A prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 expôs pontos de atenção nas finanças da Prefeitura de Anápolis. Embora a receita municipal tenha crescido 12,17%, o gasto com pessoal ultrapassou o limite de alerta e a aplicação em Educação ficou abaixo do mínimo de 25% previsto em lei no período.
Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (21), durante sessão especial na Câmara Municipal, com a presença do prefeito Márcio Corrêa (PL) e de secretários. O relatório foi detalhado pelo titular da Secretaria de Economia, Marcelo Olímpio Carneiro Tavares.
Nos últimos 12 meses, as despesas com pessoal consumiram 50,22% da Receita Corrente Líquida. O percentual está acima do limite de alerta, embora ainda permaneça abaixo do limite prudencial de 51,3%. A proximidade exige controle porque, caso o município ultrapasse a faixa prudencial, passa a enfrentar restrições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Outro ponto que chama atenção é a Educação. Entre janeiro e abril, o município aplicou 24,38% das receitas consideradas no cálculo, abaixo do mínimo constitucional de 25%. Como a exigência é apurada ao longo do exercício, a Prefeitura ainda poderá compensar a diferença nos meses seguintes. Na Saúde, o índice foi de 21,28%, superior ao mínimo obrigatório de 15%.
O relatório informa que a Prefeitura executou 26,62% da Lei Orçamentária Anual, com R$ 578,2 milhões liquidados em Despesas Correntes diante de um orçamento informado de R$ 1,826 bilhão. Os próprios valores apresentados, entretanto, indicam uma proporção aproximada de 31,66%, e não de 26,62%, diferença que demanda esclarecimento.
A Despesa Total Liquidada aumentou 10,59%, passando de R$ 572 milhões nos quatro primeiros meses de 2025 para R$ 632,7 milhões no mesmo período deste ano. O serviço da dívida cresceu 4,78% e chegou a R$ 57,4 milhões.
Já a Dívida Consolidada Bruta alcançava R$ 599,5 milhões em 30 de abril, equivalente a 32,78% da Receita Corrente Líquida. Apesar do valor elevado, os indicadores permanecem abaixo dos limites legais de endividamento.
No Resultado Primário, a Prefeitura registrou receita de R$ 735,7 milhões, despesa de R$ 587,8 milhões e pagamento de R$ 3 milhões em restos a pagar. Na comparação com a meta estabelecida, porém, o resultado ficou negativo em 44,38%.
A arrecadação tributária somou R$ 226,8 milhões, com crescimento de IPTU, ISS, IRRF e ITBI. A TSU caiu de R$ 22,2 milhões para R$ 2 milhões, diferença atribuída pela gestão à mudança na forma de cobrança. Anápolis permanece com nota B na Capacidade de Pagamento, classificação que ainda permite a contratação de operações de crédito com garantia da União, desde que cumpridas as demais exigências.














