A trajetória de um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira ganha uma nova e ampla leitura com o lançamento da monografia “Pensamento insubordinado”, dedicada ao artista goiano Siron Franco. A publicação revisita seis décadas de produção artística do pintor, escultor e pesquisador visual, reunindo obras, documentos históricos e análises críticas em um volume bilíngue de 337 páginas, com distribuição gratuita.
Organizado pelo pesquisador espanhol Ángel Calvo Ulloa, o livro é resultado de uma parceria entre o Instituto TeArt e o Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás. A obra será lançada em Goiânia, no dia 12 de maio, na Vila Cultural Cora Coralina, e em São Paulo, no dia 14 de maio, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP.

Com projeto gráfico assinado por Celso Longo e Daniel Trench, a publicação apresenta ensaio biográfico de Charles Cosac e textos críticos de nomes como Andrea Giunta, Paulo Herkenhoff e Lucia Bertazzo. A coordenação editorial ficou a cargo das jornalistas Paula Alzugaray e Juliana Monachesi, que estruturaram o livro de forma a aproximar as obras de Siron de registros históricos, recortes de jornais, fotografias e documentos de arquivo do artista.
Segundo Ángel Calvo Ulloa, a proposta foi revelar um “Siron total”, indo além da figura do pintor consagrado para destacar também o artista atento às transformações políticas e sociais do Brasil. Essa característica aparece de forma marcante em séries emblemáticas como “Césio”, produzida após o acidente radiológico de Goiânia, em 1987. O conjunto é considerado pela crítica Bélgica Rodríguez como a “Guernica brasileira”, em referência à célebre obra de Pablo Picasso.
A monografia também aborda a produção mais recente de Siron Franco, impactada pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O artista transformou o episódio em novas pinturas que dialogam com a forte crítica política e social presente em sua obra desde os anos 1970.
Para o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás, Marcelo Baiocchi Carneiro, a iniciativa fortalece a memória cultural brasileira e amplia o alcance da arte produzida em Goiás. Já o diretor regional do Sesc e Senac Goiás, Leopoldo Veiga Jardim, destaca que a obra de Siron provoca reflexões profundas sobre violência, desigualdade, ditadura militar e tragédias sociais, utilizando a arte como instrumento de questionamento e transformação.
Nascido na cidade de Goiás, em 1947, Siron Franco construiu uma carreira internacional e possui obras em importantes museus do Brasil e do exterior, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Metropolitan Museum of Art, em Nova York.
Além do lançamento do livro, o público em Goiânia poderá visitar a exposição “Expressões”, em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina até 6 de julho, reunindo cem obras produzidas por Siron entre as décadas de 1970 e 1980.















