A Prefeitura de Goiânia ampliou significativamente o ritmo dos investimentos públicos no primeiro quadrimestre de 2026. A execução das despesas com investimentos saltou de R$ 35,7 milhões nos quatro primeiros meses de 2025 para R$ 292,9 milhões neste ano, crescimento nominal de 719%, segundo prestação de contas apresentada pela Secretaria Municipal da Fazenda em audiência pública prevista pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O avanço acompanha o início da execução das operações de crédito contratadas pela administração e representa a principal mudança no comportamento das contas públicas em relação ao ano passado.
O aumento dos investimentos também se refletiu nas despesas de capital, que cresceram de R$ 74,2 milhões para R$ 351,8 milhões, alta de 374%. Diferentemente das despesas correntes, destinadas à manutenção da máquina pública, as despesas de capital financiam obras, aquisição de equipamentos, infraestrutura e outras ações que ampliam o patrimônio público.
Enquanto os investimentos avançaram em ritmo acelerado, as despesas correntes cresceram 11,1%, passando de R$ 2,56 bilhões para R$ 2,85 bilhões. O comportamento indica que o aumento dos gastos da Prefeitura foi puxado principalmente pela retomada da capacidade de investimento, e não apenas pela expansão do custeio administrativo.
A apresentação ocorre em um momento de maior estabilidade na relação entre o Paço e o Legislativo. Após meses de ruídos, a gestão conseguiu reorganizar a base e aprovar pautas consideradas estratégicas, como o empréstimo de R$ 310 milhões.
Em entrevista à Tribuna do Planalto, a secretária de Governo, Sabrina Garcez, afirmou que a base de Mabel hoje oscila entre 25 e 27 vereadores. Segundo ela, o apoio pode variar conforme o projeto, mas há uma maioria consolidada em torno das pautas do Executivo.
Receita acompanha crescimento
O avanço dos investimentos ocorreu em um cenário de aumento da arrecadação municipal. Entre janeiro e abril, a Prefeitura arrecadou R$ 3,76 bilhões, crescimento nominal de 7,42% em relação ao mesmo período de 2025. Descontada a inflação de 4,39%, o crescimento real foi de aproximadamente 2,9%.
A arrecadação própria também apresentou evolução. As receitas municipais cresceram 7,26%, impulsionadas principalmente pelos tributos próprios, que alcançaram R$ 1,64 bilhão, além do aumento das receitas patrimoniais, contribuições e operações de crédito destinadas ao financiamento de investimentos.
Outro destaque foi o crescimento das transferências estaduais para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os recursos provenientes de convênios do Governo de Goiás passaram de R$ 10,1 milhões para R$ 29 milhões no primeiro quadrimestre, alta nominal de 185,8%.
Folha permanece abaixo dos limites da LRF
Apesar da expansão dos investimentos e do crescimento das despesas totais, os principais indicadores fiscais permaneceram dentro dos parâmetros estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A despesa com pessoal do Poder Executivo corresponde atualmente a cerca de 46% da Receita Corrente Líquida ajustada, abaixo do limite de alerta (48,6%), do limite prudencial (51,3%) e distante do teto legal de 54%. O índice demonstra que a Prefeitura mantém margem para administrar a política de pessoal sem sofrer as restrições previstas na legislação.
O endividamento também permanece em patamar confortável. A Dívida Consolidada Líquida representa apenas 3,62% da Receita Corrente Líquida, percentual muito inferior ao limite de 120% estabelecido pelo Senado Federal para os municípios.
Saúde e educação cumprem mínimos constitucionais
A prestação de contas aponta ainda que Goiânia manteve aplicação superior aos pisos constitucionais nas duas principais áreas sociais.
Na saúde, os investimentos permaneceram acima do mínimo de 15% da receita de impostos e transferências previsto pela Constituição. Na educação, o município também superou o percentual mínimo de 25%, além de cumprir as exigências do Fundeb relativas à valorização dos profissionais da educação básica.
Os indicadores mostram que a expansão dos investimentos ocorreu sem comprometimento do equilíbrio fiscal. Enquanto a Constituição estabelece percentuais mínimos para áreas essenciais, a Lei de Responsabilidade Fiscal fixa limites para despesas com pessoal, endividamento e gestão das contas públicas. Segundo os dados apresentados pela Secretaria da Fazenda, Goiânia encerrou o primeiro quadrimestre cumprindo simultaneamente ambos os conjuntos de exigências legais.
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