O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que prevê reajuste de 69,92% nas pensões pagas às vítimas do acidente radiológico com o césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. A proposta, encaminhada nesta semana, beneficia diretamente 603 pessoas que foram afetadas pela contaminação.
Caso aprovado, o aumento passa a valer a partir de abril e contempla duas categorias da chamada Pensão Especial Vitalícia. Para os atingidos com exposição superior a 100 Doses Absorvidas de Radiação (RAD), o valor sobe de R$ 1.908 para R$ 3.242. Já para os demais beneficiários, o pagamento será reajustado de R$ 954 para R$ 1.621.
Segundo o governador, a medida busca reparar, ainda que parcialmente, os impactos permanentes deixados pela tragédia. “Essa é uma questão de respeito, justiça e cuidado com as vítimas. O acidente marcou profundamente a história do nosso estado e a vida de muitas famílias que convivem até hoje com as consequências”, afirmou, em publicação nas redes sociais.
A coordenadora do programa Goiás Social, Gracinha Caiado, também destacou o alcance da ação. De acordo com ela, todas as 603 vítimas atualmente recebem acompanhamento por meio do programa estadual. “Nosso objetivo é garantir mais dignidade, segurança e reconhecimento para essas famílias”, disse.
Com o reajuste, o impacto financeiro estimado é de R$ 3,6 milhões em 2026. Para os anos seguintes, 2027 e 2028, a previsão é de aproximadamente R$ 4,9 milhões anuais destinados ao pagamento das pensões.
Além do benefício financeiro, o Governo de Goiás mantém assistência contínua às vítimas por meio do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves Ferreira, que oferece atendimento médico especializado. Também há suporte complementar por meio de planos do Ipasgo Saúde.
O projeto também reforça medidas de controle sobre o benefício. Segundo Caiado, uma auditoria recente identificou irregularidades na lista de pensionistas, resultando na exclusão de pessoas que recebiam os valores sem terem sido afetadas pelo acidente. “Foi necessário moralizar a lista e retirar quem recebia pensão ilegalmente”, afirmou.
Tragédia que marcou o país
O acidente com o césio-137, considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear, aconteceu em setembro de 1987, em Goiânia. O episódio teve início após o abandono de um aparelho de radioterapia nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radiologia.
O equipamento foi violado e a cápsula contendo material radioativo acabou sendo levada a um ferro-velho, no Setor Aeroporto. A partir daí, o material passou por diversas pessoas, espalhando contaminação em diferentes pontos da cidade.
Após a identificação do risco, autoridades iniciaram uma força-tarefa que envolveu isolamento de áreas, descontaminação e acompanhamento médico rigoroso das vítimas — muitas das quais enfrentam, até hoje, sequelas físicas e psicológicas decorrentes da exposição à radiação.














