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PL goiano tenta evitar desgaste local após crise entre Michelle e Flávio, que vem a Goiânia neste sábado (27)

Vice-presidente do partido minimiza ruído entre Michelle e Flávio Bolsonaro; especialista vê disputa por poder dentro do bolsonarismo


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 27/06/2026 - 09:05

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Michelle e Flávio Bolsonaro protagonizam crise em nível nacional. (Fotos: reprodução)

A crise pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro abriu ruído no PL nacional, mas a direção goiana do partido tenta blindar o projeto local do desgaste. Vice-presidente do PL em Goiás, Fred Rodrigues afirma, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, que a vinda do senador a Goiânia mostra que a candidatura própria da direita ao Governo de Goiás está consolidada.

Flávio é esperado neste sábado (27), no Parque de Exposições de Goiânia, em ato que deve marcar a largada das pré-candidaturas do PL no Estado. Para Fred, a presença dele reforça o projeto de Wilder Morais ao Palácio das Esmeraldas e dá tração às chapas proporcionais e majoritárias da sigla.

“A vinda do Flávio mostra que o nosso projeto aqui já está muito consolidado, apesar de todos os desafios e de todas as tentativas de impedir que o PL tivesse sua candidatura, como tentaram fazer em Goiânia”, disse Fred à Tribuna do Planalto.

Chancela nacional

A fala ocorre em meio ao esforço do PL goiano para demonstrar unidade em torno de Wilder. Nacionalmente, o partido tenta administrar a troca de acusações entre Michelle e Flávio, que expôs divergências internas no bolsonarismo sobre alianças regionais e comando político da direita para 2026.

Em Goiás, Fred busca inverter a leitura. Segundo ele, a vinda de Flávio não é sinal de crise, mas de chancela nacional ao projeto estadual.

“Mostra que a direita vai, sim, ter seu representante. É o que o nosso eleitorado espera, que tenha a opção de um candidato verdadeiramente de direita e que entenda os desafios do Estado”, afirmou.

Disputa por poder

O especialista em marketing político Marcos Marinho avalia que a crise não deve ter impacto direto em Goiás neste primeiro momento. Para ele, a briga não é suficiente para rachar o grupo, mas revela uma disputa por poder e legitimidade dentro do bolsonarismo.

“Essa briga não é uma briga para rachar o grupo. É uma briga para demonstrar poder e legitimidade dentro do grupo”, afirma.

Na avaliação de Marinho, Michelle fez um movimento calculado para obrigar Flávio e os demais filhos de Jair Bolsonaro a legitimarem sua presença no processo eleitoral. O especialista diz que o episódio deve ficar concentrado no comando nacional do PL e não tende, por ora, a contaminar diretamente as campanhas estaduais.

“Não entendo que isso vá mudar alguma coisa nas campanhas. Em Goiás, nem é o caso, porque aqui está mais pacificado”, avalia.

Michelle no palanque

Marinho pondera, no entanto, que Michelle pode usar o episódio para ampliar influência em outros estados e fortalecer candidaturas com as quais se comprometeu durante a estruturação do PL Mulher pelo país.

De acordo com ele, a crise também pode ajudá-la a ganhar mais espaço na distribuição de recursos e no palanque nacional. “A ação da Michelle foi para se legitimar e obrigar aqueles que não a queriam nos holofotes a trazerem ela para o palanque”, diz.

Para o especialista, a ex-primeira-dama é sensível para os filhos de Bolsonaro porque tem mais apelo popular junto a segmentos do eleitorado conservador. “Para os filhos do Bolsonaro, é uma ameaça, porque ela tem muito mais carisma e sagacidade que eles e potencial de seduzir multidões muito mais do que Flávio, Eduardo, Carlos e Renan juntos”, afirma.

Wilder no centro

Fred Rodrigues sustenta que o PL goiano está concentrado no ato de sábado e na consolidação da chapa estadual. O vice-presidente do partido também defendeu Wilder Morais das críticas que já começam a aparecer entre adversários.

Segundo ele, o senador era elogiado por setores que agora passaram a atacá-lo depois da decisão de lançar candidatura própria.

“Wilder é uma pessoa muito admirada e respeitada, inclusive pelos nossos adversários. Claro que agora vai ser atacado. Há pouco tempo, era elogiado por esses mesmos adversários e inclusive fez parte do governo deles”, disse.

Meta eleitoral

O PL trabalha para apresentar três nomes ao Senado: Gustavo Gayer, Humberto Teófilo e Oséias Varão. Fred também projeta crescimento das bancadas do partido em Goiás. A meta é eleger de três a quatro deputados federais e mais de cinco estaduais. Para o Senado, o partido quer eleger pelo menos um nome, mas pretende disputar as duas vagas.

“Acredito que será o grande impulso inicial das campanhas de todo mundo, assim como a visita do Bolsonaro a Goiânia fez a direita entender que nós teríamos candidato e que iríamos enfrentar o sistema aqui”, afirmou.

Nos bastidores, o evento será observado como teste de mobilização do PL depois da crise familiar no núcleo Bolsonaro. Fred sustenta que o impacto em Goiás será o oposto: reforço da candidatura de Wilder, alinhamento da direita local e demonstração de força diante da base governista. “O Wilder vai ser o próximo governador de Goiás”, aposta.

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