O senador Wilder Morais, presidente do PL em Goiás e candidato ao governo estadual, acusou o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, de trair o ex-presidente Jair Bolsonaro ao declarar apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB). Em pronunciamento direcionado aos anapolinos, Wilder afirmou que preservou o espaço político do prefeito dentro do partido, mas não recebeu a mesma lealdade.
“Mesmo com muita gente me dizendo que eu iria me arrepender, que era melhor trazer o Republicanos para perto, coisa que eu não fiz para não fazer desfeita com o prefeito de Anápolis, o prefeito foi eleito pelo PL, com apoio irrestrito do partido e do presidente Bolsonaro. Hoje, pede voto para outro partido, para deputado, para outro governo e, não duvide, para outro presidente também”, declarou.
Wilder também colocou em dúvida a manutenção dos compromissos assumidos por Márcio Corrêa com as candidaturas do deputado federal Major Vitor Hugo e do deputado estadual Gustavo Gayer. Para o senador, a mudança de posição política do prefeito somente ocorreu porque Bolsonaro está preso e impossibilitado de reagir.
“Não me admira romper também o apoio prometido ao Major Vitor Hugo e ao Gustavo Gayer. Tenho certeza de que isso só aconteceu porque o presidente Bolsonaro está preso injustamente, sem poder reagir. Se estivesse livre, essa coragem não existiria. Jamais Bolsonaro permitiria que alguém que escolheu para caminhar contra o Brasil permanecesse no PL. Certamente seria considerado traidor”, afirmou.
A manifestação ocorre após a Executiva Estadual do PL admitir, por unanimidade, uma representação contra Márcio Corrêa e encaminhar o caso ao Conselho de Ética. A denúncia foi apresentada por um filiado depois de o prefeito declarar apoio a Daniel Vilela, candidato de outro partido ao Governo de Goiás.
A abertura do procedimento não representa condenação ou aplicação imediata de penalidade. O Conselho de Ética será responsável pela instrução do processo, com garantia de contraditório e ampla defesa ao prefeito. A resolução nacional do PL proíbe detentores de mandato eleitos pela legenda de manifestarem apoio público a candidaturas que não integrem as coligações formalizadas pelo partido.
Wilder antecipou que espera uma nova ofensiva política e afirmou que ataques e informações distorcidas deverão circular nos próximos dias. “Eu já aviso: vem mais por aí. Vão inventar, vão distorcer. Quando você vir, já sabe de onde vem e por quê. Mas o medo não me dobra. Já enfrentei coisas bem mais duras na minha vida”, disse.
O senador afirmou ainda que continuará atuando para eleger Flávio Bolsonaro presidente da República e levar desenvolvimento aos municípios goianos. Ao final, procurou separar a disputa partidária de sua relação com Anápolis, onde disse ter investido antes de entrar na política, gerado empregos e destinado recursos durante o mandato no Senado.
“Anápolis, o meu compromisso com você segue de pé, com prefeito ou sem prefeito. Eu não viro as costas para você”, concluiu.














