O presidente estadual em exercício do PSDB, deputado Gustavo Sebba, afirmou que considera “caminho natural” o apoio do ex-governador Marconi Perillo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República. A declaração foi publicada na Coluna Giro, do jornal O Popular, neste sábado (4).
“É o caminho natural que o partido deve seguir em Goiás. Entendo que o trabalho político tem sido nesse sentido. Essa é a articulação feita por parte do nosso grupo”, disse Sebba à coluna.
A fala joga luz sobre uma movimentação que vinha sendo tratada nos bastidores, mas ainda sem carimbo público de dirigentes tucanos no Estado. O PSDB de Marconi busca um encaixe nacional que reduza o custo eleitoral da campanha em Goiás, onde o eleitorado conservador continua sendo uma variável central da disputa.
A aproximação com Flávio Bolsonaro também tem efeito local. Segundo Sebba, a articulação mira uma possível aliança com o senador Wilder Morais (PL), que, assim como Marconi, é pré-candidato ao governo estadual.
“Trabalhamos para estarmos juntos no segundo turno. Tenho muita convicção que estaremos no segundo turno e Wilder vai nos apoiar”, afirmou o deputado.
A declaração revela uma aposta: Marconi tentaria disputar o primeiro turno com identidade própria, mas sem romper pontes com o PL. A conta passa pela hipótese de que a oposição de direita e centro-direita possa se reorganizar em torno de um nome contra o grupo governista, caso a eleição seja levada para o segundo turno.
O movimento também indica que Marconi não pretende repetir a estratégia de 2022, quando disputou o Senado sem vincular sua campanha a um projeto presidencial competitivo em Goiás. Desde então, aliados do tucano avaliam que a neutralidade nacional teve custo elevado numa eleição marcada pela polarização.
Nos últimos meses, Marconi rejeitou acenos para assumir o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás. A leitura de aliados é que uma associação com a esquerda criaria desgaste num Estado onde o campo conservador mantém força eleitoral.
Ao mesmo tempo, o tucano tenta se afastar do projeto presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). A relação entre os dois carrega um obstáculo político evidente: Caiado chegou ao poder em Goiás explorando o desgaste das gestões anteriores e manteve Marconi como adversário preferencial ao longo dos dois mandatos.











