A chegada dos 40 anos representa um momento importante para os cuidados com a saúde do homem. Alterações na pressão arterial, no colesterol e na glicemia, além do avanço silencioso de doenças cardiovasculares e urológicas, podem ocorrer sem sintomas evidentes. Por isso, avaliações médicas periódicas passam a ter um papel ainda mais relevante nessa fase da vida.
O assunto ganha espaço durante o mês do Dia dos Pais, celebrado em agosto, diante de um comportamento ainda frequente entre os homens: procurar atendimento médico somente quando surge dor ou algum sintoma mais intenso. Especialistas do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, alertam que o acompanhamento preventivo permite identificar fatores de risco antes do aparecimento de complicações.
Na área cardiovascular, os cuidados precisam considerar que problemas como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e aterosclerose podem se desenvolver ao longo dos anos. O cardiologista Giuliano Serafino Ciambelli explica que o risco não aparece de forma repentina, mas é resultado do acúmulo de diferentes fatores.
“Geralmente, o risco de ocorrências cardíacas graves tem uma tendência a surgir nos homens após os 40 anos, primeiro pelo acúmulo da aterosclerose, que é o entupimento progressivo das paredes das artérias. Além disso, há um aumento na incidência de fatores associados nessa faixa etária, como hipertensão arterial, diabetes mellitus e colesterol elevado”, afirma.
Segundo o especialista, infartos e acidentes vasculares cerebrais tendem a aparecer mais cedo entre os homens do que entre as mulheres. A identificação antecipada dos riscos, entretanto, depende de uma avaliação que considere o histórico familiar, os hábitos e as condições clínicas de cada paciente.
Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico podem ser solicitados durante a investigação. Em determinadas situações, também podem ser indicados exames voltados à identificação da aterosclerose, como escore de cálcio coronariano e Doppler vascular de carótidas e vertebrais. Isso não significa, porém, que todos os homens devam realizar a mesma bateria de procedimentos.
“A avaliação médica precisa ser personalizada. Dispomos de exames básicos e rápidos que trazem informações importantes, mas a indicação depende das características de cada paciente”, explica Ciambelli.
Além do acompanhamento médico, mudanças de comportamento fazem parte da prevenção. Tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, obesidade e falta de controle da pressão arterial e do diabetes estão entre os principais fatores que prejudicam a saúde cardiovascular. Atividade física regular e alimentação equilibrada ajudam a reduzir esses riscos.
A saúde urológica também merece atenção a partir da quarta década de vida. O urologista e especialista em Oncologia Urológica Luiz Cláudio afirma que homens entre 40 e 45 anos já devem conversar com um médico sobre avaliação geniturinária, principalmente quando existem sintomas, alterações sexuais ou histórico familiar de doenças.
No caso específico do câncer de próstata, o médico explica que a avaliação costuma ser indicada a partir dos 50 anos para a população em geral, podendo começar antes entre pacientes que apresentam histórico familiar relevante. A decisão deve ser individualizada após a análise dos riscos.
“A faixa etária dos 40 aos 45 anos é indicada para o início do acompanhamento geral masculino, incluindo a avaliação geniturinária e a prevenção de disfunções sexuais. Já a investigação específica do câncer de próstata deve levar em consideração a idade e os antecedentes familiares”, esclarece Luiz Cláudio.
Um dos obstáculos ainda encontrados nos consultórios é a resistência ao exame de toque retal. O especialista ressalta que a dosagem do PSA no sangue e o exame físico fornecem informações diferentes e podem ser utilizados de maneira complementar durante a investigação médica.
“Existem tumores prostáticos que não provocam um aumento expressivo do PSA, mas que já causam alterações perceptíveis na textura ou na consistência da próstata, como o aparecimento de nódulos endurecidos. A combinação das avaliações aumenta a capacidade de identificação da doença”, explica.
Quando o câncer de próstata é descoberto em estágio inicial, o paciente pode ter acesso a tratamentos como cirurgia ou radioterapia, conforme as características do caso. Em quadros avançados, podem ser necessários recursos como bloqueio hormonal e quimioterapia. O controle do peso e uma alimentação saudável também contribuem para a redução de fatores relacionados a diferentes tipos de câncer.
Os exames de imagem podem complementar a investigação de alterações cardiovasculares, prostáticas, renais e hepáticas, mas também devem ser solicitados de acordo com a necessidade de cada paciente. Ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética estão entre os recursos disponíveis para esclarecer suspeitas levantadas durante a consulta.
O especialista em Diagnóstico por Imagem Diogo Marciano, do Ânima Centro Hospitalar, explica que esses procedimentos podem identificar determinadas alterações antes do aparecimento de manifestações físicas.
“Hoje, contamos com equipamentos capazes de detectar alterações muito precoces, frequentemente antes do surgimento de sintomas. Como muitos homens procuram o médico apenas quando sentem dor, a investigação preventiva pode permitir tratamentos menos invasivos e melhores resultados”, afirma.
A avaliação por imagem, contudo, não substitui a consulta nem deve ser realizada de maneira isolada. Os resultados precisam ser relacionados ao histórico, aos sintomas e aos demais exames do paciente. Cardiologistas, urologistas, radiologistas e outros profissionais podem atuar conjuntamente quando o quadro exige uma análise mais ampla.
Mais do que estabelecer uma lista fixa de exames para todos os homens, a orientação é abandonar o hábito de esperar pelo aparecimento da dor. O acompanhamento periódico, especialmente após os 40 anos, permite reconhecer riscos individuais e definir quais medidas realmente são necessárias em cada fase da vida.











