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PF faz operação contra tráfico internacional com ação em Goiás

Operação Hera apura envio de brasileiras e colombianas para exploração sexual na Europa; mandados são cumpridos em Goiás, Pernambuco e São Paulo


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 22/07/2025 - 14:54

Foto/reprodução: Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (22), a Operação Hera para aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa transnacional voltada ao tráfico de mulheres para exploração sexual na Europa. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Goiás, Pernambuco e São Paulo.

As investigações tiveram início a partir de cooperação policial internacional com autoridades da Espanha. Foi identificado que mulheres brasileiras e colombianas eram aliciadas e levadas ao país europeu para serem exploradas. O lucro obtido com o crime era remetido ao Brasil por meio de transferências bancárias, como forma de lavagem de capitais.

A ação de hoje busca colher novas provas para comprovar a prática dos delitos. Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de pessoas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

 

Mandados cumpridos

Segundo a PF, a operação ocorre de forma simultânea nos três estados, com foco na identificação e responsabilização dos envolvidos na prática criminosa. A atuação da organização incluía aliciamento, transporte, exploração e movimentação financeira irregular entre países.

 

Relatório nacional

Em 30 de julho de 2024, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), divulgou o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas: Dados 2021 a 2023, com apoio técnico do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas (UNODC). Também foi lançado o IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, durante o seminário “Um Novo Capítulo da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”.

O relatório reúne dados de autoridades nacionais e apresenta um panorama do tráfico de pessoas no Brasil. O documento mostra que há alta subnotificação dos casos, motivada por medo, vergonha, discriminação, desconhecimento da condição de vítima e falta de informação sobre mecanismos de denúncia.

Sobre o perfil das vítimas, a maioria é masculina, entre 18 e 29 anos e da raça negra. Vítimas indígenas, transgênero e com deficiência seguem invisibilizadas nos registros. O modo de operação também mudou, com uso crescente de ferramentas tecnológicas para aliciamento, controle e formas inéditas de exploração.

A exploração laboral segue sendo a principal finalidade do tráfico, com aumento no número de não nacionais resgatados em condições análogas à escravidão. As nacionalidades mais resgatadas foram a paraguaia, venezuelana e boliviana. Pela primeira vez, foram registrados mais brasileiros explorados no exterior para trabalho forçado. A exploração sexual, antes predominante, permanece relevante, mas perde espaço para outras finalidades como adoção ilegal, transporte de drogas, produção de mercadorias ilícitas e ações financeiras fraudulentas.

A perspectiva de gênero também foi destacada no relatório, especialmente nas finalidades pouco debatidas, como o trabalho escravo doméstico e a exploração do trabalho sexual. O primeiro vem crescendo em número de denúncias e resgates. O segundo ainda enfrenta preconceitos e tabus que dificultam a proteção de direitos das mulheres exploradas, muitas vezes marcadas por histórico de violência e discriminação.

 

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