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Um mergulho na imagem e no som


Por Redação em 22/05/2018 - 00:00

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Fabiola Rodrigues e Manoel Messias Rodrigues

Repórter da Tribuna do Planalto acompanha visita de estudantes de escola pública ao Museu da Imagem e do Som

Visitas guiadas em museus e teatro incentivam a criança ou adolescente a melhorar consideravelmente o desenvolvimento intelectual estimulando o pensamento crítico, além de possibilitar, em muitos casos, o primeiro contato com a produção cultural de qualidade. Esses passeios ajudam o estudante a conhecer de perto histórias contadas em sala de aula, dando solidez às teorias dos livros. Na manhã de quarta-feira da semana passada, alunos do 6º ano da Escola Municipal Vereador Carlos Eurico de Camargo Alves, localizada no Parque Santa Rita, em Goiânia, visitaram o Museu da Imagem e do Som (MIS), na Praça Cívica, onde tiveram contato, de forma lúdica e interativa, com a história da música e também da construção e evolução da Capital goiana.

Vislumbrada com a oportunidade de realizar o sonho de conhecer um museu, Natália Gonzaga, de 11 anos, mostrava nos olhos que aquele contato com os discos, a caixa de som, as telas com retratos históricos, os gibis, tudo era novidade e parecia surreal.

“Gosto muito de ir aos passeios oferecidos pela escola. Meu pai não pode me levar, porque ele sempre está ocupado tentando sustentar a casa. Acho muito interessante conhecer nossa origem, história e monumentos, aprendo bastante só de ouvir falar, vendo, então, conheço mais ainda”, diz a estudante, que quer se formar em arquitetura e se especializar em design de interiores.

“Acho muito interessante conhecer nossa origem, história e monumentos, aprendo ouvindo falar, vendo, então, conheço mais ainda”, Natália Queiroz

Na aventura de aprender fora da sala de aula, Natália conta com a ajuda da professora de História Eleuzenira Maria de Menezes, que sempre luta para que as turmas dela conheçam lugares culturais. A professora sabe que um ensino de qualidade, que requer contato com a arte e a cultura, pode ser o diferencial no desenvolvimento acadêmico de seus alunos. E as palavras de Natália confirmam essa assertiva: “Sempre gostei de estudar, pintar, desenhar. Isso tudo me encanta e presenciar obras artísticas me incentiva mais ainda a lutar pelos meus objetivos”.

Kayky Vieira, também de 11 anos, sempre foi curioso e desde pequeno gostava de folhear livros e ouvir historinhas. Quando ficou sabendo pela professora de história, que iria ao museu, não conteve a alegria e queria mesmo era saber como Goiânia foi fundada. Ao descobrir boa parte de como isso aconteceu, vendo fotos e ouvindo fatos narrados pela guia do MIS, Kayky mostrou um semblante contente, além de falar que aprendeu muito.

“Acho legal acompanhar o progresso da minha cidade, me interesso por isso. E aprender dentro de um museu é muito recreativo e interessante, tenho mais clareza para compreender. É superlegal”, relata.

Os olhos de Kayky Vieira percorriam todas as salas com muita animação, como se estivesse em um parque de diversões. O gosto pelo conhecimento, fazia cada minuto do passeio valer a pena. Ao chegar na gibiteca Jorge Braga, do MIS, a atenção ficou totalmente voltada para os famosos personagens da ficção.

“Ir ao museu é muito recreativo e interessante, tenho mais clareza para compreender as matérias ensinadas em sala, é super legal”, Kayky Vieira

A História além da teoria

A professora Eleuzenira Maria de Menezes explica que as visitas guiadas são indispensáveis para consolidar o aprendizado do livro e da sala de aula. Essa visitas materializam o que foi visto na teoria. O contato com obras de arte e conteúdos artísticos, portanto, melhora os conceitos e enriquece a educação oferecida pela escola.

“Acredito ser fundamental ajudar a criança, o adolescente a fazer novas descobertas. Por isso, me empenho tanto. Claro que enfrento algumas dificuldades para que estes momentos aconteçam, mas sei o tanto que é valioso para eles e, por isso, nem penso em desistir”, frisa.

