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Definição do PT alivia militância, mas deixa dúvidas sobre frente ampla em Goiás

Ao bancar Luis Cesar, a presidente do PT no estado, deputada Adriana Accorsi, mantém o controle do processo


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 13/06/2026 - 13:04

A escolha do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno pelo PT para encabeçar a pré-candidatura ao Palácio das Esmeraldas aliviou parte da militância, que já cobrava uma definição para a disputa ao Governo de Goiás. Mas a decisão não encerrou o problema político da esquerda no Estado. O partido agora tem nome, mas ainda precisa provar que terá frente ampla, palanque competitivo e capacidade de segurar aliados que seguem conversando com outros campos.

A deputada federal Adriana Accorsi, presidente do PT em Goiás, tentou colocar ponto final na novela interna. Em entrevista a esta edição da Tribuna do Planalto, disse que Luis Cesar “vai até o fim”, minimizou a demora e chamou de “delírio” a tese de aliança com Marconi Perillo. Foi um recado para dentro e para fora do partido. Para dentro, porque setores petistas ainda ensaiavam dúvidas sobre a viabilidade do escolhido. Para fora, porque o PSDB rondou o debate petista por tempo demais. Mesmo que sem que qualquer articulação avançasse, como a própria dirigente mostrou.

A escolha também preserva Adriana. Seu nome sempre foi tratado como o mais competitivo no campo lulista, mas a deputada nunca escondeu a preferência pela reeleição à Câmara. Ao bancar Luis Cesar, a presidente do PT mantém o controle do processo, evita um desgaste pessoal maior e tenta organizar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem abrir mão do próprio projeto.

O problema é que a frente ampla não se monta apenas com ata de reunião. PDT, PSB, PV, PSOL, Rede e PCdoB terão de se entender em torno da vice, do Senado e das suplências. E cada sigla quer entrar na foto com algum peso. A escolha do cabeça de chapa resolveu uma pergunta, mas abriu outras. Quem será o vice? Quem terá prioridade ao Senado? Quantos espaços o PT pretende ocupar além do governo? E que tipo de palanque será oferecido a Lula em Goiás?

O PDT já avisou que não está no automático. Kowalsky Ribeiro, presidente estadual da sigla, lançou seu nome ao Senado e reforçou conversas com Luis Cesar, Daniel Vilela e Marconi Perillo. Também deixou uma linha de corte: mantém dificuldade de diálogo com o bolsonarismo de Wilder Morais. Em outras palavras, o partido quer ficar longe do PL, mas também não aceita ser tratado como apêndice do PT.

Esse é o ponto mais sensível. O PT quer frente ampla, mas a frente ampla quer saber onde vai sentar. O PDT tem nome para o Senado. O PV já se movimenta. Cristiano Cunha, presidente do partido em Goiás, afirma que não abre mão do posto. O PSOL tem Cíntia Dias. O PSB conversa com diferentes lados. Todos dizem defender o palanque de Lula, mas poucos parecem dispostos a entregar apoio sem contrapartida política concreta.

Enquanto isso, Daniel Vilela, do MDB, joga com outra lógica. O governador tem máquina, agenda, prefeitos, deputados e tempo a favor. Não precisa resolver a oposição. Basta observar seus adversários tentando resolver a si mesmos. Cada semana de indefinição no outro campo é uma semana a mais para o MDB ocupar território e testar alianças.

Marconi também acompanha o movimento. Antes mesmo da tese de aliança com o PT ser enterrada por Adriana, o ex-governador já havia rejeitado a ideia. Ainda assim, o tucano segue como ponto de atração para setores que rejeitam Daniel e também não querem se misturar ao bolsonarismo. Já Wilder mantém o PL como trincheira própria, com força ideológica, mas ainda dependente de transformar barulho em voto estadual competitivo.

No fim, a escolha de Luis Cesar dá ao PT aquilo que faltava: um nome. A militância petista pode respirar melhor. O partido saiu da indefinição. Mas a eleição de 2026 não será decidida apenas pela vontade de montar o palanque de Lula em Goiás. Será decidida pela capacidade de transformar essa vontade em chapa, campanha e voto. E, nesse ponto, o jogo ainda está longe de estar resolvido. A conferir.

O governador Daniel Vilela (MDB) tenta imprimir uma assinatura própria ao governo com a tecnologia como principal mote. Depois de herdar a máquina montada por Ronaldo Caiado, o emedebista passou a focar na inovação como vitrine de gestão. O IA Contra o Crime, que integra inteligência artificial às ações de segurança pública, virou uma das principais iniciativas dessa agenda. No mesmo pacote de modernização, entram a GOtech, criada para desenvolver soluções digitais para a gestão pública, e o Pequi Bank, plataforma financeira voltada a serviços digitais, programas sociais e crédito.

Carro na estrada
O próximo movimento de Marconi Perillo será tentar ocupar o espaço de oposição “possível” entre Daniel Vilela e Wilder Morais. O tucano sabe que a eleição não será vencida apenas com saudade do governo passado. Precisa vender previsibilidade, experiência e capacidade de diálogo para quem não quer Daniel, mas também não se sente representado pelo bolsonarismo. Com o carro na estrada, ele deverá percorrer 200 cidades até o final de julho. É Marconi quem faz a própria agenda.

