A reunião da frente progressista realizada nesta quinta-feira (25), no diretório estadual do PT, em Goiânia, terminou sem consenso sobre a chapa majoritária que terá Luís César Bueno (PT) como pré-candidato ao Governo de Goiás. Uma nova rodada foi marcada para a próxima segunda-feira (29), quando os partidos esperam bater o martelo.
O ponto mais sensível é o Senado. O PSB não abre mão da candidatura única da ex-deputada estadual Isaura Lemos. A leitura do partido é que a multiplicação de candidaturas no campo conservador pode abrir uma brecha para a esquerda eleger um senador, desde que concentre votos em um só nome. “Por lá tem pelo menos oito candidaturas que vão pulverizar e brigar o voto entre si. Nesse espaço, abre margem para uma única candidatura progressista. Se concentrar os votos, podemos eleger um senador”, avalia um defensor da articulação. “Então, não faz sentido dividir aqui também.”
A tese enfrenta resistência dentro da própria frente. PV, PCdoB, PDT e PSOL também querem espaço na disputa ao Senado. Esses partidos sustentam que a composição não pode ficar concentrada no PT, que já ocupa a cabeça de chapa, nem no PSB, que tenta emplacar Isaura como nome único. “É legítimo que todos os partidos tenham seus espaços na majoritária. Defendemos que haja pelo menos duas candidaturas. São pelo menos quatro suplências. Dá para acomodar todo mundo”, afirma uma fonte que acompanha as negociações.
O impasse é aritmético e político. A chapa tem duas vagas ao Senado, quatro suplências e uma disputa entre partidos que defendem unidade em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não querem entrar na campanha apenas como apoiadores de Luís César.
O PSOL chegou à mesa com a pré-candidatura de Cíntia Dias. A presidente estadual da legenda já havia avisado, em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, que o partido não aceitaria a vice como solução de acomodação. “Para garantir um palanque unificado, a gente tem que estar na majoritária. E estar na vice não é uma possibilidade para o PSOL”, afirmou.
Cíntia também cobrou o PT, o PV e o PCdoB, que formam a Federação Brasil da Esperança. Para ela, o bloco já ficou com a principal posição da chapa ao indicar Luís César ao governo. “O que a gente tem defendido é que a federação PT, PV e PCdoB lançou uma candidatura majoritária, que é a do Luís César Bueno. Então, se eles querem outras vagas, eles não querem aliança”, disse.
O PDT também mantém a pré-candidatura de Kowalsky Ribeiro ao Senado. Na véspera da reunião, ele evitou cravar posição, mas afirmou que aguardava a definição da Frente Democrática em Goiás. “Quanto ao futuro, aguardo a definição da Frente Democrática em Goiás, especialmente diante da necessária conciliação entre projetos pessoais e o compromisso maior com o Estado e com a nação. Todas as decisões serão tomadas com responsabilidade, diálogo e espírito público”, afirmou.
Kowalsky disse ainda que estaria nesta quinta-feira (25) no Rio de Janeiro para participar do lançamento da campanha de Léo Lupi a deputado estadual e conversar com Carlos Lupi sobre os rumos do PDT em Goiás. A fala indica que a decisão local também passa pela direção nacional da sigla.
A reunião de segunda-feira deve definir se a frente terá uma candidatura única ao Senado, como quer o PSB, ou duas candidaturas dentro da chapa, como defendem outros partidos. Também está em discussão a distribuição das suplências, apontada por interlocutores como uma saída para reduzir a resistência dos aliados.