“Acredito ser fundamental ajudar a criança, o adolescente a realizar novas descobertas. Por isso, me empenho tanto”, Eleuzenira Maria

As atividades extraclasse sempre rendem muito conhecimento. A motivação dos estudantes, ainda mais sendo crianças, é visível e contagiante. As aulas fora do ambiente escolar são momentos que agregam conhecimento.

“Sinto um prazer enorme em incentivar a participação da criança em visitações, porque a família nem sempre a pode dar essa oportunidade aos filhos. É transformador ver a criança fazendo comparações entre a teoria e a prática”, comenta a professora de História.

“Ensinamos sem quadro e giz”

Visitar um museu é uma oportunidade de o estudante ter contato na prática com elementos da teoria, ampliando e enriquecendo os conteúdos ministrados em sala. O Museu da Imagem e do Som (MIS) recebe diariamente estudantes de escolas e universidades e grupos interessados pela cultura local, por história, música e leitura.

“Ensinamos sem quadro e giz. Nossa função é essa, que as pessoas tenham mais senso crítico e ampliem o conhecimento delas. Somos um pedaço da produção dele de forma indireta. Se o estudante sair do museu com alguma percepção de mundo diferente, a partir das histórias contadas, já cumprimos nossa missão, porque a cultura sempre contribui com a educação”, ensina Keith Valéria Tito, diretora do MIS.

“Nossa função é fazer com que as pessoas tenham mais senso crítico e ampliem o conhecimento. Somos um pedaço da produção dele de forma indireta” Keith Valéria Tito

A visita ao MIS é gratuita. Professores ou grupos que desejam participar das audições com guia devem ligar no telefone 3201-4625 ou solicitar visita antecipadamente pelo e-mail [email protected] e fazer a reserva. As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30, na Praça Cívica.

O museu conta a evolução e a história da música e de seus aparelhos, fatos históricos de Goiás, com um retrospecto cheio de detalhes e informações por meio de acervo e fotos. Os visitantes também conhecem a gibiteca, que é toda colorida com desenhos, onde há gibis e livros ilustrados que incentivam a leitura para crianças e adolescentes.

Conhecimento para a vida

Atividades realizadas fora da sala de aula proporcionam conhecimento na prática e, para a nova geração de crianças e adolescentes, essa interação é mais fundamental ainda, já que os aparelhos tecnológicos facilitam o conhecimento teórico. A interação dos estudos extraclasse quebra a rigidez do tradicionalismo pedagógico, ancorado nas diversas matérias e incontáveis horas em sala de aula e instiga ao convívio em grupo.

“Visitas a teatros, museus, monumentos históricos, fazendinhas, exposições, zoológicos são excelentes recursos para a ampliar o conhecimento do estudante, levando-o a universos desconhecidos. Durante esses momentos o estudante faz conexões e leva o aprendizado para a trajetória da sua vida”, afirma a psicóloga Maris Eliana Dietz.

Um dos grandes desafios da escola é formar cidadãos com capacidade de entender e se posicionar criticamente perante a complexidade do mundo. Isso é possível quando a escola proporciona meios de interação e conexão entre teoria e realidade, mostrando e ampliando o conhecimento além dos muros que a delimitam.

“Atividades extraclasse possibilitam ao estudante ter contato com novas culturas, desenvolvendo, assim, o raciocínio” Maris Eliana Dietz

“A atuação da escola vai muito além dos livros didáticos e provas. É importante levar o estudante a ser um sujeito pensante de maneira analítica e prática. Os passeios e atividades externas propõem a ideia do conhecimento prazeroso, fluído. A criança incorpora os conceitos com maior facilidade, estimula o raciocínio, a resolução de problemas, a exploração e investigação, que são essenciais para a vida acadêmica e em sociedade”, esclarece Maris Eliana Dietz.

Escolher bem os locais para proporcionar interatividade requer alguns requisitos a serem considerados. Incentivar o exercício da mente é algo que deve acontecer de maneira pensada. A psicóloga lembra que o local deve ser apropriado à faixa etária dos estudantes e as turmas devem estar em um mesmo nível de idade. O acompanhamento e orientações por profissionais durante o percurso de passeios são de extrema importância para compreensão de cada aluno durante os momentos proporcionados fora da escola.

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