A candidatura de Luis Cesar Bueno ao governo de Goiás entrou em contagem regressiva. Escolhido há poucas semanas pelo PT para encabeçar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado, o ex-deputado estadual já considera recuar da disputa. A decisão ainda não foi anunciada, mas a possibilidade deixou de ser especulação lateral e passou a ser tratada como desfecho provável por aliados petistas.
Luis Cesar vive um momento de reflexão. Avalia a conjuntura, mede o tamanho da candidatura e observa o movimento das peças ao redor. O recuo é iminente. Nos bastidores, petistas apostam que a decisão será tomada em até dez dias. Talvez antes. A frente progressista, que já vinha pressionada pela demora na montagem da chapa majoritária, voltou a ficar em suspensão. O que parecia resolvido com a escolha de Luis Cesar voltou a ser pergunta.
A mudança de ambiente tem relação direta com a conversa de Lula com a deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, e com a vereadora Aava Santiago, presidente do PSB em Goiás. O presidente quer um palanque forte no Estado. E, para interlocutores petistas, deixou clara a preferência por uma das duas mulheres na cabeça da chapa. O problema é que nenhuma delas demonstra disposição tranquila para assumir o sacrifício.
Adriana está próxima de uma reeleição à Câmara dos Deputados e tem papel central na condução do PT em Goiás. Entrar na disputa ao governo significa abandonar uma eleição proporcional considerada viável para assumir uma candidatura difícil, de alto custo político e eleitoral.
Aava também calcula o risco. A vereadora aparece como nome capaz de crescer dentro do campo progressista, especialmente após a aproximação com Lula e a entrada do PSB na conversa. Mas a decisão passa por uma avaliação interna sobre viabilidade, estrutura e o tamanho real do palanque que a frente progressista conseguirá montar. Uma joga a responsabilidade para a outra.
Petistas ligados a Aava avaliam que ela pode crescer e dar mais densidade ao palanque de Lula. Setores próximos de Adriana sustentam que a deputada tem mais recall, mais estrutura e mais capacidade de unificar a esquerda. No fundo, todos sabem que o dilema é o mesmo: Lula quer uma candidatura com peso político real, mas os nomes mais competitivos resistem a entrar no jogo. Uma pesquisa encomendada pelo diretório nacional do PT deve apontar os rumos que o partido tomará.
Com a desistência de Luis Cesar Bueno confirmada, o PT voltará ao ponto de partida, mas com menos tempo e mais cobranças. A frente progressista terá de decidir se quer apenas ter candidato ou se pretende construir, de fato, um palanque competitivo para Lula em Goiás. Hoje, a segunda opção continua sem dono.
IMPACTOS DIRETOS AO SENADO
Governistas acompanham o movimento com atenção. Além da pré-candidatura ao Governo de Goiás, Lula também quer Adriana Accorsi ou Aava Santiago na disputa ao Senado. Um nome forte da oposição na corrida à Casa Alta teria impacto direto sobre a base caiadista, já congestionada com Gracinha Caiado (UB), Zacharias Calil (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Gustavo Mendanha (PRD).
Repasses em alta
Os repasses do Governo de Goiás destinados ao SUS para a Prefeitura de Goiânia praticamente triplicaram no primeiro quadrimestre de 2026. As transferências por convênios estaduais passaram de R$ 10,1 milhões para R$ 29 milhões, crescimento nominal de 185,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Sintonia política
O aumento dos repasses ocorre em um ano pré-eleitoral e em meio ao alinhamento político entre o governador e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, Daniel Vilela (MDB), e o prefeito Sandro Mabel (UB).
Conta da Saúde
O prefeito atribuiu o aumento dos repasses estaduais ao SUS à cobrança feita pela Prefeitura por uma compensação maior pelo atendimento de pacientes de outros municípios da Região Metropolitana. “Nós começamos a exigir mais essa transferência, começamos a exigir mais o pagamento dessa contrapartida”, afirmou.
