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Agro e eleições em Goiás: por que o futuro do campo precisa estar no centro do debate político


Por Rodrigo Zani em 25/06/2026 - 11:48

Agro PIB
O agro goiano ultrapassou a marca de 1 milhão de trabalhadores ocupados, alcançando o maior nível de empregabilidade da série histórica do Instituto Mauro Borges (IMB).

Quando se fala em Goiás, é impossível não falar do agro. O campo está presente na história, na economia, na cultura e no desenvolvimento do nosso estado. Mais do que um setor econômico, o agro é um dos pilares que sustentam a geração de emprego, renda e oportunidades para milhões de goianos.

Os números demonstram essa força. Em 2024, o agronegócio goiano ultrapassou a marca de 1 milhão de trabalhadores ocupados, alcançando o maior nível de empregabilidade da série histórica do Instituto Mauro Borges (IMB). Atualmente, mais de 26% de toda a população ocupada do estado está ligada direta ou indiretamente ao setor agropecuário. Além disso, as exportações do agronegócio representam mais de 87% de tudo o que Goiás vende ao exterior, movimentando cerca de US$ 12,1 bilhões anuais.

A relevância econômica do agro, contudo, vai muito além dos números. É o setor responsável pela produção dos alimentos que chegam diariamente à mesa das famílias, pela geração de biocombustíveis que movimentam veículos e indústrias, pelo fornecimento de matérias-primas para diversos segmentos produtivos e pela garantia da segurança alimentar de milhões de pessoas. Em um mundo que enfrenta desafios relacionados ao crescimento populacional, às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a produção de alimentos, o agro se torna cada vez mais estratégico para Goiás, para o Brasil e para o planeta.

Goiás ocupa posição de destaque no cenário nacional. O estado está entre os maiores produtores agropecuários do Brasil e alcançou a terceira maior produção de grãos do país, com mais de 32 milhões de toneladas na safra recente, consolidando sua liderança em diversas cadeias produtivas como soja, milho, sorgo, feijão, carnes e leite.

Diante dessa realidade, é natural que o agro também exerça enorme influência sobre a política goiana. Historicamente, muitos dos principais líderes políticos de Goiás surgiram do setor rural ou construíram suas trajetórias com forte apoio das entidades e dos produtores do campo. Isso não acontece por acaso. O agro está presente em praticamente todas as regiões do estado, movimenta economias locais e influencia diretamente a vida de milhares de famílias.

Em uma eleição estadual, compreender o que pensa o agro significa compreender uma parcela significativa da sociedade goiana. Quando o setor demonstra confiança em determinada proposta ou projeto político, essa percepção costuma gerar reflexos importantes na formação da opinião pública e no fortalecimento das candidaturas.

Mas é preciso reconhecer que o agro goiano é plural. Ele não se resume às grandes fazendas exportadoras nem às gigantescas cadeias produtivas. O agro também é formado pela agricultura familiar, responsável por gerar emprego, renda e alimentos para o mercado interno.

Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, a agricultura familiar representa a maioria dos estabelecimentos rurais brasileiros e possui papel fundamental na produção de alimentos. Em Goiás, as propriedades familiares respondem por quase metade da mão de obra rural do estado, empregando aproximadamente 46,8% dos trabalhadores do campo. Trata-se de milhares de famílias que vivem da terra, fortalecem as economias municipais e ajudam a garantir o abastecimento alimentar das cidades.

Ao mesmo tempo, Goiás abriga um dos agronegócios empresariais mais competitivos do país. Soja, milho, sorgo, cana-de-açúcar, carnes bovina, suína e de aves estão entre os produtos que impulsionam as exportações e colocam o estado em posição de destaque nos mercados nacional e internacional. As cadeias produtivas do agro movimentam cooperativas, transportadoras, agroindústrias, centros de pesquisa, universidades, empresas de tecnologia, fornecedores de máquinas, defensivos, fertilizantes e serviços especializados.

O campo moderno é cada vez mais tecnológico. Hoje, drones, agricultura de precisão, inteligência artificial, melhoramento genético, biotecnologia e monitoramento climático fazem parte da rotina de muitas propriedades rurais goianas. Essa evolução tecnológica transforma Goiás em referência de produtividade e inovação.

Entretanto, não existe futuro para o agro sem sustentabilidade. A produção rural depende diretamente do clima, da disponibilidade de água, da qualidade do solo e da conservação dos recursos naturais. Secas prolongadas, chuvas irregulares e eventos climáticos extremos afetam diretamente a produtividade e a renda do produtor. Por isso, pensar agricultura sustentável não é uma questão ideológica; é uma necessidade econômica e produtiva.

Preservar o meio ambiente significa preservar as condições que tornam possível a produção rural. O desenvolvimento do agro e a conservação ambiental precisam caminhar juntos, baseados em ciência, tecnologia e boas práticas de gestão dos recursos naturais.

Nesse contexto, talvez seja hora de superar algumas divisões simplistas que frequentemente aparecem no debate público. Muitas vezes se afirma que a agricultura familiar pertence ao campo político da esquerda, enquanto o agronegócio empresarial estaria vinculado à direita. Essa visão reduz uma realidade muito mais complexa.
A planta não escolhe ideologia para crescer. O animal não pergunta a posição política de quem o cria. A produção rural depende de conhecimento técnico, planejamento, crédito, infraestrutura, pesquisa, assistência técnica, segurança jurídica e políticas públicas eficientes.

Por isso, o que se espera do poder público não é a defesa de narrativas, mas a adoção das melhores práticas baseadas em evidências científicas para fortalecer a produção rural, gerar riqueza, ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida de quem trabalha no campo.

À medida que nos aproximamos de mais uma eleição em Goiás, cresce a expectativa de produtores, trabalhadores rurais, cooperativas, pesquisadores, empresários e famílias ligadas ao setor para conhecer as propostas dos candidatos para o agro. É fundamental que os planos de governo apresentem de forma clara o que pensam sobre infraestrutura rural, logística, crédito, pesquisa agropecuária, agricultura familiar, inovação tecnológica, sustentabilidade, comercialização e segurança no campo.

O agro merece protagonismo no debate eleitoral porque é protagonista no desenvolvimento de Goiás.

Que esta eleição seja uma oportunidade para discutir o futuro do campo com seriedade, responsabilidade e visão estratégica. Que haja menos discursos vazios e mais propostas concretas. Menos ideologia e mais resultados.

Ao final, fica uma saudação à agricultura goiana, aos homens e mulheres que acordam cedo para produzir riqueza, alimento e desenvolvimento para nosso estado. E também uma saudação à boa política, aquela que escuta, planeja e constrói soluções.

Que vença o melhor projeto para Goiás. E que o agro, em toda a sua diversidade e importância, seja devidamente valorizado nesta eleição e no próximo governo.

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Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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