A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou nesta quarta-feira (17) o projeto que permite a venda de medicamentos em farmácias instaladas dentro de supermercados, desde que em espaço físico exclusivo e separado das demais áreas. O texto, relatado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), altera a Lei de Controle Sanitário de Medicamentos (Lei 5.991/1973) e segue para análise da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em Plenário.
A proposta original, de autoria do senador Efraim Filho (União-PB), previa a venda de medicamentos isentos de prescrição diretamente nas gôndolas dos supermercados. Após audiências públicas com representantes do setor e da sociedade civil, o relator apresentou um substitutivo mais restritivo: autoriza apenas a criação de uma farmácia ou drogaria completa dentro dos estabelecimentos, obedecendo às normas da Anvisa.
Regras aprovadas
Entre os pontos principais do texto aprovado estão:
- obrigatoriedade da presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento;
- proibição da venda em bancadas ou gôndolas comuns;
- exigência de espaço físico separado e adequado;
- regras específicas para medicamentos sujeitos a controle especial, que deverão ser pagos antes da entrega ou transportados em embalagens lacradas;
- permissão para vendas digitais, apenas com entrega que siga normas sanitárias.
Segundo Humberto Costa, a medida busca equilibrar ampliação do acesso e segurança sanitária, evitando riscos da automedicação. “Mesmo remédios populares, como analgésicos e anti-inflamatórios, estão entre os principais responsáveis por intoxicações notificadas nos sistemas de saúde”, destacou.
Debate e impacto
O relator também ponderou que a venda indiscriminada poderia afetar a sustentabilidade de pequenas farmácias e reduzir a busca por orientação profissional. Propostas que flexibilizavam ainda mais as regras, como permitir a venda sem farmacêutico, foram rejeitadas.
O texto recebeu apoio de senadores que inicialmente eram contrários, como Teresa Leitão (PT-PE), que mudou de posição após a inclusão da exigência de farmácia específica e acompanhamento de profissional habilitado. Já Efraim Filho comemorou a aprovação, defendendo que a medida “quebra paradigmas” e amplia a concorrência, o que pode resultar em redução dos preços dos medicamentos.
Para o presidente da CAS, senador Marcelo Castro (MDB-PI), a decisão foi fruto de consenso:
“Votamos por unanimidade, garantindo mais acesso à população sem abrir mão da segurança e da saúde pública”, afirmou.















