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Rio Verde passa Anápolis e é 2º maior PIB de Goiás

Goiânia lidera o ranking e Aparecida de Goiânia ocupa terceira posição; tendência é de manter crescimento, aponta IMB


Carla Borges Por Carla Borges em 11/07/2026 - 17:48

Rio Verde passou a concentrar uma cadeia do agronegócio extremamente integrada. Foto: Codego

Impulsionado pelo avanço da agropecuária, o município de Rio Verde ultrapassou Anápolis e Aparecida de Goiânia tem hoje o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de Goiás. Goiânia lidera o ranking de riqueza do estado e é o 15º maior PIB do país. Os dados são referentes a 2023 e constam dos estudos mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Mauro Borges (IMB). A tendência é de que o crescimento se mantenha, aponta o superintendente de Estudos e Projeções Macroeconômicas do IMB, Sávio Oliveira, que destaca o desempenho da cidade do Sudoeste de Goiás. 

“Rio Verde passou muitos anos sendo a quarta ou quinta maior economia do estado. Em 2022, subiu para segunda e manteve em 2023. É um desempenho bastante impressionante, nada trivial”, analisa. Para ele, o ranking dos municípios não mudou porque Anápolis ficou mais fraca, mas porque alguns municípios cresceram mais rápido. “Goiás vive uma transformação em que cadeias produtivas do agronegócio, cada vez mais industrializadas, passaram a gerar riqueza em outras regiões, reduzindo a concentração econômica que historicamente existia na capital e em poucos municípios”, pontua. 

Em 2023, o PIB de Goiás cresceu 4,8% em volume, alcançando o valor de R$ 336,7 bilhões, mantendo o estado na nona posição nacional, com 3,1% de participação no PIB brasileiro. Os serviços ampliaram sua participação para 61,1% do Valor Adicionado, enquanto a agropecuária recuou para 16,8%, refletindo queda de preços apesar do forte crescimento da produção. Já a indústria atingiu 22,1% de participação.   

O estudo do IMB revela ainda que os 10 maiores municípios concentraram 54,6% do PIB estadual, percentual inferior ao observado em 2010 (60,5%), o que, para os analistas, sinaliza um processo contínuo de desconcentração territorial da produção. Em relação ao PIB nacional, Goiânia continua sendo o 15° maior do país, enquanto Rio Verde ocupa a 70ª colocação, seguido por Aparecida de Goiânia (75ª) e Anápolis (79ª). O PIB per capita estadual atingiu R$ 47,7 mil, com 94 municípios apresentando resultado acima da média. Além disso, Goiás conta com quatro municípios entre os 100 maiores PIBs do país e cinco entre os 100 maiores PIBs per capita. 

Cadeia integrada 

Sávio Oliveira observa que Rio Verde passou a concentrar uma cadeia do agronegócio extremamente integrada. “Não é apenas produção agrícola. Tem agroindústria, logística e serviços especializados ligados ao agro. Nos últimos anos, esse conjunto cresceu em um ritmo superior ao observado em outros grandes centros do estado, permitindo que Rio Verde se consolidasse como o segundo maior PIB de Goiás”, justifica, acrescentando que o município está em uma trajetória favorável, devido ao fato de possuir um setor agropecuário altamente competitivo.  

“Esses fatores ajudam a explicar sua ascensão ao segundo maior PIB do estado e podem continuar impulsionando o município”, avalia o superintendente do IMB. “No entanto, essa tendência dependerá também de fatores como os preços das commodities e clima. Portanto, oscilações de curto prazo são normais para o setor. No longo prazo, a tendência é continuação do crescimento”.  

Em relação ao Estado de Goiás, a tendência apontada pelos técnicos do IMB é a mesma. Sávio Oliveira ressalta que, nos últimos anos, o Estado fez o dever de casa e isso resultou em uma combinação de fatores positivos, como o forte desempenho do agronegócio e serviços relacionados, investimentos industriais e crescimento populacional acima da média brasileira. “Esses fatores permanecem presentes, o que sugere que o estado pode continuar crescendo acima da média do país”. 

Indústria forte 

A participação da agropecuária na composição do PIB de Goiás teve um crescimento significativo no período de 2010 a 2023, saindo de 11,1% para 16,8% do PIB. No mesmo período, o setor de serviços aumentou sua participação de 60,5% para 61,1%. Já a indústria teve queda no mesmo período, de 28,3% para 22,1%. Apesar desse decréscimo, o superintendente do IMB esclarece que isso não significa que o setor teve um desempenho ruim nos últimos tempos.  

“A indústria não encolheu em termos absolutos; pelo contrário, ela continuou crescendo ao longo do período. O que ocorreu foi uma perda de participação relativa, porque a agropecuária cresceu em ritmo ainda mais acelerado, ampliando seu peso na economia goiana”, explica Sávio Oliveira. Por esse motivo, não há contradição em observar que muitos dos maiores PIBs municipais continuam concentrados em polos industriais, ao mesmo tempo em que municípios com forte base agropecuária ganharam relevância. “Rio Verde é o melhor exemplo disso”, diz. 

Os estudos revelam ainda que os municípios de grande porte continuam concentrando a maior parte da atividade econômica, o que é esperado, pois reúnem população, infraestrutura, serviços e mercados consumidores. “No entanto, quando analisamos a concentração entre os maiores polos econômicos, observamos uma tendência de desconcentração: a participação dos dez maiores PIBs municipais caiu de 60,5% em 2010 para 54,6% em 2023. Isso indica que o crescimento vem sendo compartilhado por um número maior de municípios”, demonstra o superintendente. 

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