A Seleção Brasileira em solo norte-americano vive a última semana antes da estreia na Copa do Mundo sob uma rotina de isolamento controlado. O grupo comandado por Carlo Ancelotti está hospedado no The Ridge, em Basking Ridge, em Nova Jersey, hotel reservado para a delegação brasileira durante o Mundial.
A escolha da base foi definida pela CBF ainda em janeiro e teve como prioridade logística, privacidade e estrutura de trabalho. O hotel fica a cerca de 15 minutos do centro de treinamento e a aproximadamente 30 minutos do MetLife Stadium, onde o Brasil estreia contra Marrocos no próximo sábado (13), às 19h.
O centro de treinamento da Seleção será o Columbia Park, em Morristown, estrutura do New York Red Bulls. O complexo foi escolhido por reunir campos de alto padrão, academia, vestiários, áreas médicas e espaços administrativos para a comissão técnica. A estrutura também permite que o Brasil permaneça em Nova Jersey em outras fases da competição, caso a logística da Copa permita.
A concentração não terá circulação livre de familiares. A CBF decidiu restringir visitas ao hotel durante o Mundial. A ideia, defendida internamente, é dar mais tranquilidade à comissão técnica e aos jogadores em um período curto e intenso de competição. A tendência é que familiares tenham acesso apenas em datas específicas, sem visitas diárias.
O modelo não chega a ser uma concentração fechada nos moldes antigos, mas está longe de uma rotina aberta. A palavra de ordem é controle. A delegação terá hotel exclusivo, deslocamentos curtos e acesso limitado ao ambiente interno da equipe.
A CBF também tentou transformar a base em um espaço com identidade brasileira. Os quartos receberam artes personalizadas dos jogadores, imagens de infância e referências ao futebol de rua. No hotel e no CT, foram espalhadas fotografias de lugares do Brasil e registros ligados às raízes do futebol nacional.
A ambientação faz parte da tentativa da entidade de reduzir a frieza de uma concentração longa fora do país. O Brasil pode passar mais de 40 dias nos Estados Unidos se avançar até as fases finais da Copa.
A semana, porém, começou com um problema esportivo. Wesley, lateral-direito da Roma, foi cortado após sofrer lesão muscular no adutor da coxa esquerda no amistoso contra o Egito, disputado no sábado (6), em Cleveland. Para a vaga, Ancelotti chamou Éderson, meio-campista da Atalanta, que se integra ao grupo nesta segunda-feira (8).
A baixa obrigou o treinador a ajustar o planejamento antes da estreia. Wesley era o único lateral-direito de origem da lista. Sem ele, Danilo e Ibañez passam a ser as alternativas para o setor. O corte não muda o endereço da Seleção, mas altera o trabalho de campo na reta final.
Até o jogo contra Marrocos, Ancelotti terá poucos dias para testar a nova configuração. O Brasil encerrou os amistosos preparatórios com vitórias sobre Panamá, no Maracanã, e Egito, em Cleveland. Agora, a rotina será de treino, recuperação física, análise de adversário e definição dos últimos detalhes da equipe.
Depois da estreia no MetLife Stadium, o Brasil enfrenta o Haiti no dia 19 de junho, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. A fase de grupos termina no dia 24, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami.
A logística foi montada para reduzir desgaste na primeira fase. O desafio de Ancelotti, agora, é usar essa estrutura para proteger o grupo, absorver a perda de Wesley e chegar à estreia com o time ajustado.












