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O que inviabiliza um acordo de Vanderlan Cardoso com o PT para a eleição em Goiânia

Apesar de pertencer a um partido da base do governo Lula e ter disposição para o diálogo, a contrapartida eleitoral não convence o senador a desistir da prefeitura


Luís Gustavo Rocha Por Luís Gustavo Rocha em 05/02/2024 - 20:00

A orientação nacional do PT é “dialogar com o bloco de partidos que apoiam o governo Lula”, diz o deputado federal Rubens Otoni enquanto o partido movimenta, em Goiânia, as pré-candidaturas de Adriana Accorsi, a prefeita, e Edward Madureira, a vereador. Aplicando-se à realidade goiana, o interesse de uma aliança com Vanderlan Cardoso (PSD), que poderia se firmada pagando o apoio de 2024 com a retribuição em 2026, para que ele concorra ao governo de Goiás, desinteressa ao senador no cálculo eleitoral.

Em primeiro lugar, há pesquisas assinalando um favoritismo de Vanderlan na corrida ao Paço Municipal deste ano, o que, naturalmente, motiva o PT a buscá-lo para fortalecer o projeto de Adriana ao mesmo tempo em que eliminaria o maior adversário da petista até o momento.

Em segundo lugar, 2026 ainda é um ambiente movediço demais para, como comparou um aliado de Vanderlan, trocar “algo mais certo por algo bem duvidoso”, inclusive porque não existe uma resposta clara de como o eleitorado de Vanderlan assimilaria o apoio da esquerda em uma disputa ao governo que também interessa ao senador Wilder Morais (PL), apesar da indicação de Daniel Vilela para suceder o governador Ronaldo Caiado que, se tudo correr conforme o planejado, estará em campanha presidencial com desejado apoio do bolsonarismo.

Há ainda um terceiro ponto que converte um certo isolamento político de Vanderlan na vantagem da independência: “se ninguém apoiá-lo agora, em 2024, caso ele não ganhe, também pode disputar 2026 sem impedimento”. Mas é evidente que o pragmatismo da busca pelo perfil gestor de 2024 (que tem boa aderência a Vanderlan) será substituído, em 2026, pela artilharia pesada do componente ideológico, em uma eleição que promete confrontar Lula com Bolsonaro (ou um representante à altura de seu espólio), e é nessa hora que, tendo ficado de mãos dadas com o PT, o senador pode ser cobrado pelo eleitorado conservador.