanto a maior concentração cultural ficará na região da antiga Estação Ferroviária.
Amado Batista na festa
Na sexta-feira (23), o cantor Amado Batista está anunciado para apresentação no Morada do Sol. A programação descentralizada permitirá à Prefeitura chegar à semana do aniversário com eventos também fora da região central.
Pequi e infraestrutura
Na sexta-feira (23), data do Dia Estadual do Pequi, a Goinfra realizará seminário sobre desapropriações e conflitos fundiários rurais. O debate reúne procuradores, especialistas e instituições públicas para discutir questões jurídicas ligadas às obras rodoviárias.
Cinco mulheres
A próxima Assembleia terá cinco deputadas entre 41 parlamentares, uma a mais que na legislatura atual. Apesar do avanço, as mulheres ocuparão apenas 12,2% das cadeiras. O número mantém Goiás abaixo da média nacional de representação feminina nas assembleias estaduais.













