Depois de passar pela Câmara, a PEC que põe fim à escala 6×1 chegou ao Senado enfrentando um obstáculo previsível: o controle do calendário por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O presidente da Casa sinalizou que não pretende empurrar a proposta diretamente para o plenário e abriu uma disputa sobre o rito de tramitação.
A proposta acaba com o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso e se tornou uma das principais bandeiras sociais defendidas por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa de 2026. Aprovado pelos deputados em 27 de maio, o texto agora depende do ritmo imposto pelo Senado.
De acordo com apuração feita pelo Metrópoles, Alcolumbre havia anunciado que reuniria líderes partidários nesta terça-feira (9) para tratar da tramitação da PEC. Até a noite de segunda-feira (8), porém, líderes ouvidos pela reportagem diziam não ter sido informados sobre o horário do encontro.
O ponto sensível está no caminho que a proposta deve percorrer. Pelo rito tradicional no Senado, PECs passam pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, podem seguir ao plenário. Alcolumbre, no entanto, defende que o texto seja analisado também por uma comissão especial.
“Essa proposta vai ter de tramitar nas comissões, porque há cobrança de todos os senadores de que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, afirmou o presidente do Senado.
A fala foi lida por defensores da PEC como sinal de resistência. Embora o Regimento Interno não proíba a criação de comissão especial, o rito específico das propostas de emenda à Constituição prevê a análise pela CCJ antes da votação em plenário. A etapa adicional, portanto, pode funcionar como freio político.
Alcolumbre também procurou marcar posição institucional. Disse que o Senado não deve atuar como “instância de carimbo” das decisões tomadas pela Câmara. Na prática, o recado é que a proposta não terá tramitação automática, apesar da pressão popular e do peso eleitoral do tema.
O calendário aumenta a tensão. Junho costuma esvaziar o Congresso por causa das festas juninas e das agendas regionais dos parlamentares. A proximidade do período eleitoral e a Copa do Mundo também tendem a reduzir o ritmo das votações em Brasília.
Para o governo, o risco é deixar a PEC perder tração. Para Alcolumbre, o movimento preserva o poder do Senado sobre uma pauta que chegou embalada pela Câmara e pelas redes. A decisão sobre o rito dirá se o fim da escala 6×1 terá chance de avançar ainda nas próximas semanas ou se entrará no corredor mais lento das negociações parlamentares.