2028 já está aí
A discussão sobre sucessão em Goiânia para 2028 já começou. O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB), a empresária Ana Paula Rezende (PL) e o próprio Mabel aparecem em conversas de bastidor. Na centro-esquerda, o nome da vereadora Aava Santiago (PSB) também aparece bem cotado, junto com o do vereador Edward Madureira (PT). A eleição de outubro será um termômetro.
Fila da Câmara
A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia para o biênio 2027-2028 deve ocorrer entre outubro e novembro do ano que vem, mas a movimentação já começou. Nos bastidores, aparecem como possíveis nomes para a presidência Ronilson Reis (SD), Henrique Alves (MDB), Thiallu Guiotti (Avante), Geverson Abel (Republicanos) e Welton Lemos (Novo). Entre os cotados, uma avaliação é unânime: Romário Policarpo (Cidadania), atual presidente, terá forte influência no desfecho da disputa.
PSOL de olho
Quem acompanha de perto a indefinição no PT é a presidente do PSOL em Goiás, Cintia Dias. Ela tem reforçado que pontua melhor que Luis Cesar Bueno nas pesquisas e também tem maior potencial eleitoral que o petista.
Troco jurídico
Depois de enfrentar duas judicializações numa mesma semana, o PL goiano começou a discutir uma reação mais organizada no campo jurídico. Integrantes do partido avaliam que a legenda não pode apenas responder a ações movidas por adversários. A orientação em estudo é mapear vulnerabilidades de outras campanhas e devolver a pressão pela mesma via: representação, contestação e pedido de apuração.
Com a palavra
Leonardo Batista, um dos advogados do PL em Goiás, afirma que há mais ajuizamento de ações do que processos efetivamente sofridos pelo partido. De acordo com ele, na ação movida pelo PDT, por exemplo, houve decisão monocrática extinguindo o processo. “Estamos acompanhando e monitorando as ações contra nós e também as movimentações extrajudiciais dos candidatos”, disse à Tribuna Política.
Caiado acena às mulheres
Durante congresso evangélico no Riocentro, no Rio de Janeiro, Ronaldo Caiado rebateu a fala de Paulo Figueiredo de que mulheres votariam mal. “A minha esposa Gracinha [e outras mulheres] são muito mais influentes nas nossas decisões, muito mais certeiras”, afirmou.
Ataque duplo
Após almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Caiado criticou Flávio Bolsonaro e Lula pelo embate sobre as tarifas dos EUA. “Dois candidatos que não defendem o Brasil, defendem o processo eleitoral próprio”, disse.
Sem citação
Distribuída em agosto de 2025, a ação de improbidade proposta pelo Ministério Público contra o ex-prefeito Rogério Cruz (Solidariedade) caminha para completar um ano sem que ele tenha sido citado. Sem o ato formal, não começa o prazo para apresentação da defesa e o processo não avança em relação ao ex-gestor.
Sob explicação
Levantamento da Folha de S.Paulo apontou que 616 juízes e desembargadores goianos receberam acima do teto de R$ 46,4 mil em maio, com pagamentos de até R$ 495 mil e cerca de um em cada dez casos acima até do limite excepcional de R$ 78,8 mil.
Resposta ao STF
O TJGO respondeu nesta semana à cobrança dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Ao Supremo e à imprensa, sustentou que os pagamentos realizados em maio e junho seguiram orientações do CNJ e decisões da própria Corte.
Chopada no Tribunal
Assinado em 26 de junho pelo presidente Joaquim Alves de Castro Neto, um contrato do TCM-GO prevê gasto de R$ 24,8 mil com bebidas para reuniões, solenidades, confraternizações e outros eventos institucionais. A lista inclui 22 barris de chope Brahma, ao custo de R$ 19,6 mil, além de refrigerantes, sucos e água com gás.
40 anos
A Tribuna do Planalto chega aos 40 anos com história, memória e presença no debate público de Goiás. Em quatro décadas, atravessou governos, eleições, crises, mudanças tecnológicas e transformações no jornalismo sem perder sua função principal: registrar a política, a economia, a cultura e os movimentos da sociedade goiana. Foi o primeiro veículo no Brasil a dedicar um caderno exclusivo para educação. Vida longa à Tribuna.