Janela tucana
No entorno de Marconi, a tendência é evitar precipitação sobre alianças. O tucano deve esperar tanto os partidos que estão em uma eventual aliança com o PT como os que estão na base de Daniel decidirem seus rumos, antes de avançar em novas conversas. A aposta é que a fragmentação tanto da frente ampla progressista como a caiadista abra uma janela para o PSDB se apresentar como polo de reorganização da oposição moderada. O DC já garantiu seu apoio.

Recado ao centro
A avaliação de alguns interlocutores é de que o principal desafio de Marconi neste momento será falar menos para o eleitor que já votaria nele e mais para o eleitor que ainda resiste a voltar ao passado. A campanha tucana deve testar um discurso de “governabilidade” e “experiência” de quem já esteve à frente do Palácio por quatro vezes, mas terá de encontrar linguagem nova para não parecer reprise.

Intensificações
Aliados do senador Wilder Morais avaliam que o empresário precisa mostrar que está mesmo disposto a enfrentar o projeto rumo ao Palácio das Esmeraldas. A pré-candidatura do PL já está posta, mas ainda falta ao senador transformar identidade ideológica em fôlego no projeto estadual. O bolsonarismo garante largada, barulho e base fiel. Não garante, sozinho, maioria. Vide Goiânia, 2024.

Lançamento
Os mesmos defensores também avaliam que a partir do momento em que a base liberal lançar as pré-candidaturas, em evento no próximo dia 27 de junho, no Tatersal de Elite do Parque de Exposições Agropecuária de Goiânia. “Em 2022, Wilder estava atrás nas pesquisas e levou a única cadeira ao Senado. O bolsonarismo  em Goiás cresce na hora que tem que crescer”, afirmou um aliado à Tribuna Política.

Flávio, presente
O ato contará com as principais lideranças do bolsonarismo local e também com a do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto. Se a agenda for confirmada, será a primeira vez que o parlamentar participará de uma agenda ao lado de Wilder na pré-campanha.

Fiscalização pelo alto
A Prefeitura de Goiânia autorizou a compra de drones para uso da fiscalização tributária. Os equipamentos serão utilizados em inspeções externas de verificação de informações cadastrais dos imóveis da capital. A aquisição será feita por dispensa de licitação e não há detalhamento da quantidade e custo da tecnologia. 

Justiça fiscal
A Prefeitura havia anunciado que foram identificadas cerca de 310 mil divergências entre os registros municipais e as características encontradas nos imóveis por meio de georreferenciamento e imagens aéreas. A gestão afirma que o objetivo é promover “justiça fiscal” e corrigir distorções tributárias.

Lembrança de 2017
O assunto traz à memória uma das principais controvérsias da última gestão Iris Rezende. Em 2017, a utilização de fotografias aéreas para identificar ampliações não declaradas em imóveis resultou na cobrança complementar de IPTU dos chamados “puxadinhos”. A medida gerou forte reação política, questionamentos judiciais e acabou sendo retirada pelo próprio Paço Municipal após a repercussão negativa.

Crise do IPTU
Um dos maiores desgastes da gestão Rogério Cruz foi a repercussão do novo Código Tributário Municipal, aprovado em 2021. As mudanças na base de cálculo do IPTU provocaram aumento de até 55% do imposto para parte dos contribuintes, geraram forte reação popular e transformaram o tema em uma das principais crises políticas enfrentadas pelo ex-prefeito ao longo do mandato.

Nova frente na Câmara
O vereador Lucas Kitão (Mobiliza) quer reativar a Frente Parlamentar em defesa dos Agentes de Combate a Endemias (ACEs) na Câmara de Goiânia. 

Última legislatura
Durante a última Legislatura, o vereador foi autor de uma frente semelhante, que foi instituída e chegou a contar com 10 membros, mas encerrou os trabalhos no final de 2024. O parlamentar solicitou a criação de uma nova frente nesta semana.

Viu isso?
Fora do Palácio das Esmeraldas, o ex-governador e pré-candidato à presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) conta com 51 policiais militares da ativa em esquema de revezamento para atendê-lo, segundo apuração do colunista Lauro Jardim, de O Globo. A equipe, que inclui coronéis e tenentes-coronéis, custa R$ 797,3 mil por mês em folha salarial.

“Está na Constituição”
Ao colunista, Caiado justificou o tamanho do aparato. “A obrigação de garantir segurança a ex-governadores e suas famílias vigora desde 2010 em Goiás. Está inscrita, inclusive, na Constituição do Estado”, afirmou. O ex-governador também disse que a equipe “tem, na verdade, quatro integrantes a cada dia, e não 51 pessoas”.

Mão pesada
Na resposta, Caiado ainda citou o balanço de sua gestão na segurança pública. “Quem combateu o crime organizado e reduziu em 84% os crimes violentos em Goiás precisa de segurança”, disse. “E tem mais: após a homologação da candidatura, haverá proteção adicional da Polícia Federal. Os riscos não podem ser minimizados. O narcotráfico, o PCC e o Comando Vermelho não esquecem a mão pesada de Ronaldo Caiado em Goiás.”

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