A campanha ao Governo de Goiás começa oficialmente neste domingo (16) com quatro estratégias bastante definidas na mesa. Daniel Vilela tenta transformar continuidade em identidade própria. Marconi Perillo aposta na memória de seus governos. Wilder Morais quer juntar bolsonarismo com trajetória pessoal. Luis Cesar Bueno vai ancorar a campanha no legado nacional do PT e no palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Daniel larga com a máquina mais forte. Tem governo, base ampla, prefeitos, partidos e o apoio direto de Ronaldo Caiado. O desafio é não parecer apenas o candidato da continuidade. O emedebista tenta dar uma marca própria à gestão com inovação, tecnologia e inteligência artificial.
É nesse campo que entram iniciativas como a IA Contra o Crime, a GOtech e o discurso de modernização do Estado. A ideia é simples: manter o eleitorado que aprova Caiado, mas oferecer a Daniel uma assinatura que não dependa exclusivamente do antecessor. O risco é a inovação ficar restrita ao discurso técnico e não chegar à percepção do eleitor.
Marconi vai por outro caminho. O ex-governador chama o eleitor para o balanço de seu Tempo Novo e para o mote “Goiás Pode Muito Mais”. A campanha tucana aposta no legado, na memória administrativa e na comparação com o atual ciclo de poder.
É uma estratégia natural para quem governou Goiás por quatro mandatos. Marconi não precisa se apresentar. Precisa convencer parte do eleitorado de que seu passado ainda serve como argumento de futuro. O problema é a rejeição elevada. O tucano entra na disputa com recall, estrutura e história, mas também com um teto a romper.
Wilder Morais tentará fazer duas campanhas ao mesmo tempo. Uma delas é a do PL, da direita organizada e do bolsonarismo. A outra é a de sua própria biografia. Nascido em Taquaral de Goiás, de origem humilde, tornou-se engenheiro e empresário bem-sucedido no ramo da construção civil.
Hoje, o eleitor enxerga Wilder mais como empresário do que como engenheiro. A campanha sabe disso e deve trabalhar para recontar essa trajetória com mais começo, meio e fim. O objetivo é dar rosto pessoal a uma candidatura que não pode depender apenas da força de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro ou de Gustavo Gayer.
Luis Cesar Bueno entra em outra pista. O candidato do PT aposta no legado dos governos petistas, nos números de programas federais em Goiás e na nacionalização da disputa. Sua campanha será, em boa medida, uma tentativa permanente de desconstruir o antipetismo acumulado desde 2016.
O petista disse à coluna que acredita chegar a setembro entre as primeiras posições. Para isso, terá de transformar Lula em presença eleitoral concreta no Estado e, ao mesmo tempo, reduzir resistências históricas ao PT em Goiás. É uma campanha de palanque nacional, mas com cobrança local.
Cada candidatura começa com um ativo e um problema. Daniel tem máquina, mas precisa de identidade. Marconi tem memória, mas enfrenta rejeição. Wilder tem bolsonarismo, mas precisa de enraizamento próprio. Luis Cesar tem Lula, mas carrega o peso do antipetismo. Em uma campanha curta, de 45 dias, a estratégia que não for entendida rápido pelo eleitor dificilmente terá tempo para correção.
Deepfake entrou no radar
O TRE-GO reuniu a imprensa nesta sexta-feira (14) para tratar de fake news, deepfakes, propaganda eleitoral, urna eletrônica e novas regras. A Justiça Eleitoral sabe que a campanha curta vai acelerar conteúdo manipulado em WhatsApp, Telegram e redes. Em Goiás, a eleição também será disputada no print, no áudio e no vídeo suspeito.
Preocupação
Na edição anterior da Tribuna do Planalto, o analista técnico do TRE-GO, professor de Direito Eleitoral Alexandre Azevedo já alertava que uma das grandes preocupações do pleito seriam as deepfakes.
Cravou
“Para essa eleição, eu posso cravar aqui, com uma margem de acerto razoável, que a deepfake ou essas situações fakes é o que serão o grande mote dos processos eleitorais que serão julgados pela Justiça Eleitoral”, destacou.
MDB morde o ninho
O prefeito de Sanclerlândia, Zé Gordo, deixou o PSDB e se filiou ao MDB de Daniel Vilela. O movimento não muda sozinho a eleição, mas tem valor simbólico, além de mostrar a força da máquina sobre as bases tucanas.
Bilionário no PL
Renato Ribeiro, candidato a deputado federal pelo PL em Goiás, declarou R$ 1,86 bilhão em bens e aparece entre os maiores patrimônios do país. O dado chama ainda mais atenção porque, em 2024, ele havia informado cerca de R$ 38,4 milhões. O PL goiano entra na campanha também com um bilionário na vitrine proporcional.
Penduricalho goiano
O STF mandou suspender pagamentos acima do teto e cobrar devolução de valores pagos a magistrados de sete tribunais, incluindo Goiás. No TJGO, foram citados nove magistrados com mais de R$ 200 mil em abril e 130 pessoas, entre magistrados e pensionistas, acima de R$ 100 mil.
Câmara no carnaval
A Câmara de Goiânia colocou na pauta uma política municipal de valorização do carnaval de rua, incluindo blocos e festas populares. Parece tema leve, mas conversa com ocupação da cidade, economia criativa e segurança.
Fios no fim
A CEI dos fios soltos retomou os trabalhos com duas testemunhas e já se aproxima da reta final. O assunto é menor só para quem não olha para poste. Para o eleitor, fio caído virou símbolo de abandono urbano. Para Mabel, é uma pauta que permite cobrar concessionárias e tentar ocupar o lugar de síndico da cidade.
Emergenciais na mira
Luan Alves voltou a cobrar andamento de licitações em Goiânia e criticou o uso de contratos emergenciais. O vereador afirma que emergencial deve ser exceção. A fala mira a Prefeitura no ponto mais sensível da gestão: resolver urgências sem transformar improviso administrativo em método.
Debate obrigatório
Ronaldo Caiado defendeu que candidato majoritário que se recusar a participar de debate deveria ter o registro cancelado. A fala mira Lula e Flávio Bolsonaro, mas carrega ironia: em 2022, quando disputou a reeleição em Goiás, Caiado faltou a dois dos três debates e foi apenas ao último, da TV Anhanguera.
Não custa lembrar
Seu sucessor em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) também faltou ao primeiro debate organizado por uma emissora de televisão. Sua presença foi cobrada por Marconi Perillo, Wilder Morais e Luis Cesar Bueno.
Guerra no União
A disputa entre Arianne Cândido e Delegado Waldir abriu uma crise interna no União Brasil em Goiás. Os dois são candidatos pela legenda, a primeira a estadual, enquanto o segundo vai disputar a Câmara dos Deputados, mas estão em lados opostos em uma briga que já saiu do bastidor partidário e foi parar na Justiça Eleitoral e no Conselho de Ética.
Fogo cruzado
A briga agora corre em duas frentes: na Justiça Eleitoral e dentro do próprio União Brasil. Arianne acusa Waldir de suposto abuso de poder político e econômico após a saída dele da presidência do Detran-GO. Waldir nega irregularidade e reagiu politicamente dentro da legenda. Ambos pedem a expulsão um do outro.
Digitais
Waldir vê digitais do prefeito de Goiânia Sandro Mabel (UB) na ação de Arianne. “Eu não tenho nada contra ela, mas ela está a serviço do prefeito. E eu tenho feito críticas a gestão do prefeito, sobretudo na má gestão do lixo. Não vou cessar as denúncias da Máfia da LimpaGyn e da Comurg”, salienta.















