O prazo para as convenções terminou na quarta-feira (5) e, em Goiás, quase tudo o que precisava entrar em ata entrou. Daniel Vilela confirmou Luiz do Carmo na vice. Wilder Morais fechou com Ana Paula Rezende. Luis Cesar Bueno tem Carlos Mundim. Marconi Perillo reabriu à convenção do PSDB-Cidadania para anunciar Jacqueline Zaiden. As chapas ganharam forma. A política, nem tanto.
Daniel saiu do Centro de Convenções com a maior coalizão e também com o problema mais sofisticado. A base homologou quatro candidaturas ao Senado para duas vagas: Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil. Em algum momento, prefeitos, deputados e lideranças vão querer saber quem pede voto para quem, mas já na convenção sinais de desgastes foram percebidos.
Mendanha foi o único dos quatro candidatos da base que não discursou na convenção e permaneceu no meio do público, fora do palanque. Interlocutores do ex-prefeito atribuíram a decisão a um incômodo de Vanderlan com o espaço dado ao adversário. Em entrevista à coluna Giro do jornal O Popular, Vanderlan Cardoso disse que Mendanha agia com vitimismo.
A escolha de Luiz do Carmo encerrou outra novela e abriu a primeira conta pós-convenção. José Mário Schreiner voltou nesta quinta-feira (6) à presidência da Faeg após ficar fora da chapa. Ao comentar o desfecho, deixou uma frase calculada: “Na política, muitas vezes, projetos pessoais ficam acima de projetos de Estado”. Não rompeu, mas também não fingiu que nada aconteceu.
A movimentação teve efeito do outro lado. Antes de fechar com Jacqueline Zaiden, Marconi tentou uma composição com Zé Mário. O próprio ex-governador confirmou a conversa, assim como Jacqueline. O episódio mostra que insatisfações produzidas dentro de um grupo já começaram a ser exploradas pelos adversários.
No PL, a convenção resolveu o desenho que durante meses pareceu improvável. Wilder encabeça a chapa, Ana Paula é vice e Gustavo Gayer e Oséias Varão disputam o Senado. O conflito entre Wilder e o grupo de Gayer foi abafado no palco. Resta saber se a trégua sobreviverá à campanha, quando fundo eleitoral, agendas e prioridade política deixam de ser abstrações.
A esquerda também chegou ao fim do prazo com Luis Cesar Bueno no governo e Carlos Mundim na vice. Mais do que montar a chapa, será preciso dar unidade e musculatura a um palanque que começou a corrida atrás dos três principais adversários.
Até 15 de agosto, os partidos ainda têm a etapa dos registros. Mas a fase das decisões públicas terminou. Daqui em diante, os problemas serão menos sobre nomes em atas e mais sobre convivência, dinheiro, prioridade e voto. As convenções acabaram. A campanha começa justamente onde os consensos terminaram.
Bola de Fogo
A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa terá um candidato chamado Bola de Fogo. O nome aparece na lista proporcional do PT homologada em Goiás. Em eleição, sobrenome político ajuda.
Mick Jagger petista
Também na nominata petista está Walcy Vieira, o “Mick Jagger”. A referência ao vocalista dos Rolling Stones aparece na própria relação divulgada após a convenção. Resta saber se, na campanha, vai pedir voto com a mesma desenvoltura de quem pede “Satisfaction”. Com todo o respeito, claro.
Zé do Caixão
Na Federação PSOL-Rede, um dos nomes para deputado estadual chama atenção: Zé do Caixão. O apelido remete imediatamente ao personagem eternizado pelo cineasta José Mojica Marins, que nos deixou em 2020.
Casa de carnes
O PT terá ainda Jailson da Casa de Carnes na corrida pela Alego. É um daqueles nomes de urna que dispensam apresentação e entregam, de saída, a relação do candidato com sua base.
Zé Camelo
Para deputado federal, o Podemos apresenta Zé Camelo. O nome está entre os 15 escolhidos pelo partido para disputar uma das 17 vagas de Goiás na Câmara. É outro caso em que o nome de urna pode falar mais alto que a própria campanha.
Candidato ou homônimo?
Uma curiosidade na lista do Novo é Gabriela Pugliesi, candidata a deputada federal. O nome é idêntico ao da conhecida influenciadora digital. Antes de qualquer associação, porém, vale a regra básica: homônimo não é biografia.
Sessenta é o teto
Uma chapa proporcional completa em Goiás pode reunir até 60 candidatos: 42 para deputado estadual e 18 para federal. É o máximo permitido porque o Estado elege 41 deputados estaduais e 17 federais, e a legislação autoriza partidos e federações a registrar o número de vagas em disputa mais um.
Chapa cheia
PL e Novo aparecem em levantamento feito pela Tribuna do Planalto com a lotação máxima das duas nominatas. São 42 candidatos à Assembleia Legislativa e 18 à Câmara dos Deputados para cada legenda, 60 nomes por partido. Não sobrou espaço.
Quatro a menos
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece com 56 candidatos proporcionais: 38 estaduais e 18 federais. A chapa para Brasília está completa. Para a Alego, ficaram quatro posições abaixo do limite.
Podemos deixa oito vagas abertas
O Podemos aparece com 52 nomes no levantamento, sendo 37 candidatos a deputado estadual e 15 a federal. Se o quadro permanecer assim até o encerramento dos registros, a legenda terá deixado cinco espaços na chapa estadual e três na federal.
Onze abaixo do teto
PSOL e Rede formaram uma nominata ainda menor. A federação aparece com 49 candidatos, 33 para a Alego e 16 para a Câmara. São 11 posições abaixo das 60 que poderiam ser ocupadas.
Brasília mais concorrida
Um detalhe chama atenção nas chapas já levantadas. Mesmo partidos e federações que não preencheram toda a nominata estadual chegaram perto do limite para deputado federal. A Federação Brasil da Esperança ocupou as 18 vagas possíveis para a Câmara, enquanto deixou quatro espaços entre os estaduais.
Plano B
Ex-prefeito de Formosa e ex-aliado de Ronaldo Caiado (PSD), Ernesto Roller foi confirmado nesta sexta-feira (7) como candidato ao Senado na chapa de Marconi Perillo (PSDB). O tucanato recorreu a Roller depois de não conseguir atrair um nome da base governista para a majoritária.
Até o último minuto
A definição veio dois dias depois da convenção. Até as últimas horas, lideranças tucanas ainda apostavam numa eventual insatisfação de Gustavo Mendanha (PRD) com a base de Daniel Vilela (MDB) e na possibilidade de levá-lo para a chapa de Marconi. Mendanha permaneceu no grupo governista. A vaga, então, ficou com Roller.











