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Brasil busca acordo com EUA para evitar novo tarifaço

Governo trabalha com novo prazo até 15 de julho e resiste a incluir Pix em negociação com Washington


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/06/2026 - 13:40

O governo brasileiro tenta fechar um acordo tarifário com os Estados Unidos para evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, a USTR, de impor tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.

A avaliação em Brasília é que um entendimento ainda é possível, embora difícil. O argumento central do governo é que a sobretaxa não interessa aos dois países e perde força diante de um dado incômodo para a narrativa americana: os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil.

A recomendação da USTR foi tornada pública na última semana e é resultado de investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão sustenta que o Brasil adotaria práticas “desleais” em áreas como comércio digital, meios de pagamento, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Entre os pontos mais sensíveis está o Pix. Washington afirma que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos prejudicaria empresas norte-americanas do setor. O governo brasileiro rejeita essa leitura e vê na ofensiva uma tentativa de ingerência em assunto interno, além de uma manifestação de protecionismo comercial.

O Brasil também questiona a base econômica da medida. Segundo o governo, a tarifa média aplicada pelo país sobre importações dos Estados Unidos é de 2,7%, índice considerado insuficiente para sustentar a tese de que empresas norte-americanas enfrentariam barreira relevante de acesso ao mercado brasileiro.

A nova data no radar brasileiro é 15 de julho, prazo fixado pela USTR para uma definição sobre o caso. Em tese, esse limite ainda poderia ser prorrogado. A mudança dá mais fôlego aos negociadores, já que o prazo político inicial, definido após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington, era de 30 dias e termina neste domingo (7).

As conversas, porém, esbarram em uma agenda externa carregada para os Estados Unidos. Além de outras negociações tarifárias em curso, Washington também lida com a escalada no Oriente Médio, em meio ao conflito contra o Irã.

Nesse contexto, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro entre Lula e Trump. Os dois podem se cruzar durante a cúpula do G7, marcada para ocorrer entre 15 e 17 de junho, na França. Até o momento, não há confirmação de reunião bilateral.

Outro obstáculo está no alcance das demandas norte-americanas. Os Estados Unidos costumam levar às mesas de negociação pacotes amplos, com reivindicações em diferentes áreas. O Brasil, por ora, tenta limitar a conversa ao campo tarifário e comercial.

Temas de interesse estratégico de Washington, como terras raras, não entraram na negociação brasileira até agora. O governo também sustenta que o Pix não será usado como moeda de troca em qualquer tratativa com os Estados Unidos.

Em paralelo, Brasília trata de forma diferente a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a cerca de 60 países sob o argumento de combate ao trabalho análogo à escravidão. A leitura do governo é que essa medida foi desenhada para não ser negociada caso a caso.

A avaliação é que, por atingir boa parte do comércio global, a nova taxa funcionaria como tentativa de recompor, sob outra base jurídica, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

A medida alcança o Brasil, mas também aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia. Até a Argentina, governada por Javier Milei, aliado de Trump em temas internacionais, foi incluída no pacote.

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