Unidades municipais de saúde de Goiânia poderão contar com um sistema de acionamento emergencial, conhecido como botão de pânico, para situações de violência, ameaça ou grave perturbação. A medida está prevista em projeto de lei apresentado pelo vereador Dr. Gustavo e em tramitação na Câmara Municipal.
A proposta abrange UPAs, Cais, Ciams, unidades básicas de saúde, unidades de Saúde da Família e outros estabelecimentos da rede municipal. A implantação deverá ocorrer de forma gradual, com prioridade para locais que apresentem maior incidência ou risco de agressões, invasões, depredações, conflitos e outras situações capazes de comprometer a segurança e a continuidade do atendimento.
O dispositivo poderá ser físico ou digital, fixo ou móvel, e deverá permitir o acionamento rápido, silencioso e simplificado de uma central de monitoramento. A proposta também autoriza o município a utilizar aplicativos, equipamentos e sistemas de comunicação já existentes, desde que sejam garantidas rapidez e confiabilidade.
O botão poderá ser acionado em casos de agressão física, tentativa de agressão, ameaça, invasão de áreas restritas, tumulto, depredação, intimidação, violência psicológica grave e porte aparente de arma ou objeto que represente risco. O protocolo também deverá prever a comunicação com a Guarda Civil Metropolitana, as polícias Militar e Civil, o Samu, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos competentes.
Além do acionamento emergencial, o projeto cria a possibilidade de registro padronizado das ocorrências. Os dados poderão ser utilizados para identificar unidades e horários mais vulneráveis, orientar a distribuição de equipes de vigilância, aperfeiçoar protocolos e planejar ações preventivas. As informações deverão ser consolidadas e anonimizadas, preservando pacientes, acompanhantes e trabalhadores.
Na justificativa, Dr. Gustavo sustenta que os episódios de violência contra trabalhadores da saúde deixaram de ser situações pontuais e exigem uma resposta institucional organizada.
“Os episódios de violência contra os profissionais da saúde não podem ser tratados como fatos isolados”, afirma o vereador.
O parlamentar cita casos discutidos em audiência pública realizada pela Câmara em setembro de 2025, entre eles denúncias de agressão, racismo e homofobia contra um enfermeiro da UPA do Jardim Curitiba, além de episódios envolvendo profissionais do Hospital da Mulher e Maternidade Célia Câmara.
Segundo a justificativa, fatores como demora no atendimento, superlotação, falta de informações, insuficiência de profissionais e problemas estruturais podem favorecer conflitos, mas não justificam qualquer forma de violência contra trabalhadores ou usuários.
A proposta prevê ainda capacitação dos profissionais para prevenção e gerenciamento de conflitos, comunicação não violenta, identificação de riscos e preservação de provas. Também poderão ser realizadas campanhas educativas sobre classificação de risco, direitos e deveres dos usuários e consequências de agressões ou danos ao patrimônio público.
A escolha das unidades prioritárias deverá considerar a gravidade e a frequência das ocorrências, o volume de atendimentos, o horário de funcionamento, as condições físicas, a presença de vigilância e a disponibilidade técnica e orçamentária. Caberá ao Poder Executivo regulamentar a eventual implantação do sistema.
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