Ex-presidente da Colômbia afirmou que grandes grupos econômicos controlam algoritmos para impulsionar candidaturas; ele citou suposta atuação do Departamento de Estado dos EUA e do argentino Fernando Cerimedo.
O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta quarta-feira (3) que os processos eleitorais no Brasil e no México correm o risco de serem afetados pelo que chamou de “representantes do tecnofascismo”. A declaração foi feita durante uma conferência na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na Cidade do México.
Petro usou a expressão para se referir a grandes grupos econômicos que, segundo ele, controlam os algoritmos e estariam utilizando esse controle para impulsionar candidaturas comprometidas com seus interesses. “México está em perigo e Brasil já vem. Estes métodos têm legitimação na classe política que está dirigindo atualmente os Estados Unidos”, disse o ex-mandatário.
Contexto da conferência
O discurso de Petro ocorreu em sua primeira viagem internacional desde que deixou a presidência colombiana, em 7 de agosto. A palestra na UNAM teve como objetivo abordar temas do último capítulo de seu livro “Economia política da crise climática”.
Antes do evento, Petro se reuniu com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional. O encontro atrasou o início da conferência em quase duas horas. Segundo o ex-presidente, a conversa tratou da importância do progressismo e do humanismo no desenho de políticas públicas.
Acusações sobre eleições na Colômbia
Petro usou como principal exemplo as eleições presidenciais colombianas de 2026, nas quais seu sucessor, Abelardo de la Espriella, venceu o candidato governista Iván Cepeda com uma diferença de pouco mais de 251 mil votos. O ex-presidente afirmou que um sistema de cerca de dois milhões de bots interferiu na campanha eleitoral, sob supervisão do Departamento de Estado dos EUA.
“Trump não pode dizer que não sabia. Ele mesmo disse publicamente que o Tigre [apelido de Espriella] deve me agradecer porque é presidente da Colômbia graças a mim”, afirmou Petro, referindo-se ao presidente americano.
No entanto, o candidato derrotado, Iván Cepeda, reconheceu formalmente a derrota em 24 de junho, afirmando que as diferenças políticas devem ser resolvidas com respeito e diálogo. “Como candidato do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, e nesta fase da apuração dos votos, decidi aceitar o resultado deste processo, que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República. Faço isso como um ato de responsabilidade democrática, para contribuir com a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”, disse Cepeda em pronunciamento.
A vitória de De la Espriella foi homologada pelas autoridades eleitorais, e ele tomou posse em 7 de agosto.
Petro também mencionou o consultor argentino Fernando Cerimedo, preso na Bolívia, e afirmou que documentos comprovam vínculos entre Cerimedo e pessoas próximas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. O ex-presidente disse que o mesmo padrão teria sido observado em eleições no Peru, Chile, Honduras e Bolívia.
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