O nome de Jacsymon Fonseca Magalhães voltou aos holofotes após sua deportação dos Estados Unidos para o Brasil. Conhecido nas redes sociais e entre clientes como “Doctor Jack Botox”, o médico goiano passou cerca de nove meses preso na Flórida, acusado de exercer ilegalmente a medicina e realizar procedimentos estéticos sem autorização para isso. A informação foi publicada originalmente pelo jornalista Fernando Machado Borges, em reportagem no Substack.
A prisão aconteceu em outubro de 2025, na cidade de Winter Garden, na região de Orlando. Segundo as investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas, Jacsymon promovia consultas médicas e realizava procedimentos estéticos mesmo sem possuir licença para atuar como médico no país.
Durante a operação policial, foram apreendidas seringas já preparadas para uso e frascos sem identificação. A investigação também identificou mais de 130 pagamentos relacionados a atendimentos e aplicações de testosterona, preenchimentos faciais, colágeno e medicamentos para emagrecimento. Os valores cobrados variavam entre US$ 400 e US$ 1.420 por procedimento.
Embora tivesse autorização para trabalhar apenas como técnico em estética e especialista facial, Jacsymon responderá na Justiça da Flórida pelos crimes de exercício ilegal da medicina e exercício ilegal de profissão da área da saúde.
Acusação envolve aplicação de PMMA
Um dos principais pontos da investigação diz respeito ao uso de polimetilmetacrilato (PMMA). De acordo com as autoridades norte-americanas, Jacsymon aplicava a substância em pacientes como se fosse Botox.
O PMMA é um material de preenchimento permanente que possui indicações específicas e uso restrito. Quando utilizado de forma inadequada, pode provocar deformações permanentes, infecções, necrose e, em casos mais graves, embolias e até a morte caso atinja a corrente sanguínea.
A acusação envolvendo o uso da substância foi um dos fatores que levaram à abertura da investigação criminal contra o médico brasileiro.
Histórico de processos em Goiás
Antes de atuar nos Estados Unidos, Jacsymon Fonseca Magalhães já havia enfrentado problemas judiciais no Brasil.
Em 2016, ele foi indiciado por homicídio culposo após a morte da empresária Érica Regina Silvério Mesquita, de 34 anos, durante uma cirurgia de lipoaspiração realizada em Goiânia.
Segundo as investigações da época, a paciente sofreu uma perfuração no fígado durante o procedimento cirúrgico e não resistiu às complicações.
Após o caso, o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) determinou a suspensão de seu registro profissional por 180 dias.
A defesa de Jacsymon Fonseca Magalhães ainda não foi localizada.
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