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Convenções fecham tabuleiro com cinco candidatos ao Governo; veja quem são

Daniel Vilela, Marconi Perillo, Wilder Morais, Luis Cesar Bueno e Luciana Amorim saem do período de convenções com candidaturas homologadas


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 09/08/2026 - 12:24

Candidatos governo de Goiás
Disputa deverá ser marcada pelo peso da máquina estadual, antigos grupos políticos e palanques nacionais. (Fotos: Divulgação)

Com o encerramento das convenções partidárias, a disputa pelo Governo de Goiás ganhou a configuração que deve chegar às urnas em outubro e, cinco candidatos foram homologadas pelos partidos: o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL), o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) e a professora Luciana Amorim (UP). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Os partidos ainda têm até 15 de agosto para apresentar os registros à Justiça Eleitoral.

Ao confirmar nomes já colocados na pré-campanha, as convenções encerraram meses de negociações sobre alianças, candidatos a vice, palanques para a eleição presidencial e composição das chapas ao Senado. O resultado é uma eleição que reúne três candidaturas com maior presença nas pesquisas divulgadas até agora, uma frente de esquerda ligada ao governo federal e uma candidatura da Unidade Popular.

Daniel Vilela inicia a campanha eleitoral como candidato de Goiás à reeleição e à frente da maior composição partidária da disputa. O emedebista assumiu definitivamente o Governo de Goiás em março, após a desincompatibilização de Ronaldo Caiado (PSD) para concorrer à Presidência da República, e foi homologado pela coligação “Pra Goiás Seguir em Frente”. Luiz do Carmo (PSD), ex-senador e ligado à Assembleia de Deus, foi escolhido para a vice depois de uma disputa interna que também envolveu o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima e o ex-deputado federal José Mário Schreiner.

A candidatura governista reúne 12 partidos e chega ao início da campanha sustentada por uma estrutura municipal que, segundo a própria coligação, conta com o apoio de 227 dos 246 prefeitos goianos. MDB, PSD, Republicanos, Podemos, Avante, Mobiliza, Agir e Democracia Cristã integram o grupo, ao lado da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, e da Federação Renovação Solidária, composta por PRD e Solidariedade.

No outro polo de uma disputa que remonta às últimas décadas da política goiana, Marconi Perillo foi confirmado pela Federação PSDB-Cidadania e tenta retornar ao Palácio das Esmeraldas oito anos depois de deixar o governo. Governador em quatro mandatos, o tucano chega à quinta candidatura ao cargo e pretende transformar a campanha em uma comparação entre os resultados de suas administrações e os governos que o sucederam.

Leia também: Daniel deve ficar com quase metade do tempo da propaganda de rádio e televisão

A chapa tucana será completada pela empresária e produtora rural Jacqueline Zaiden. Ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Verde, ela amplia a presença da chapa no Sudoeste goiano e estabelece uma ponte com o setor produtivo e o agronegócio. O Cidadania indicou Iure Castro para a disputa ao Senado.

O senador Wilder Morais, por sua vez, foi homologado pelo PL em chapa com Ana Paula Rezende. Filha do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, ela protagonizou um dos movimentos de maior repercussão da pré-campanha ao deixar o campo político historicamente associado ao MDB e ingressar no partido de Jair Bolsonaro. A composição dá a Wilder uma candidata a vice com sobrenome fortemente associado à história política do Estado justamente na disputa contra Daniel, herdeiro de outra das principais tradições do MDB goiano.

O PL também procura nacionalizar parte da campanha. Wilder mantém sua candidatura ligada ao campo bolsonarista e à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na convenção, o partido homologou Gustavo Gayer e Oséias Varão para as duas vagas de senador.

Pela esquerda, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno encabeça a chapa articulada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O advogado Carlos Mundim, do PDT, foi indicado para vice. A frente reúne ainda PSB e Federação PSOL-Rede e procura estabelecer em Goiás um palanque ligado ao governo federal.

