Os três senadores que representam Goiás no Congresso Nacional já somam mais de R$ 103 milhões em emendas individuais efetivamente pagas em 2026. Os recursos, destinados majoritariamente à saúde, abastecem prefeituras, hospitais e programas municipais e ganham relevância num momento em que as articulações para as eleições do próximo ano começam a ganhar intensidade no interior do estado.
O levantamento foi realizado pela Tribuna nesta sexta-feira (26), com base na plataforma Consulta de Emendas Parlamentares do governo federal, utilizando dados atualizados até 24 de junho e considerando exclusivamente os valores efetivamente pagos das emendas individuais dos senadores Jorge Kajuru (PSB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Wilder Morais (PL).
Os dados mostram diferenças no volume de recursos já executados. Kajuru aparece com aproximadamente R$ 57,9 milhões pagos até o momento, enquanto Vanderlan soma cerca de R$ 26,2 milhões e Wilder registra R$ 19,3 milhões. A saúde concentra a maior parte dos investimentos dos três representantes goianos, sobretudo por meio de transferências para custeio da atenção básica, assistência hospitalar e manutenção dos serviços municipais.
A predominância na saúde não é uma particularidade de Goiás, mas reflete uma tendência nacional das emendas parlamentares, já que a maior parte dos recursos individuais obrigatórios é tradicionalmente destinada ao financiamento dos serviços públicos de saúde.
Articulação
Embora as emendas individuais tenham execução obrigatória, a destinação dos recursos continua sendo um importante instrumento de articulação entre parlamentares e municípios. Prefeitos utilizam essas verbas para ampliar investimentos em áreas essenciais, enquanto senadores fortalecem sua presença institucional junto às administrações locais e lideranças regionais.
Além da saúde, parte das emendas contempla ações de infraestrutura, assistência social, esporte e desenvolvimento regional. O volume destinado a essas áreas, no entanto, permanece inferior aos recursos direcionados ao sistema público de saúde, que concentra as principais demandas dos municípios goianos.
Em um estado marcado pela força política dos prefeitos, a capacidade de levar recursos para as cidades continua sendo um dos principais ativos dos parlamentares. Na ponta, a execução dos recursos ajuda a consolidar relações institucionais e ampliar a presença dos senadores em diferentes regiões do estado.
Kajuru executa mais emendas que Vanderlan e Wilder somados
Fora da disputa pela reeleição em 2026, Jorge Kajuru concentra o maior volume de emendas individuais efetivamente pagas entre os representantes de Goiás no Senado em 2026. O parlamentar do PSB já soma aproximadamente R$ 57,9 milhões executados, montante superior aos R$ 45,4 milhões registrados conjuntamente por Vanderlan Cardoso e Wilder Morais.
A diferença chama atenção porque Kajuru já afirmou que não pretende disputar a reeleição ao Senado em 2026 e declarou apoio ao presidente Lula (PT) em Goiás. Grande parte das indicações do senador permanece concentrada na área da saúde, setor que tradicionalmente reúne as principais demandas apresentadas pelos municípios.
Pré-candidato ao Governo de Goiás, Wilder Morais, por sua vez, direcionou recursos para assistência hospitalar, atenção básica, infraestrutura urbana, assistência social, esporte comunitário, turismo e desenvolvimento regional. Há indicações específicas para municípios como Rubiataba e Palmeiras de Goiás, além de ações classificadas como de abrangência estadual ou múltipla.
Já o pré-candidato à reeleição Vanderlan Cardoso aparece em posição intermediária, com cerca de R$ 26,2 milhões pagos até o momento. Assim como os demais representantes goianos, o senador concentra boa parte das indicações no fortalecimento dos serviços municipais de saúde, mantendo uma distribuição mais espalhada entre diferentes cidades e programas públicos.
Calendário de emendas amplia peso político dos recursos às vésperas da eleição
A execução das emendas parlamentares ganhou importância adicional em 2026 após a Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelecer que 65% das emendas individuais e de bancada destinadas à saúde, assistência social e transferências especiais devem ser pagas ainda no primeiro semestre do ano eleitoral.
Levantamento divulgado pelo g1 mostra que, até meados de junho, o governo federal havia quitado R$ 18,4 bilhões em emendas parlamentares, dos quais R$ 4,2 bilhões correspondem às indicações dos senadores. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a antecipação dos pagamentos fortalece a relação entre parlamentares e suas bases municipais, uma vez que os recursos costumam ser associados diretamente aos responsáveis pelas indicações.
O cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que o mecanismo amplia a visibilidade dos parlamentares nos municípios e tende a produzir vantagens competitivas para quem já ocupa mandato. Segundo ele, a associação entre obras, serviços públicos e a figura do parlamentar fortalece a presença política dos detentores de mandato e dificulta a entrada de novos concorrentes no processo eleitoral.
Em Goiás, a dinâmica ajuda a explicar a relevância dos mais de R$ 103 milhões já pagos pelos senadores em 2026. A predominância dos investimentos em saúde produz efeitos imediatos sobre o funcionamento dos serviços municipais e amplia o reconhecimento político dos parlamentares junto às administrações locais, tornando as emendas um dos principais instrumentos de articulação entre Brasília e os municípios goianos.
O calendário aprovado na LDO prevê o pagamento no primeiro semestre de 65% das emendas individuais e de bancada a fundos de saúde, de assistência social e de transferências especiais — emendas PIX que podem ser aplicadas em qualquer finalidade.
Como foram distribuídas as emendas dos senadores goianos
| Senador | Partido | Valor pago | Participação | Principal perfil das emendas |
| Jorge Kajuru | PSB | R$ 57,9 mi | 56,0% | Saúde, assistência hospitalar e atenção básica |
| Vanderlan Cardoso | PSD | R$ 26,2 mi | 25,3% | Saúde e transferências pulverizadas para municípios |
| Wilder Morais | PL | R$ 19,3 mi | 18,7% | Saúde, infraestrutura, esporte, turismo e desenvolvimento regional |
| TOTAL | — | R$ 103,4 mi | 100% | Predominância dos investimentos na saúde |











