Tem chances de o ex-governador Marconi Perillo voltar ao Governo de Goiás em 2027? Claro que tem. A política é dinâmica, feita de ciclos, de memória coletiva e de capacidade de reinvenção. E poucos líderes políticos em Goiás têm uma trajetória tão marcada por resiliência quanto a de Marconi.
Nascido no interior, em Palmeiras de Goiás, Marconi Perillo tem uma origem simples, como a de tantos meninos do interior goiano. Como muitos jovens que buscavam oportunidades, mudou-se para Goiânia para estudar. Foi na capital que começou a dar seus primeiros passos na vida pública, participando da juventude do Movimento Democrático Brasileiro e atuando no Conselho Estadual da Juventude. Ali começava a se formar um político que, anos depois, marcaria profundamente a história do estado.
O grande salto em sua trajetória veio durante o governo de Henrique Santillo. Marconi tornou-se assessor direto do governador, ganhando experiência administrativa e proximidade com as decisões de governo. Não demorou para disputar e vencer sua primeira eleição para deputado estadual.
Naquele momento, Goiás vivia intensos embates políticos. A postura de enfrentamento ao governo de Iris Rezende projetou Marconi para além das fronteiras da Assembleia Legislativa. Logo ele se elegeu deputado federal e passou a ocupar espaço no cenário nacional.
O ponto de virada veio em 1998. Naquele ano, Marconi protagonizou uma das disputas mais marcantes da política goiana ao derrotar Iris Rezende, então líder de uma forte hegemonia política. Foi uma virada considerada épica por muitos analistas e marcou o início de uma nova fase política no estado.
A partir dali, Marconi se consolidou como um dos grandes líderes da política goiana. Foi eleito e reeleito quatro vezes governador de Goiás, também exerceu mandato de senador da República e chegou à presidência nacional do Partido da Social Democracia Brasileira. Uma trajetória que, por si só, demonstra resiliência, capacidade de superação e habilidade política.
Marconi é, no sentido mais bonito da palavra, um político nato — daqueles que entendem o valor do debate público, do diálogo e da construção institucional.
Mas a eleição de 2026 promete ser uma das mais interessantes da história recente de Goiás. Marconi deve enfrentar adversários fortes.
De um lado está Daniel Vilela, jovem e competente líder do MDB em Goiás. Daniel representa uma renovação geracional importante na política goiana e hoje está bem posicionado como aliado da base do governador Ronaldo Caiado. É um nome com densidade política, estrutura partidária e presença crescente no estado.
Outro concorrente relevante é o senador Wilder Morais, liderança do Partido Liberal em Goiás e aliado do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Wilder possui estrutura partidária, base consolidada e um eleitorado fiel ligado ao bolsonarismo.
Há ainda um outro fator importante nesse tabuleiro: a base eleitoral ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás. Embora o Partido dos Trabalhadores ainda não tenha definido claramente um nome competitivo para a disputa estadual, trata-se de um contingente eleitoral significativo que, neste momento, parece órfão de uma liderança capaz de unificar esse campo político no estado.
Nesse cenário, cada ator adota uma estratégia distinta.
Wilder Morais não faz um confronto direto com o governo Caiado. Sua estratégia parece ser a de aguardar o momento certo, apostando na força nacional do bolsonarismo. Já o PT mantém uma oposição firme ao governo estadual, mas ainda sem um rosto ou um candidato que represente claramente esse campo político diante do eleitor goiano.
Marconi, por sua vez, tem adotado outra postura: faz o enfrentamento político ao governo com argumentação, lógica e experiência acumulada. Conhece profundamente a máquina pública, tem trajetória administrativa consolidada e sabe se posicionar nos grandes debates do estado.
É verdade que o PSDB vive hoje um momento de menor protagonismo nacional. Mas isso não significa que Marconi esteja isolado politicamente. Muito pelo contrário: ao longo de décadas de atuação, construiu alianças e relações políticas em praticamente todas as cidades de Goiás.
E quem acompanha a política goiana sabe: Marconi tem um estilo próprio de jogar. É daqueles políticos que sabem a hora exata de tirar uma carta da manga, mexer no tabuleiro e reorganizar o jogo.
Não por acaso, seu nome aparece bem posicionado em diferentes pesquisas eleitorais. E, nas cidades do interior, o que se ouve cada vez mais são murmúrios e conversas sobre um possível retorno do ex-governador ao Palácio das Esmeraldas.
Se isso vai acontecer ou não, o tempo dirá. A política é o território das possibilidades.
Particularmente, respeito profundamente a democracia e acredito na política exercida de forma institucional — uma política de propostas, de ideias, de debate e, sim, também de confronto quando necessário. Mas, sobretudo, uma política capaz de construir convergências em favor do bem comum.
Goiás tem hoje lideranças qualificadas em diferentes campos políticos. Daniel Vilela, Wilder Morais, Marconi Perillo e tantos outros nomes que certamente ainda surgirão nesse processo.
O cidadão goiano merece o melhor de seus líderes. Porque Goiás é um estado extraordinário, com potencial imenso de crescimento, desenvolvimento e justiça social.
E quando a política é feita com seriedade, visão e compromisso público, quem ganha é sempre a sociedade.