A composição foi resultado de negociações que atravessaram a pré-campanha. Além da candidatura ao governo, o grupo definiu Isaura Lemos (PSB) e Cíntia Dias (Federação PSOL-Rede) para a disputa ao Senado. No campo proporcional, cada partido ou federação seguirá com suas próprias listas para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

A quinta candidatura homologada é a da professora Luciana Amorim, pela Unidade Popular. Caymmi Henrique foi definido como candidato a vice-governador. A chapa representa o segmento mais à esquerda entre as opções colocadas para o Palácio das Esmeraldas.

O encerramento das convenções também dá início a uma nova etapa na disputa, que terá no dia 16 de agosto o início oficial da propaganda eleitoral, com confronto que passa a ser diretamente pelo eleitor.

Base governista aposta em capilaridade para largar na frente

O principal ativo político de Daniel Vilela no começo da campanha não está apenas no Palácio das Esmeraldas. A coligação governista entra na eleição com uma estrutura que alcança praticamente todo o mapa de Goiás e afirma reunir 227 dos 246 prefeitos do Estado, além de deputados federais, estaduais, vereadores e lideranças das legendas que formam o bloco.

A amplitude da aliança permite à campanha distribuir candidaturas proporcionais e lideranças por diferentes regiões enquanto Daniel procura vincular sua imagem à continuidade do ciclo iniciado por Ronaldo Caiado em 2019. O governador assumiu o cargo em março e, portanto, terá poucos meses de gestão própria antes de se apresentar às urnas.

A definição de Luiz do Carmo para vice também procurou acomodar um segmento relevante da base. Ex-senador e irmão do bispo Oídes do Carmo, ele amplia a interlocução da chapa com o eleitorado evangélico e mantém o PSD, partido de Caiado, formalmente representado na composição majoritária.

A força dessa estrutura será testada contra adversários que procuram transformar justamente a concentração de poder político em argumento de campanha. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho, Daniel aparecia com 37% das intenções de voto, seguido por Marconi, com 21%, e Wilder, com 11%. Pesquisa é um retrato do período em que foi realizada e os números ainda antecedem a campanha oficial.

Marconi e Wilder disputam espaço na oposição; esquerda busca palanque próprio

Se Daniel Vilela conseguiu concentrar a maior parte dos partidos e prefeitos em torno de sua candidatura, a oposição chega ao início da campanha dividida em projetos distintos.

Marconi Perillo procura recuperar o eleitor que acompanhou suas quatro passagens pelo Governo de Goiás e adotou como uma das linhas de campanha o chamado “voto de comparação”. O tucano pretende confrontar obras, programas e indicadores de seus governos com os resultados das administrações posteriores.

Wilder Morais tenta ocupar outro espaço ao apostar na identificação com o eleitorado de direita e no palanque nacional bolsonarista, com o reforço da chapa com um componente da política tradicional de Goiás, a vice Ana Paula Rezende. A combinação permite ao PL apresentar uma chapa que dialoga simultaneamente com o bolsonarismo e com a memória política de Iris Rezende.

A existência das duas candidaturas coloca Marconi e Wilder também em uma disputa interna pela condição de principal adversário do governo antes de um eventual segundo turno. Os levantamentos publicados durante a pré-campanha apontaram Daniel à frente e os dois concorrentes na sequência, embora com distâncias diferentes conforme o instituto e a metodologia.

Luis Cesar Bueno tenta construir um caminho fora dessa polarização, em um projeto para formar palanque para o presidente Lula buscar o quarto mandato na Presidência da República. Sua candidatura garante ao PT e aos demais partidos da Frente Democrática um palanque próprio em Goiás e permite que o grupo associe a disputa estadual à campanha presidencial. Luciana Amorim, por sua vez, representa a Unidade Popular.

Lucas de Godoi

Jornalista formado pela PUC Goiás. Na Tribuna do Planalto, cobre administração pública e os principais desdobramentos do cenário político em Goiás.

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